Review | Predadores, de Jean Dufaux e Enrico Marini

Uma série de assassinatos rituais intrigam os agentes da Divisão da Homicídios de Nova Iorque, Vicky Lenore e Spiaggi. A única coisa que une as vítimas é uma mensagem que aparece em todas as cenas: o seu reino acabou. Sua investigação os levará a descobrir que tudo que pensam que sabem sobre o mundo está errado, pois as vitimas destes crimes parecem ser membros de uma sociedade secreta de vampiros que controla em segredo o destino da humanidade há muitos séculos. Pelo menos até que uma misteriosa dupla decide acabar com cada um deles.

Predadores de Jean Dufaux e Enrico Marini, é uma série em quatro volumes, iniciada por aqui pela Devir em 2008, que aborda mistério, erotismo e ação num narrativa que soma um novo olhar ao terror com vampiros. Ou mesmo retornando, pois estamos diante de um trabalho que parte de uma das características mais comuns dos vampiros, a sensualidade que subjaz às suas histórias e que estava em voga na época em que a série surgiu (1999-2003) graças aos romances de Anne Rice.

A série traz o italiano Marini (Batman: Príncipe Encantado das Trevas) no começo da carreira, com um estilo profundamente influenciado pelo mangá de Katsuhiro Ōtomo e a BD realista de Moebius e Hermann Huppen. Podemos notar a evolução gradual que o artista desenvolve ao longo da série, mas com uma coerência gráfica tangível, mantendo desde as primeiras páginas uma atmosfera sombria e de terror realmente ímpar. Em especial, com o tratamento das cores, que se destaca pela aplicação de aquarelas diretamente sobre os originais, um resultado que salta à vista. Os desenhos dos personagens principais são fortemente influenciados por Drácula de Francis Ford Coppola, com uma sexualidade superficial. As cenas de ação são brilhantes, perfeitamente coreografadas com óbvias influências do estilo mangá e do filme Matrix. Uma obra linda que já merecia um volume único, só pelo mencionado aqui.

A Nova Iorque de Marini, iluminada e ao mesmo tempo envolta nas sombras.

O belga Dufaux é um dos roteiristas mais importantes do cenário francobelga e um dos mais prolíficos, em Predadores oferece uma sólida história de vampiros, com um caráter policialesco inicialmente que avança numa vertente bem mais épica e sobrenatural, repleta de conspirações, erotismo, sensualidade, vinganças, sociedades secretas e, muita ação.

E nesse caso em particular a parceria artística funciona como um perfeito relógio suíço, já que seu desenho está bem atrelado ao que se narra e em nenhum momento se perde do ritmo narrativo. Além disso, seu final fica aberto, mas encerra a história principal, mas ao mesmo tempo deixa a porta aberta para uma eventual continuação.

Outro aspecto que a obra transmite é a ideia da necessidade de preservar a autenticidade para permanecer fiel a si mesmo. Como mudar nossa natureza não se afasta de nós mesmos e nem nos transforma em pessoas incapazes de desfrutar a vida. Além de passar a mensagem de que os revolucionários tendem a se extinguir porque não podem mais viajar pelo novo mundo alcançado. Isso dá à Predadores um senso de fatalidade e inevitabilidade que está presente em cada página e que dá o tom que define a série e o destino final dos protagonistas.

Em relação a edição da Devir, está caprichada em todos os sentidos, qualidade especial de reprodução, papel e tamanho, contando com extras diversos, há desenhos magníficos, mas que já merecia mesmo um volume único, em capa dura, com título em alto relevo e etc.

Em definitivo: Predadores é um blockbuster de vampiros para os quadrinhos, séries de TV ou menso um filme, com doses justas de ação, thriller e erotismo para que passamos em um excelente momento de leitura entre suas páginas.

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