Review | Pax, de Sara Pennypacker

É dificil falar de um livro que mexe com tantas emoções com tão poucas páginas. Pax é um livro publicado pela Editora Intrínseca, da autora Sara Pennypacker. Em uma edição linda, com imagens que remetem à narrativa do livro e capa dura, a Intrínseca nos entrega uma história tocante e comovente.

Pax não é meu estilo de leitura e, graças ao projeto Livro Viajante do Clube do Livro BH, esse livro chegou nas minhas mãos e me tirou da zona de conforto de tal forma que, mesmo depois de dias do final da leitura, ainda me pego pensando no livro.

Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas.

Alternando perspectivas para mostrar os caminhos paralelos dos dois personagens centrais, Pax expõe o desenvolvimento do menino em sua tentativa de enfrentar a ferocidade herdada pelo pai, enquanto a raposa, domesticada, segue o caminho contrário, de explorar sua natureza selvagem. Um romance atemporal e para todas as idades, que aborda relações familiares, a relação do homem com o ambiente e os perigos que carregamos dentro de nós mesmos.

Pax emociona o leitor desde a primeira página. Um mundo repleto de sentimentos em que natureza e humanidade se encontram numa história que celebra a lealdade e o amor.

Pax conta a história do menino Peter, um garoto de 12 anos que teve que abandonar sua raposa porque ia se mudar, e Pax, a raposa que cresceu com o menino. Cada capítulo conta alternadamente as coisas que aconteceram depois da separação, e de como os dois lutam para sobreviver e se reencontrar.

A escrita do livro é simples e fácil, o que torna a leitura bem rápida a muito prazerosa. Ao ler esse livro tive diversas vezes a atitude de todo leitor: só mais um capítulo, o que me fez devorar o livro em pouco tempo.

Ela dizia que, por pior que fiquem as coisas, sempre podemos nos renovar.

É difícil saber qual parte é mais impactante, pois tanto Peter quanto Pax aprendem de formas diferentes os valores de família e amizade, e que família não necessariamente é aquela de sangue. E, mesmo assim, por mais que as pessoas pareçam distantes, existe um universo dentro delas que não entendemos.

Muitas coisas boas vêm da raiva que sentimos por coisas ruins, muitas injustiças são consertadas assim. Mas primeiro temos que conseguir controla-la.

Peter é um menino doce, com traumas do passado, que, por causa disso, evita se abrir e aceitar quem é e o que fez. Quando ele vai revelando isso aos poucos no livro, nossa simpatia por ele vai aumentando a cada página. Peter é uma criança entrando na adolescência em um período de guerra onde, antes mesmo da guerra, ela já tinha perdido muito de si.

Você é humano, e humanos sentem raiva.

A jornada de Pax com Miúdo e Arrepiada é linda, e, de forma sutil, a autora Sara Pennypacker consegue nos mostrar as consequências da guerra na vida das pessoas. Chega a ser quase irônico como um mesmo acontecimento, com personagens claramente distintos, mostram aos nossos protagonistas que é preciso ter forças para lutar e seguir em frente. Além disso, o livro trata sobre as consequências da guerra na vida das pessoas e dos animais, onde muitos são abandonados e outros tantos tem seus lares invadidos por homens que trazem a doença da guerra. Pax nos leva a refletir tanto nas relações interpessoais, nas relações entre humanos e animais e na relação entre o humano e a natureza.

Pax é um livro maravilhoso, com uma lição de vida linda e que nos mostra que, por mais longe que estivermos de um amigo de verdade, a amizade e o amor será intenso (detalhe que essa é apenas uma das lições do livro). Recomendo demais a leitura para quem gosta de ler livros assim e para quem, assim como eu, não tem o hábito de ler livros com essa temática.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here