Review | Os Últimos Dias de Pompeo

A palavra que melhor poderia definir esta obra de Andrea Pazienza é intensidade, após muitos anos do seu lançamento, essa graphic novel chegou em terras brasileiras no final de 2016, 30 anos após seu lançamento na Itália e 60 anos após a morte do seu criador, a vida e morte de Pazienza é confundida em muitos aspectos com a do próprio Pompeo, o autor foi encontrado morto devido a uma overdose de heroína, em sua casa em Montepulciano, na região da Toscana.

Com uma narrativa como se fosse um diário, que se une a arte de um modo impressionante, os textos fazem parte dos desenhos, hora mais realistas, em outros momentos mais caricatos e com um traço sujo, uma ambientação que se transforma a leitura, junto com dia a dia de Pompeo em uma montanha russa de sensações, entramos de cabeça na psique do personagem, nas neuras e nas satisfações de seus vícios.

O que temos aqui é uma profunda análise da existência de um gênio viciado em heroína, um testemunho dos males das drogas e de até onde se pode chegar para conseguir um “pico” como ele mesmo diz em vários momentos, e é exatamente aqui que vemos a intensidade que suas ideias surgem, temos uma leve noção de como funciona a mente frenética de um artista como Pazienza, a impressão em alguns momentos era que ele estava tentando dizer justamente isso, que ele estava em uma jornada para o fim que poderia finalmente silenciar sua mente atormentada.

Pompeo transpira arte, vive a arte, intensamente como ela é, visceral, real e em constante mutação, que era exatamente o que Pompeo e Pazienza buscavam, a mudança, a busca por um caminho, que chega de um modo que talvez poderia ser evitado, mas que pode ser visto também como a procurada transição/mudança.

A impressão que fica ao fim da leitura é que mentes geniais como a de Pazienza almejam uma calma que nunca encontram, uma paz que não chega, uma calmaria que só será alcançada no momento final da vida, tivemos vários exemplos de revolucionários como ele, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, apenas para citar alguns e para relacionar a intensidade de vida e de sentido criativo.

Enfim, uma HQ que merece ser lida por todos, a Veneta fez um belo trabalho em trazer um gênio do nível de Pazienza em um belo acabamento em capa dura e formato de respeito com 28,6 x 21,6, como merecia o autor, mas já fica o aviso, não é bonito e também não é fácil, mas é uma jornada inesquecível.

REVER GERAL
nota
9,5
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Músico, ator e viciado em tudo que rodeia a sétima arte, colecionador de livros e HQ’s em excesso algumas vezes.

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