Review | Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid

Fácil amar e odiar Evelyn Hugo. Difícil julga-la. Só lendo pra saber

Os sete maridos de Evelyn Hugo de Taylor Jenkins Reid lançado em abril pela Tag Inéditos causou um pequeno alvoroço no meio literário.

De repente diversas pessoas começaram a comentar o livro, o que logo aguçou minha curiosidade, mas confesso que a sinopse do livro não me chamava muito a atenção. Parecia simplesmente mais um chick lit, algo que não é meu tipo de leitura.

Ao ler a sinopse, imaginei que encontraria um livro no estilo dos antigos Best Sellers de Harold Robbins, Sidney Sheldon ou Daniele Steel.

Mas como eu estava enganado!!

Estamos no século XXI, e Taylor Jenkins Reid é uma autora completamente “antenada ” ao seu tempo, então temos neste livro um plot twist totalmente conectado aos tempos atuais.

Em Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, a autora discute relacionamentos abusivos, machismo, homossexualidade, o poder da mídia, a indústria de entretenimentos, a indústria da fofoca e outros tópicos em um livro que na realidade é uma grande estória de um amor quase impossível.

Os sete maridos de Evelyn Hugo de Taylor Jenkins Reid é um romance sensacional, como há tempos eu não lia.

Evelyn Hugo é uma lendária estrela de cinema da velha Hollywood. Hoje com 79 anos, ela vive reclusa e há tempos ninguém tem noticias de sua vida.

Algo muito diferente de sua época de ouro em Hollywood, onde ela sempre foi noticia, seja por seus papeis relevantes para uma mulher, mas principalmente devido a sua agitada vida amorosa e seus diversos casamentos.

Evelyn não tinha medo de ousar. Em plena década de 60 realizou filmes onde aparecia seminua e foi uma das primeiras mulheres a representar uma personagem feminina que sentia prazer sexual. Ícone feminina do cinema, chegou até a ganhar um Oscar.

Após anos de reclusão, Hugo volta a ser noticia quando decide doar diversos vestidos que usou em diversas festas e cerimônias durante seu tempo áureo em Hollywood para um leilão beneficente em prol de  pessoas com câncer.

Muitas revistas gostariam de entrevista-la, e o máximo para uma publicação, seria ter uma capa com Evelyn Hugo.

Mas é ela que entra em contato com uma importante revista de entretenimento e pede que uma repórter específica vá a sua casa.

A escolhida chama-se Monique Grant, que não entende o porquê da escolha, já que na revista em que trabalha, é uma repórter do baixo escalão, pois está ali há pouco tempo e até hoje não teve nenhum texto relevante publicado.

Ela vai à casa de Evelyn e lá é mais uma vez surpreendida:

Evelyn não quer ser entrevistada por Monique. Ela quer lhe contar sua vida e pede a Monique dedicação exclusiva para que esta escreva e publique sua única biografia autorizada, porém esta biografia só poderá ser publicada quando ela estiver morta.

Evelyn diz a Monique que vai lhe contar toda a verdade sobre sua vida, e não aquilo que foi publicado em tabloides durante toda a sua vida. Aquela vida vista nos tabloides sempre foi a vida que Evelyn queria que as pessoas conhecessem, não a realidade.

Todo mundo que eu amei já morreu. Não tenho mais ninguém a quem  proteger. Ninguém mais por quem mentir, a não ser por mim mesma. As pessoas sempre acompanharam de perto os detalhes mais intrincados da minha falsa história de vida. Mas não é… Eu não… Quero que elas conheçam a verdadeira história. Quem eu sou de verdade.

Monique, mesmo sem entender o porque, percebe ali a chance de sua vida, e decide embarcar nesta aventura, para conhecer aquela mulher enigmática.

Evelyn conta sua estória desde o inicio, como filha de cubanos, que precisou mudar seu sotaque, seu nome e até seus cabelos para poder ser aceita em Hollywood.

Os assédios sofridos, seu primeiro amor, mas em uma relação abusiva e os casamentos por conveniência que foi realizando ao longo de sua vida para se manter sempre relevante em Hollywood.

Mas existe uma pergunta cuja resposta é a mais difícil:

Quem foi o grande amor de Evelyn Hugo?

O mais interessante desta personagem é que ela não é binária.

Ali não existe somente certo ou errado. Existem camadas.

Evelyn Hugo é errática como um ser humano. Muitas das atitudes que ela tomou na vida para proteger a si e ao seu amor com certeza não foram corretas, mas como julga-la, se logo percebemos que faríamos a mesma coisa?

O ser humano tende sempre a autopreservação!

É importante frisar o talento para a escrita de Taylor Jenkins Reid. A estória de Evelyn Hugo é tão real e palpável que muitas vezes me peguei indo ao Google pesquisar fotos ou noticias sobre aquelas pessoas descritas no livro. Diferente de outros livros que misturam personagens reais com personagens fictícios, aqui nada é de verdade, mas é difícil se lembrar disso durante a envolvente leitura. Para mim já tornou-se obrigatório ler todos os livros desta autora.

A Evelyn Hugo criada aqui foi uma mulher extraordinária, mas diferente da vida dos tabloides, sua vida foi sempre uma grande incerteza, já que sempre precisou escolher entre viver seu grande amor ou manter sua carreira, em uma época cheia de preconceitos e onde a mulher tinha pouca voz. E é difícil não se emocionar com a estória de sua vida.

No final, a autora nos traz uma conclusão extremamente honesta, onde podemos não concordar com as atitudes, mas facilmente conseguimos compreender.

E é triste ver como o tempo perdido não retorna mais.

Ninguém merece nada .É simplesmente uma questão de quem está disposto a ir e pegar…então seja honesta sobre isso. Ninguém é apenas uma vítima ou um vencedor. Todo mundo está em algum lugar no meio. As pessoas que andam por aí se lançando como uma ou outra, não estão apenas se enganando , mas também são dolorosamente pouco originais.

Pergunto-me se o mundo precisava, naquela altura, conhecer toda aquela história.

Mas no fundo sinto que Evelyn simplesmente precisava falar.

E ainda bem que eu estava aqui para ouvi-la.

Puxe uma poltrona, sente-se na sala e venha escutar o que ela tem a dizer, mas prepare-se, nem tudo será cor de rosa, mas com certeza Evelyn irá te tocar.

Quando se escava um pouquinho abaixo da superfície, a vida de qualquer um pode ser original e interessante, cheia de nuances e impossível de encaixar numa definição fácil”.
Uma relação íntima de “alma gêmea”, não necessita de sexo, ou sexualidade, paixão. O amor é maior que isso, é cumplicidade, amizade, confiabilidade, proteção.
O amor é sentido e não explicado, é simples e complexo, é a verdade , é paz. E desejar ter esta companhia para o resto da vida.

Pela noticias encontradas na internet, este livro será lançado a todo o mercado pelo selo Paralela da Editora Cia de Letras até o final do ano, mas não consegui confirmar a data.

Esteja preparado para adquiri-lo e conhecer Os Sete Maridos de Evelyn Hugo.

E você, já leu este livro ou algum outro desta autora? O que curtiu mais?

Vamos conversar nos comentários.

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