Review | Os melhores contos de fadas Celtas

Review | Os melhores contos de fadas Celtas

O livro Os melhores contos de fadas Celtas foi minha primeira aquisição da Editora Wish, através de campanha feita pelo site catarse. Além disso, foi também o primeiro livro que li publicado pela editora. Na época da campanha esse livro teve um hype enorme e hoje volto para falar sobre minha experiência de leitura.

Contos de fadas Celtas – vou abreviar o nome a partir de agora – é uma curadoria composta por 24 contos e baladas e uma novela extra. Antes mesmo de começarmos as histórias, há uma breve descrição de todos os autores presentes o livro e suas obras, o que já aguça a minha curiosidade de leitora para saber o que virá a seguir. Depois, temos um prefácio incrível do professor Alexander Meireles, onde ele explica um pouco sobre os celtas e sua cultura. Confesso que, se o livro todo fosse uma extensão desse prefácio, estaria nas nuvens!

Ao contrário do que se comumente imagina, os druidas não se constituíam como um grupo único. Eles se organizavam em três classes com funções que por vezes se sobrepunham (…)

Após o prefácio que ganhou meu coração e minha atenção, começamos a parte dos contos e baladas. Sei que falar de um por um aqui ficaria um texto muito grande e talvez você leitor pudesse perder o interesse, então prefiro resumir e falar dos contos que eu mais gostei.

Os melhores contos de fadas Celtas – Editora Wish
Foto da Editora

O conto O lobo-cinzento foi escrito por George MacDonald e é aquele tipo de história que tem uma pegada mais aterrorizante, perfeita para se ouvir ao redor da fogueira em uma noite de céu estrelado. O conto traz a história de um jovem estudante inglês que, ao receber abrigo de uma velha senhora, não sabia que estaria correndo perigo dentro da casa onde estava abrigado.

Lis amarela foi o melhor conto entre os cinco primeiros que li. Escrito por Laure Claire Foucher e Herschel Williams, temos a história do príncipe de Erin, que é um cabeça oca por apostar com o gigante de Loch Lein e acabou perdendo a própria cabeça. No final das contas, o príncipe consegue se salvar com a ajuda de uma das filhas do gigante. E, já para deixar adiantado, a maioria das histórias são os personagens principais masculinos fazendo algum tipo de besteira e as mulheres concertando ou ajudando a concertar.

O caçador de focas e o sereiano escrito por Elizabeth W. Grierson foi um dos contos que mais me tocou. Ele fala sobre arrependimento sincero e até mostra uma recompensa por mudança de atitude, já que o caçador de focas entendeu que o seu ofício acaba com a vida de seres que, no fim, o ajudaram. Além disso, recordei dos meus estudos de história onde os marinheiros, quando começaram a desbravar o mar, confundiam focas e leões marinhos com sereias – e sabemos hoje que as focas são os cachorros do mar.

O dragão relutante, mesmo já estando quase no meio do livro, foi o conto que me fez sentir saudades da infância, onde consegui ver ali em conto de fadas mesmo. Escrito por Kenneth Grahame, aqui temos a história de um dragão que queria ficar tranquilo em um lugar só dele, sem correr risco de ser atacado e morto por ser um dragão. Um menino acaba o encontrando e ajuda o dragão a sair de várias enrascadas, inclusive a orquestrar uma falsa luta com São Jorge.

O amante que feriu pode ter esquecido,

Quem não esquece é o que foi ferido

Conto O gatinho branco

A dama da fonte foi um conto que me deixou mais revoltada do que feliz. Por que? Porque da história tivesse ficado quieto com o rei Arthur sem procurar briga com quem nem conhece, o marido da Dama da fonte não teria morrido, ele não teria ficado distante da sua corte e não teria problema nenhum na vida.

O conto Princesa Finola e o anão destoou um pouquinho dos heróis que estavam me fazendo raiva nos contos anteriores. Aqui não temos um príncipe indo atrás de sua amada e que se apaixonou a primeira vista ou fazendo alguma aposta estúpida. O anão protagonista se apaixonou por Finola depois de vê-la várias vezes, e esse amor era tão forte que ele estava disposto a perder os próprios olhos para libertar sua amada.

E, finalizando (enfim) temos a noveleta A princesa leve. Tinha começado o conto com certa raiva da princesa e com muita raiva da tia invejosa que amaldiçoou a menina. Mas a história vai conquistando aos poucos e terminei sorrindo o livro.

E assim os príncipes fogem para seguir seus destinos. Desse modo, eles tem vantagem sobre as princesas, que são obrigadas a se casar antes de terem um pouco de diversão. Eu gostaria que nossas princesas se perdessem numa floresta de vez em quando.

Enfim, Contos de fadas Celtas é incrível, com uma edição maravilhosa em capa dura, cheio de ilustrações que fazem com que entremos mais e mais na história. E a lição que fica é: não deixe nenhum ato de heroísmo na mão de homens que se dizem heróis ou que falam que estão apaixonados. Vai te poupar tempo e trabalho.

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