Review | O sol mais brilhante, de Adrienne Benson

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Mulheres Massai

E em maio, mês das mães, a Tag inéditos nos levou à uma incrível viagem na Àfrica. E lá, conhecemos três mulheres muito diferentes uma da outra e interessantes. Leona, Simi e Jane.

Leona é americana e antropóloga, ama sua liberdade e seu trabalho. Foi até a Àfrica com o objetivo de conhecer melhor a cultura africana, mas precisamente dos nativos massais. Lá, conhece Simi, uma nativa da aldeia, e surge uma simpatia e uma amizade natural entre as duas. E seus destinos se cruzarão para sempre através da força da maternidade.

Leona veio de uma família disfuncional, que lhe dava pouca atenção.Sempre se sentiu só e sofreu algumas coisas durante a infância (que não vou contar aqui para não dar spoilers). Então ela não planejava ter filhos. Queria ser livre. Mas uma noite em uma ida ao bar local acaba conhecendo Jonh, um Queniano branco, após alguns drinks e depois desse encontro casual, acaba concebendo uma filha. Tudo o que ela não queria.Um fruto de uma relação que ela não queria continuar. Leona é independente e desprendida e adora seu trabalho. Um filho, não caberia nessa equação.

Simi, por sua vez, é o oposto. A nativa Massai carrega consigo a dor e o infortúnio de não conseguir ser mãe. Na Maniatta (um tipo de aldeia africana) todas as esposas de seu marido já lhe deram filhos, menos ela. Na cultura Massai, uma mulher sem filhos é desafortunada. As que são férteis e mães , tem o respeito, o valor e um lugar na comunidade Massai. Simi após vários abortos espontâneos se sente profundamente triste. Sendo amiga de Leona, ela ama a filha da amiga como se fosse sua própria. Adia nasce e acaba tendo duas mães tão diferentes. Uma americana, e uma Massai. Uma complementa a outra. Uma lhe dá a liberdade, e a outra todo amor que uma mãe deve ter por um filho. Adia cresce com o espírito da Savana, foi criada uma boa parte na aldeia por Simi. Sua mãe, por vezes é ausente. E Adia sonha em conhecer o pai, que nunca teve a chance de ver. Pois Jonh, foi impedido por Leona, de participar da vida da filha.

Por fim aparece Jane, Esposa de um embaixador. Ela também vem de uma família desajustada. Passou pelo luto, pela perda, tem um irmão com problemas mentais e tem medo que seja hereditário. Teme que tenha um filho com a mesma condição. Ela também engravida e nasce Grace, que será amiga de Adia e terá a chance de conhecer outra cultura, quebrar os preconceitos e fortalecer uma amizade com alguém tão diferente dela mesma.

Simi também carrega o peso de ser mulher. Teve sonhos que lhe foram tirados, gostaria de estudar e não conseguiu.  Foi uma mulher bem criada pela mãe, uma muljher que recebeu bons conselhos . Enxerga outros horizontes. Quer que Adia e as outras tenham todas as oportunidades que ela não teve. É uma mulher sábia e admirável.

Uma narrativa emocionante e mancante sobre maternidade, empoderamento feminino, cultura africana, amizade e etnia.  Um mergulho profundo no coração de toda mãe. Uma espiada nas escolhas mais íntimas de uma mulher.

Minha personagem preferida foi Simi. Sua história, sabedoria, sua força. Foi uma mãe de coração. Não gerou seus filhos. Não saíram de seu  ventre, mas amou e se doou a todas  as crianças em que se propôs cuidar e amar. Senti muita falta de um protagonismo maior para ela no enredo. Foi a parte que mais me encantou.

A maternidade e seu poder. As mulheres e suas difíceis escolhas. Algumas errando tentando acertar. Todas lidando com o medo e a responsabilidade que é trazer alguém ao mundo e ser responsável por uma pessoa que depende você. Se vai dar conta. Se vai fazer tudo certo, se fará escolhas assertivas. A certeza é que a maternidade é uma força da natureza. Um filho é a melhor parte de nós. Criamos, ensinamos a voar e um dia eles vão embora. E a gente espera.

 

Por que filho é barco.

Mãe é cais.

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