Review | O Príncipe Cruel, de Holly Black

Review | O Príncipe Cruel, de Holly Black

Arquivo Pessoal

Já começo essa resenha falando que, se você, leitor, é fã de fantasia, O Príncipe Cruel é a leitura certa para você. E não se engane por fanarts que se vê por aí, o livro vai além disso.

O Príncipe Cruel é um livro da autora Holly Black publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Ainda que o livro se chame O Príncipe Cruel, a personagem principal é a Jude, uma humana que foi sequestrada junto com a sua irmã gêmea pelo pai da sua irmã mais velha, que é um importante general do Reino das Fadas. O livro começa nos contando sobre esse sequestro de Jude e das irmãs no passado, e depois a história foca nela já mais velha, convivendo diariamente com as criaturas mágicas, e sendo humilhada pelo príncipe Cardan e seus amigos sem nenhum motivo aparente.

Jude quer se tornar uma cavaleira de um dos príncipes (não Cardan, que esse ela mataria se pudesse) para poder ser reconhecida como igual pelos seres do Reino das Fadas e até mesmo ganhar algum tipo de poder. Não é uma personagem que posso defender com unhas e dentes, pois tem várias questões dentro da história que a tornam uma personagem de carater questionável, além de toda a questão de que ela pode ter Síndrome de Estocolmo em relação à Madoc, pois ele a sequestrou e, ainda assim, ela tem certo respeito por ele e vontade de permanecer no Reino nas Fadas.

O que eles não sabem é que sim, eles me dão medo, mas ei sempre senti medo, desde o dia em que cheguei aqui. Fui criada pelo homem que assassinou meus pais, cresci em uma terra de monstros. Convivo com este medo, deixou que se assente nos meus ossos e o ignoro.

Jude, depois de passar por maus bocados com seus perseguidores e enfrentar Cardan em um torneio, acaba sendo recrutada pelo príncipe Dain para ser uma espiã e fazer parte de sua corte secreta, a Corte das sombras. Jude recebe várias missões para se infiltrar nas cortes dos outros príncipes e acaba entrando em um jogo político perigoso que ela sequer considerou existir.

Jude é uma personagem poderosa, que, sendo humana, tem sentimentos e vontades humanas como raiva, desejo de vingança, tristeza, inveja e medo. A cada página virada, ficamos ávidos a entender mais sobre o jogo político do Reino das Fadas e de como Jude tenta fazer de tudo para ser aceita. Jude é uma personagem falha, que comete erros, que tem medo mas que, acima de tudo, é extremamente inteligente e sabe usar seu intelecto e a capacidade de mentir (fadas não mentem) para conseguir as coisas a seu favor.

_Estou cansada de me importar. (…) Por que deveria?

_ Porque eles podem matar você!

_É melhor que matem. (…) Porque qualquer coisa menor do que isso não vai dar certo.

Cardan, o personagem que passou a ser protagonista junto com Jude na segunda parte de O Príncipe Cruel é um personagem muito bem desenvolvido também. Ele não muda a sua personalidade depois de um ponto de virada na história, o que acontece em alguns livros do gênero. Cardan continua cruel e egoísta, mas começamos a entender porque ele é assim, e o que interessava a ele viver de tal modo.

Sobre o romance que muitas fanarts que aparecem por aí, ele não existe. Há atração entre alguns personagens, mas nada que justifique tantas fanarts com tanta cara de romance. Esse primeiro livro é bem mais voltado para a parte da fantasia e do mundo onde Jude e Cardan vivem, não a um romance.

O Príncipe Cruel foi uma das melhores fantasia que li em 2020, e já estou com O rei perverso para ler também. Um livro recomendadíssimo para os fãs de fantasia.

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