Review | O Irlandês de Charles Brandt

Narrativa pesada para uma história importante

O Irlandês (Os Crimes de Frank Sheeran a serviço da Máfia), de Charles Brandt lançado em 2016 no Brasil pela Editora Seoman é o livro que deu origem ao filme O  Irlandês  dirigido por Martin Scorcese para a Netflix e que vem sendo recebido pela critica como o filme do ano.

O Irlandês relançado com a capa do filme
O Irlandês relançado com a capa do filme

Antes de ver o filme, resolvi ler o livro que está sendo relançado com a capa do filme e confesso que para mim foi uma leitura pesada, o que me parece explicar a longa duração tão comentada do filme, que possui 3,5 horas.

Charles Brandt é um ex-investigador que decidiu escrever livros. Este é seu livro de maior sucesso, e nos EUA chama-se I Heard You Paint Houses, ou em tradução literal, Eu Ouvi Dizer Que Você Pinta Casas.

O Irlandês conta a história verídica de Frank Sheeran e é uma aula de história sobre o século XX nos EUA. Mas não é a aula ensinada nas escolas.

Frank Sheeran nasceu nos EUA pouco antes da Depressão de 1924. Filho de mãe sueca e pai irlandês, foi criado como católico.

Frank Sheeran - O Irlandês
Frank Sheeran – O Irlandês

Desde criança sempre foi muito alto e forte, e como sua família era pobre, seu pai o usava para pequenos delitos como roubar plantações ou quando mais velho, participar de lutas, onde seu pai fazia apostas em seu próprio filho.

Com o inicio da Segunda Guerra Mundial ele se alistou e participou de um dos pelotões que esteve mais tempo em batalhas, e é ai que aprendeu a matar seguindo ordens, ou como ele diz, a “fazer o que tinha de fazer”.

Ao voltar da Guerra, tenta viver uma vida normal. Casa-se, tem diversos sub empregos ( a luta com o Canguru é impagável)  até que  começa a trabalhar como motorista de caminhão entregando carnes.

Russell Bufalino
Russell Bufalino

Porém logo percebe que pode ganhar mais dinheiro dando alguns golpes e é assim que conhece Russel Buffalino, um dos maiores mafiosos dos EUA.

Russel logo o apadrinha, e começa ali uma duradoura relação de amizade e confiança, permitindo que diversas vezes Russ salve sua vida.

Aos poucos Frank começa a trabalhar para Russ.

Como eles dizem: Russ precisa de “alguém que pinte casas”.

De repente, Frank percebe que tem o talento para isso.

Ele “ pinta casas”, “faz carpintaria” e além disso ainda tem a característica mais importante para aquele “mercado de trabalho”: a Fidelidade!

Jimmy Hoffa, o sindicalista envolvido com a Máfia
Jimmy Hoffa, o sindicalista envolvido com a Máfia

Através de Russell, Frank vai conhecendo pessoas cada vez mais importantes e um deles é Jimmy Hoffa, o criador do maior sindicato que já existiu nos EUA, o sindicato dos caminhoneiros.

Eu não conhecia direito a história de Hoffa, mas ao ler o livro dá para perceber a sua importância para o mundo, pois parece que ele simplesmente criou os sindicatos nos EUA.

E assim, Charles Brandt vai nos descrevendo a historia dos EUA no século XX.

É incrível ver o poder que a Mafia Italiana tinha naquele país.  E também é muito interessante ver a criação e o crescimento dos sindicatos, e as guerras de poder existentes entre seus lideres, sempre com a desculpa de um bem maior.

Em tempos de  Bolsonaro é difícil não associar as  máfias descritas nos livros com as milícias que seguem governando diversos estados brasileiros.

E em tempos de Lula é difícil não ler as tramóias de Jimmy Hoffa e não associar com a força e o poder alcançados pelo PT em nosso país.

Abalar uma empresa é tarefa fácil quando você dirige um comitê local. Todo mês, você recebe uma determinada quantia dos patrões, por debaixo dos panos, para assegurar que haja paz laboral. Se você não é pago, parece surgir sempre um problema atrás de outro para os empregadores. O pobre trabalhador sindicalizado é apenas um peão nesse jogo.

Se Hoffa ainda fosse vivo, com certeza seria amigo de churrasco de Lula. O populismo e o egocentrismo de ambos  é muito parecido.

O livro fala sobre amizade e honra, mesmo que seja por um viés completamente torto.  Até onde uma pessoa vai com sua palavra.

Frank desde o inicio tratava aquilo como um trabalho, até que um dia foi obrigado a tomar uma decisão que moldou a sua vida até o final.

– De todo modo, espero que você tenha tido um voo agradável, meu amigo irlandês. – E eu espero que você tenha tirado uma soneca agradável – disse eu. 

Mas é no relato histórico que o livro tem sua força.

É incrível descobrir que do assassinato de Kennedy ao desaparecimento de Hoffa, passando pela criação de Fidel Castro, tudo nos EUA no século XX teve relação com a máfia italiana instituída e institucionalizada nos EUA.

E o livro mostra também como o dinheiro dos sindicatos foi importante para isso.

Mas o que é um trunfo acaba trazendo um peso para a leitura, pois parece que o autor não lapidou nada da historia real.   Próximo de sua morte, Frank Sheeran decidiu contar sua historia, e parece que Charles Brandt ficou tão aficionado com as verdades recebidas que esqueceu de editar suas entrevistas.

Eu fiz um Inferno, por oitenta e três anos, e chutei algumas bundas, também; foi isso o que eu fiz

Frank foi O Irlandês durante muitos anos e fez parte de muitos fatos históricos, porém o autor quer que conheçamos diversos outros crimes cometidos por ele, o que acaba deixando o livro um pouco cansativo.

Outro ponto dificultador também é a quantidade de nomes de mafiosos.

Difícil saber quem é de qual família, de qual cidade e de qual sindicato, pois haja mafiosos!

Uma enxugada no texto faria muito bem a obra. Ou mesmo um gráfico, indicando os nomes, parentescos e clãs ajudaria.

Como demorei quase 20 dias para ler o livro, muitas vezes já nem me lembrava de quem ele estava falando.

Mas se você curte livros sobre a máfia, biografias ou romances históricos pode embarcar na leitura pois com certeza irá curtir.

Ao terminar o livro fica a pergunta no ar:

Quem manda nos EUA hoje?

A história nos conta que em Nova York,  Rudolph Giuliani instituiu o Tolerância Zero com os criminosos, o que parece ter acabado com o crime organizado da cidade.

Mas e o resto do país??

Cuidado com as perguntas que fizer, pois pode ter sua “casa pintada“.

Com certeza uma historia a ser conhecida.

Agora vou ver o filme, que parece ter feito as lapidações que o texto pedia.

E você, curte historias sobre mafiosos?  Qual sua favorita. Indique para nós.

E sobre O Irlandês, já leu o livro ou viu o filme na Netflix? O que achou?

Também percebeu comparações com a nossa realidade?

Vamos conversar nos comentários.

E não se esqueça que temos muitas outras indicações, clique aqui e conheça um pouco mais.

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