Review | O Homem que Ri, de Victor Hugo

Quando a sombria porta se entreabre, crer é difícil, não crer é impossível.

É icônico, melancólico, filosófico, profundo e intrigante. Com todos estes adjetivos apresentaremos singelamente a obra do grande escritor francês Victor Hugo escrito em 1869. Conheça a nova edição trazida pela editora Martin Claret de O Homem que Ri. Mais uma grande indicação do Mundo Hype aos apaixonados por literatura.

Se tem uma coisa no mundo que choca qualquer pessoa, é a maldade com crianças. Seres puros, inocentes, desprovidos de malicia e vulnerável por questões naturais. Não merecem a maldade do mundo. Pensando nesse incomodo, o escritor apresenta a história do pequeno Gwynplane e suas desventuras em um tempo cruel nos arredores da Inglaterra do século XVII.

Nos tempos monárquicos, existiam os comprachicos (uma quadrilha de traficantes de crianças, famosos no submundo europeu). Com a troca dos reis e novas regras, os criminosos se viram sem saída e foram aos poucos abandonando a Inglaterra. Por uma artimanha do destino o pequeno Gwynplane foi “abandonado” ou melhor ”excluído abruptamente” da Nau que tais traficantes usaram para fugir, deixando assim um menino sozinho no mundo, sem comida, sem roupa, sem ninguém… Só o que lhe sobrou foi a coragem. Desbravou o desconhecido, enfrentou a tempestade de neve e a solidão, acolheu outra criança no caminho, ainda recém nascida a pequena e cega Dea, teve a sorte de ser arrebatada da neve. Por fim ambos foram acolhidos por uma boa alma o sábio Ursus e seu fiel amigo Homo (o lobo).

Neste ínterim os pequenos Gwynplane e Dea foram criados pelo velho filosofo Ursus, dada as circunstancias da vida, aprenderam tudo que precisavam, sobreviveram e formaram um família não muito tipica para a época. Ursus com toda sua sabedoria soube aproveitar bem as ferramentas que o destino havia colocado em seu caminho, e desenvolveu apresentações teatrais ao publico. Suas indagações sobre as desventuras da vida, utilizando como atores principais, Dea com sua cegueira e pele alva e o Gwynplane com seu rosto desfigurado. Resultado este de uma cirurgia maldosa que aos poucos se esclarece na estória.

O que se faz contra uma criança se faz contra Deus. 

Seu sorriso infinito causa aflição, desespero, a mascara que nubla sua alma e seus sentimentos causa incomodo e arranca risos de quem o vê. Algo bestial, as pessoas se assustam, se intimidam, mas não se compadecem. Com isso, o pequeno porém agora grande Gwynplane, se torna uma sub-celebridade e suas apresentações teatrais fazem sucesso na pequena vila onde mora. Seu sorriso é constante, mas sua alma infeliz.

Victor Hugo

O autor não só desenvolve uma história intrigante apenas pelo plot, como monta basicamente um tratado de revolta as grande injustiças da vida e a politica dos homens. Ao passo que acompanhamos o “homem que ri” nos deparamos com uma verdadeira denuncia e relato dos acontecimentos da época. Os tempos da monarquia não eram fáceis para o povo. Os reis, rainhas, lordes e titulares de alto nível gozavam de tudo que a vida tem de melhor, enquanto a máquina chamada povo, se alimentava do que sobrava (não muito diferente de hoje). Com isso acompanhamos as injustiças com o coração na mão, pois a lei é a lei e ponto final.

O Anjo da guarda da mulher é a consciência do homem que ama.

O romance de Gwynplane é lindo, puro, verdadeiro… causa incomodo de tão nobre. É um verdadeiro exemplo de amor genuíno desperta sentimentos bons.  O livro apresenta divagações intermináveis, discursos longos de irá e revolta, seguidos de calmaria e consciência. Perguntas retóricas que fazem o leitor criar mais empatia com o cenário apresentado e torcer para que o final feliz chegue para aquela equipe formada pela tragédia.

O livro não é apenas um drama, é melancólico e indigesto. Gwynplane merece ser feliz, mas tudo parece ser sempre difícil. Por mais extenso que seja o livro, é um plot rápido (mesmo devido ao nível de detalhamento de algumas cenas), mas nem por isso se torna menos interessante.


Referências

Jerry Robinson foi o criador do personagem Coringa, (arqui-inimigo do herói Batman nos quadrinhos), frente a base de criação para o personagem. Jerry admitiu ter desenvolvido a aparência do Coringa baseando-se no Homem que Ri. Mas não se empolgue, a influência do personagem se basta apenas na aparência, já que Gwynplane é plenamente consciente de sua condição e possui uma alma boa, enquanto Joker é insano e se considera realmente um agente do caos. Ambos com uma história trágica, o que difere é o que cada um fez com isso.

O livro O HOMEM QUE RI, teve duas adaptações cinematográficas. Uma em 1928 e outra em 2013, história abreviada e adaptada para as telonas, mas apresenta a mesma essência e critica ferrenha que Victor Hugo gostaria de apresentar ao grande público.

O HOMEM QUE RI - VICTOR HUGO - MUNDO HYPE
O Homem que Ri, adaptação cinematográfica de 1928 (Dinamarca)

O HOMEM QUE RI - VICTOR HUGO - MUNDO HYPE
O Homem que Ri, adaptação cinematográfica de 2013 (França)


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