Review| O céu da meia noite , de Lily Brooks – Dalton

Review| O céu da meia noite , de Lily Brooks – Dalton

 “Alô , alô Marciano. Aqui quem fala é da terra”.

O mundo está prestes a acabar, uma catástrofe está perto de acontecer, a missão no ártico está encerrada e a força aérea está evacuando a área mas Augustine, um cientista renomado se recusa a deixar o observatório de Barbeau. A advertência é clara: Não haverá viagem de volta. Não terá uma segunda chance dele deixar o Ártico. Na outra extremidade está Sullivan, ou Sully, uma astronauta que está com sua tripulação sem contato com a terra desde que voltaram de uma missão em júpiter, ou seja, há mais de um ano. Na terra ninguém responde, nunca mais conseguiram contato com ninguém. A tripulação tenta se manter tranquila e ativa, jogam cartas, se exercitam, pesquisam, procuram um jeito de se manterem sãos e  voltarem para casa. Algo que parece muito distante, já que não sabem ao certo o que pode ter havido no planeta. Todos eles tem saudades de casa, saudade da família, cada um vive com a sua dor e a sua solidão de estar a tanto tempo longe da terra, da família e das pessoas que amam.

Augustine também se vê velho, cansado e sozinho no frio congelante do Ártico, exceto pela companhia de Íris, uma criança que foi deixada para trás. Uma preocupação a mais para Augustine, que abriu mão da mulher que amava e até da própria filha em nome da ciência. O que ele vai fazer isolado num observatório no Àrtico e se sentindo responsável por uma menina? Que jamais irá à escola, jamais terá amigos, jamais terá uma vida normal? Ele se questiona e teme por isso.  O que será dela quando ele próprio partir? Nos dias mais felizes, Auggie se sente grato pela companhia de Iris. A única que lhe resta.

” Nós estudamos o universo para saber das coisas, mas no fim das coisas a única coisa que sabemos de verdade é que tudo acaba…tudo, exceto a morte e o tempo. É difícil ser lembrado disso…mas é mais difícil esquecer”

Cada dia mais preocupado e solitário, Augustine resolve preencher seu tempo tentando retomar a comunicação com o mundo exterior.Depois de muitas tentativas ele acaba conseguindo contato com a nave de Sully. A tripulação que há muito tempo não ouvia a voz de ninguém na terra, agora tem uma esperança de saber o que houve com o planeta e de voltar para casa. Se é que ainda existe uma. Augustine sente então que essa era a sua missão, em meio ao caos ele está exatamente onde deveria estar.

Um livro de apenas 280 páginas mas incrivelmente bom. É atual, ao mesmo tempo é triste. Traz muitas reflexões sobre a solidão humana. Principalmente nesse período de pandemia, onde  nunca estivemos tão sós, conseguimos ter empatia pelos personagens. Cada um ali está na sua própria cápsula, cada um imerso nos seus próprios pensamentos, sentimentos, emoções, dores, medos. Cada um à deriva dentro do seu próprio ser. É tocante. Trouxe todo o lirismo que a beleza do universo merece. Aliás quem curte astronomia vai adorar essa viagem pelo espaço.  A parte ruim desse livro é que ele acaba. Até de uma maneira um pouco abrupta, fiquei com gosto de “Quero mais” . Os leitores criam umas teorias que fazem sentido. Acho que a narrativa ainda daria fôlego suficiente para sustentar um segundo livro explicando mais sobre os acontecimentos posteriores.

O céu da meia noite já tem adaptação cinematográfica ” The midnight Sky” estrelada por George Clooney que interpreta o Augustine e está disponível na plataforma Netflix.  Vale a pena assistir.

Mais um livro espetacular , desta vez indicado pela curadora Maja Lunde, trazido pela Tag curadoria em parceria com a Editora Morro Branco. Não sou muito de ler ficção científica e fui totalmente tirada da minha Zona de conforto. Torço para que tragam mais obras assim. Gosto da diversidade e do desafio de ser positivamente surpreendida.

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