Review | Ninguém Pode Saber, de Karin Slaughter

Como podemos conviver uma vida com uma pessoa e não sabermos nada sobre ela?

Ninguém Pode Saber de Karin Slaughter mexeu com os fãs de thriller no inicio deste ano quando a Harper Collins Brasil  informou que o lançaria por aqui.

Devido principalmente ao livro Flores Partidas e também a série Will Trent, Karin Slaughter tem uma legião de fãs no país, portanto fiquei surpreso quando muitos leitores começaram a publicar resenhas negativas a este livro.

Assim, precisei lê-lo para ter minhas próprias conclusões e posso dizer que para mim a leitura foi positiva.

Andrea tem 31 anos e leva uma vida sem grandes perspectivas. Não tem namorado, vive de subempregos e ainda mora com a mãe Laura, uma respeitada e pacata fonoaudióloga de 55 anos em um vilarejo a beira mar.

Um dia, ambas estão em uma praça de alimentação que é invadida por um atirador que chega matando as pessoas.

Laura fica na frente do atirador e acaba matando-o de uma maneira cruel e na frente de todos.

Como em todo lugar sempre existe um celular, a imagem de Laura matando o rapaz logo viraliza pelos EUA.

E devido a frieza da cena, logo surge a duvida:

Heroína ou Assassina?

Andrea ainda está tentando entender como aquela mulher pacata conseguiu fazer aquilo quando de repente sua mãe, além de não lhe dar explicações, ainda a expulsa de casa, dizendo que ela precisa cuidar de sua vida. E antes que ela consiga processar esta nova informação, a casa delas é invadida, gerando mais um cadáver e fazendo com que Andrea tenha que fugir com a roupa de corpo e algumas poucas informações passadas por sua mãe.

Laura foi exposta e isso tem consequências!

Mas quem é Laura?

Como que aquela mulher caseira sabe manejar facas, fuma, possui armas e ainda tem diversos outros segredos? Será que durante 31 anos Andréa viveu uma mentira?

Começa ai a jornada de Andréa buscando salvar sua pele e tentando entender qual a verdade sobre sua vida.

E as respostas para estas perguntas estão em 1986, onde conhecemos um grupo de jovens cheios de ideais e que serão responsáveis por uma trama muito maior, envolvendo uma grande empresa de saúde.

Ninguém Pode Saber  é narrado em dois tempos e Karin Slaughter conseguiu me prender na narrativa.

O capitulo em Oslo para mim é incrível, pois a autora nos deixa completamente perdidos.

Com certeza este romance é diferente para quem já se acostumou com a narrativa ágil e sanguinolenta da autora.

Aqui temos um pouco menos de sangue e diferente dos thrillers que vem fazendo sucesso nos últimos tempos, os capítulos são enormes, o que atrasa um pouco a leitura, mas a estória contada é tão cheia de detalhes e reviravoltas que me lembrou muito o estilo de escrita dos livros mais antigos de Sidney Sheldon, onde mocinhas tem que aprender a ter a rédea das próprias vidas passando por muitas dificuldades.

A narrativa no passado é mais interessante do que a do presente, pois os personagens são mais desenvolvidos. A estranha família Queller, a psicopatia de Nick e a submissão dos que o cercam já podia ser um romance por si só.

No presente, Andréa beira o insuportável. Sonsa é a palavra que a descreve, e é difícil acreditar que ela tenha mais do que 16 anos, já que muitas vezes não consegue nem emitir uma frase completa.

Andréa não existe sem Laura.

Mas eu acho que a apatia da personagem foi a intenção da autora. Uma crítica velada a geração Y, que vem demorando muito mais para crescer. Tem sido comum nos dias de hoje filhos que não saem da casa dos pais mesmo já tendo idade, e seguem nesta vida acomodada.

Aqui a autora sacode Andréa jogando-a numa enorme fogueira, onde nem ela nem o leitor, nunca sabem em quem podem confiar, e no fim ela é obrigada a crescer para sobreviver, mesmo que tome muitas decisões erradas até lá.

Na metade do livro já temos uma ideia de quem seja Laura e porque “Ninguém Pode Saber“, mas é muito interessante seguir acompanhando Andréa e a sua descoberta.

A autora aproveita ainda para discutir temas pesados, como Aids, fraudes, messianismo, incesto, abuso e arte. Tudo isso recheado de cenas de ações perfeitas para um filme.

A estória me envolveu tanto que descobrir a identidade do perseguidor acabou sendo algo secundário e não me trouxe grandes surpresas, porem foi totalmente coerente com toda a narrativa, fechando muito bem a estória.

Com capítulos grandes, não é um thriller vira pagina para ler no ônibus, apesar das diversas cenas de ação, com fugas, traições e mortes. Mas se você tiver um tempo maior para se dedicar a leitura, vale a pena investir nesta estória, pois Karin Slaughter conseguiu sair de sua zona de conforto, e mais uma vez criar uma grande estória  a ser contada.

Em inglês o livro chama-se Pieces of Her, um titulo mais apropriado do que o nacional, e em 05 de fevereiro a Netflix informou que já está trabalhando na adaptação deste livro em uma série de 8 episódios, a ser dirigida por Lesli Linka Glatter (“Homeland”) e roteirizada por Charlotte Stoudt (“House of Cards”).

Ainda não existe data prevista para estreia.

E você, já leu este livro ou algum outro do autora? O que achou? Qual seu livro favorito de Karin Slaughter?

Vamos conversar nos comentários

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