Review | Ninfeias Negras, de Michel Bussi

Ninfeias Negras, de Michel Bussi, lançado no Brasil pela Editora Arqueiro, é,  com certeza,  o livro com a melhor introdução que eu já li, assim como as orelhas do livro.

Num vilarejo, viviam três mulheres. A primeira era má; a segunda, mentirosa; a terceira, egoísta.

Mas não é uma leitura fácil, já que o autor quis escrever um livro quase em um loop.

Porém tenho que concordar que este livro é uma aula de narrativa, pois ele brinca com alguns conceitos que aprendemos na escola e que não posso descrever aqui, pois com certeza será um spoiler.

Se você é fã de thrillers, talvez consiga perceber as diversas demãos de tinta que o autor vai dando sobre a obra com a intenção de esconder a verdade. Mas se você está começando a ler thrillers agora, com certeza se surpreenderá quando conseguir ver o quadro final exposto na parede.

Porém Ninfeias Negras não é um livro perfeito. Para mim um dos problemas do livro foram os personagens. Não sei explicar, mas não me afeiçoei a ninguém.

A estória é narrada por uma velha ranzinza que parece um narrador onipresente, um fantasma que ronda todos. Ela sabe de tudo. Ela conta a sua própria estória, além da de Stephanie, uma bela professora que se vê presa a um casamento infeliz e a de Fanette, uma menina prodígio de 11 anos que sonha em ser pintora. Todas moram em Giverny, a cidade onde viveu Monet, e que acaba sendo quase um personagem do livro, pois em paralelo a estória das três mulheres, o livro nos traz pequenas aulas sobre Monet e suas obras impressionistas.

 

Ninfeias de Monet

Ao começar a ler este livro eu não sabia nem o que era uma Ninfeia.

Uma das coisas que mais me surpreendeu durante a leitura foi imaginar viver numa cidade como Giverny, que aparentemente ficou parada no tempo, tudo para que os turistas possam ver o mesmo cenário que Monet viu ao pintar seus quadros.  Com certeza preciso conhecer este lugar.

Ninfeias Negras – Lago na Casa de Monet em Giverny

Em Giverny, de acordo com o livro, nada ali pode ser mudado. Todo ano as flores tem que florescer da mesma maneira, com as mesmas cores e até posições, como se fossem um eterno cenário. E aqui isso vale para a vida das pessoas, principalmente Stephanie, que se vê presa a um quadro que nunca muda.

Mas o livro é vendido como um thriller e não um guia turístico, certo?

E ai ele peca um pouco, e temos um outro defeito para um livro de Thriller: O ritmo dos acontecimentos, pois em certos momentos a estória fica um pouco cansativa.

Logo no inicio um homem é assassinado em um dos regatos imortalizados por Monet. Ele fora apunhalado, afogado e sua cabeça esmagada com uma pedra. A vitima parecia ser um mulherengo e também negociava quadros de Monet. Em seu bolso havia um postal de feliz aniversário de 11 anos e uma frase retirada de um livro:

O crime de sonhar eu consinto que seja instaurado

O leitor quando lê um thriller gosta de criar teorias sobre o que aconteceu e qual o culpado. Aqui a estória é tão absurda e os acontecimentos parecem tão distantes, que fica difícil encontrar um fio da meada para montar uma teoria, mas é exatamente isto que aguça a curiosidade de leitor e nos faz avançar. Qual a ligação entre a velha, a mulher, a menina e a vitima? E o outro crime que acontece, mas não existe um corpo? E o que aconteceu em 1937 naquele mesmo lugar??

Como já citei acima, não me afeiçoei aos personagens, como os policiais que infelizmente não me convenceram muito. Laurenc era o bonzão, mas que parecia mais a fim de levar a mocinha para a cama do que de descobrir o criminoso. E Benavides, seu ajudante, que rodava, rodava e não chegava a lugar nenhum com sua lista com três colunas.

Ainda sobre o ritmo da escrita, aos poucos percebemos que a calma da narrativa é exatamente a intenção do autor. Ele não está escrevendo o roteiro de um blockbuster americano, mas sim, pintando um quadro francês.

E no fim percebemos que tudo faz sentido, pois tudo que vamos recebendo é por um ponto de vista, e dependendo do tempo, este ponto de vista pode misturar muitas coisas.

O final do livro nos machuca um pouco, ao ver como a loucura do amor pode destruir a vida de uma pessoa. E o pior de tudo é descobrir isso quando não há mais tempo para recuperar esta vida.

Ao olhar um quadro de Monet percebemos que ali existem diversas cores sobrepostas, e fica difícil saber qual foi a primeira a ser usada, ou seja, fica difícil saber onde aquela estória começa. E Michel Bussi escreveu um livro exatamente com a técnica de Monet, ou seja, com camadas.

Também parece que ele escreveu este livro com um compasso. Saiu de um ponto, rodou, rodou, rodou e voltou ao mesmo ponto, sem nenhum buraco. Até Netuno faz sentido. E esta capacidade quase matemática de contar uma estória acaba sendo o grande trunfo deste livro.

Se eu fosse professor de redação eu recomendava aos meus alunos

Cuidado leitor com aquilo que você supõe. Este livro é quase como um truque de mágica. O autor distrai o leitor com algo ali à esquerda, porém toda a verdade está do lado direito.

A realidade está associada à idade de quem a vê.

E você já leu essa edição, conte-nos o que achou da leitura?

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