Review | Nimona, de Noelle Stevenson

Review | Nimona, de Noelle Stevenson

O quadrinho Nimona é um algo com certeza diferenciado por todos vários aspectos. O leitor se diverte do início ao fim.  Uma comédia de tons dramáticos onde apresenta a estória de Ballister, um vilão que pretende derrubar a instituição e seu reino, o clichê vilanesco de histórias medievais. Mesmo com toda sua vilania, a menina Nimona é fã de Ballister e pretende se tornar sua ajudante/cavaleira/conselheira. O que Ballister não sabia é que sua pequena fã é metamorfa, e pode virar qualquer ser vivo que quiser, alterando sua massa, tamanho e força.

As habilidades da criança são muito bem vindas aos planos do vilão, que de bate pronto acolhe a pequena criança sem entender direito quais suas motivações. Mas ao passar do tempo Ballister compreende que a pequena metamorfa não possui piedade alguma das vidas de seus inimigos e agora cabe a ele, dosar um pouco Nimona pra que ela não saia de controle.

A história é basicamente uma salada de anti-heróis. Ballister o vilão é um, Nimona também, até o próprio personagem Ouropelvis, tem sua dose de vilania que por meios inexplicáveis se tornou forçosamente o mocinho de sua cidade. A obra é uma constante crítica ao poder de um “governo” que faz com que a população siga piamente as doutrinas, sem questionar. Deixando que saibam somente dos fatos apresentados nos meios de comunicação, sem mais. Em partes até o papel de vilão/mocinho é trocado apenas por ver a história de um prisma diferente. Além de toda essa grande metáfora, Nimona nos apresenta o que de fato é companheirismo, humildade e amor ao próximo.

Publicado pela editora Intrínseca, Nimona é de uma qualidade além do convencional. Uma gramatura diferente em suas páginas, a coloração e edição muito bem feitas. Sem contar que a qualidade da própria história se venderia sozinha, mas com esse plus, compensa ao leitor ainda mais.

Através de uma simples trama, temos tantas lições e reflexões, que em partes a história te engole e quando menos se da conta já acabou. Muito divertida, com piadas espontâneas que combinaram bastante com a arte.

Ponto forte, fica pela mistura medieval/moderna. A autora brinca muito bem sem causar uma estranheza… o que serve de apoio para a grande questão da obra relativo a ser herói ou vilão, tudo depende de pontos de vista. A edição conta também com um ótimo epilogo que nos ajuda a compreender ainda mais a originalidade da autora.

NIMONA, de NOELLE STEVENSON

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