Review | Guerra e Paz, de Leon Tolstói

Guerra e Paz não se trata de um simples romance, ou um poema, nem tão pouco somente uma crônica histórica, mas sim um pouco de tudo isso aliado a personagens que carregam seus próprios dramas, características e dilemas morais ante a uma grande crise que se aproximava de todos num período tão conturbado da história, a chegada do então tão temido Napoleão e seu desejo insaciável de poder e de dominar toda toda a Europa. Junto disso a obra apresenta todo o tom do espírito de luta e a recusa do povo russo em se render e se deixar abater e perder a esperança de que conseguiriam a vitória.

Está é uma versão adaptada para quadrinhos com roteiros de Frédéric Brémaud e desenhos de Thomas Campi pela editora L&PM Editores da tão famosa história Guerra e Paz, essa obra faz parte da coleção Clássicos da Literatura em Quadrinhos. Guerra e Paz foi escrita em 1869 por um dos maiores escritores russos, Leon Tolstói, conhecido pelas suas inúmeras obras, como: “Anna Karenina” (1877), “Infância, Adolescência e Juventude” (1852-1856) e por suas “Crônicas de Sebastopol” (1855). Sem dúvidas uma excelente história, e podemos embasar isso através de diversos fatores, pois conforme disse o próprio Tolstói, Guerra e Paz não se trata de um simples romance, ou um poema, nem tão pouco somente uma crônica histórica, mas sim um pouco de tudo isso aliado a personagens que carregam seus próprios dramas, características e dilemas morais ante a uma grande crise que se aproximava de todos num período tão conturbado da história, a chegada do então tão temido Napoleão e seu desejo insaciável de poder e de dominar toda toda a Europa. Junto disso a obra apresenta todo o tom do espírito de luta e a recusa do povo russo em se render e se deixar abater e perder a esperança de que conseguiriam a vitória.

Ao longo dessa história, repleta de personagens marcantes e de elevado significado histórico nos são apresentados pouco a pouco aqueles que vamos acompanhar seu desenvolvimento, sendo os mais relevantes: o jovem bastardo Pedro Bezukov, a belíssima e inocente condessa Natacha Rostov e seu irmão Nicolau Rostov, o príncipe André Bolkonski, os jovens inconsequentes Anatole Kuraguine e Dolokov, e os líderes de suas devidas nações, o Tzar Alexandre I da Rússia e Napoleão Bonaparte da França.

A história contada nesta adaptação aborda e contextualiza inicialmente ao leitor sobre os acontecimentos que se passavam naquela época, no ano de 1805, onde Napoleão no auge de sua glória, obtida através de inúmeras vitórias nos campos de batalha da Europa, espalhava uma sombra de terror por onde passava e trazia temor e tremor aos corações dos que o desafiavam ou que insistiam em não se render. Eis então que o Tzar de todas as Rússias, Alexandre I ordenou que suas tropas fossem ao campo de batalha guerrear pela pátria contra a guerra declarada por Napoleão aos territórios austríacos. Estava ali selado o destino não só de muitos homens como também o de toda uma nação.

Ao longo da história podemos observar toda a rebeldia da juventude daquela época, levando uma vida boemia e de depravação, contudo, o anunciar da guerra fez com que muitos tivessem que deixar de lado a mordomia e suas riquezas para enfrentar a dura e cruel realidade da guerra. Aliado a isso, vemos os dilemas morais daqueles que tiveram que abrir mão de ficarem com suas famílias, sejam eles irmãos, pais, filhos ou amigos mesmo que a contragosto para também partirem ao campo de batalha, este é o caso do jovem André Bolkonski, que teve de deixar sua esposa grávida aos cuidados de seu pai e irmão para se tornar ajudante no campo de batalha do General Kutuzov. Há aqueles também que por não terem o porte necessário para guerra eram deixados de lado e tinham que seguir com suas vidas cuidando dos negócios da família. Nesse ponto surgem boas intrigas familiares sobre quem é ou não digno de herdar tais atribuições, este é o caso do jovem Pedro Bezukov, que ao longo da história deixa de ser um reles filho bastardo para se tornar conde. Também podemos ver a simplicidade e inocência das jovens condessas que almejavam encontrar o grande amor e viver uma vida de princesa, algo que muitas vezes não acontecia, isso se devia pelo fato de muitos homens não levar a sério os compromissos preferindo a boemia do que se prender a um casamento arranjado afim de obtenção de maior reputação familiar como também devido a muitos terem que ir para guerra, sem a certeza de que voltariam com vida, este é o caso da personagem Natacha Rostov, que sonhava conhecer o grande amor para o qual seguiria por toda vida.

Enquanto o tempo se passa, vemos as consecutivas vitórias das tropas napoleônicas ante as tropas russas, desde a Batalha de Austerlitz, em Novembro de 1805, também conhecida como A Batalha do Três Imperadores, onde o Tzar Alexandre I aliou-se ao Imperador Francisco da Áustria para guerrear contra Napoleão. Também vemos os acontecimentos após a Batalha de Friedland, no ano de 1807, onde o Tzar se encontrou com Napoleão para assinar um armistício. Até que em 1812, Napoleão resolveu levar todo seu grande exército, cerca de 500 mil homens, para território russo, o que não agradou o Tzar, levando a acontecimentos que levariam ao reinicio da guerra.

Outro ponto que vale ressaltar são as estratégias militares utilizadas por cada exército afim de obter a vitória a cada batalha. O desfecho dessa história é emocionante e mostra o quanto vergonhosa foi a derrota de Napoleão, mesmo com seu imenso exército. Uma verdadeira história de sofrimento que através do uso correto da paciência e do tempo levou a Rússia a expulsar definitivamente seus invasores.

E aí, ficou intrigado para conhecer um pouco mais sobre a história de Guerra e Paz? A história sem dúvidas é muito boa e vale a pena o investimento tanto para se obter conhecimento histórico quanto pela importância da obra literária.

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