Review | Grama, de Keum Suk Gendry-Kim

Review | Grama, de Keum Suk Gendry-Kim

Hoje você conhecerá um pouco sobre a edição maravilhosa de GRAMA, escrita por KEUM SUK GENDRY-KIM narrando a vida da pobre Ok-Sun Lee. Distribuído no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim.

GRAMA

A história se dá início em Busan – Coreia do Sul, no ano de 1934. A pequena Ok-Sun Lee fazia parte de uma família extremamente pobre, junto a seus irmãos, passavam fome todos os dias. Dado a toda essa dificuldade, o sonho da pequena Ok-Sun era ir para a escola, mesmo estando em idade escolar sua mãe não matriculou para os estudos, pois não havia condições para isso.

A Família de Ok-Sun não encontrava saída para superar o problema da pobreza e da fome, e para tentar dar um futuro melhor a Ok-Sun os pais decidiram dá-la para adoção. A mãe entregou a filha para uma família que acreditava que conseguiriam alimentar a pequena e prover os estudos… Eles sabiam que Ok-Sun não teria futuro ali, e dar a menina a outra família seria uma hipótese de melhoria.

Pensando nisso, Ok-Sun aceitou ir com outra família acreditando que teria a chance de estudar e que futuramente, após um período voltaria para sua família biológica. O que não perceberam, tanto mãe quanto filha, eram as intenções da família que a adotou. Ok-Sun foi posta para trabalhos braçais extenuantes, era uma ajudante do restaurante de sua nova família e acredita que o esforço de seu trabalho criaria um mérito para a tão sonhada escola. Chegado o dia então, que a pequena foi oferecida a se deitar com clientes, foi resistente, tentou fugir, tentou voltar para sua casa… até que foi sequestrada no meio do caminho e enviada para uma outra cidade para trabalhar em uma casa de conforto, mais conhecida como casa de prostituição (sem remuneração).

GRAMANeste período havia uma grande obra de um aeroporto próximo da região, então os responsáveis pela construção e vigilância era o exercito imperial japonês, que estavam em período de guerra com a China. A Casa de Conforto, servia de antro para que os soldados frequentassem e escolhessem qualquer das meninas para fazer sexo. Todas enclausuradas num regime de escravidão sexual.

Agora uma jovem sozinha no mundo, junto a outras tantas. Estuprada tantas vezes, escorraçada, maltratada, tratada como objeto. Vítima de um mundo cruel e horrível. Ok-Sun tinha pouca ou nenhuma esperança de fugir. Ok-San acredita que se não desejasse tanto estudar, não cruzaria esse inferno que acabou com sua vida!


GRAMAUma edição triste que mostra que durante a guerra entre Japão e China, até mesmo quem pouco tinha a ver, sofreu os maiores danos. Para se ter uma ideia do ponto de até onde o ser humano pode ir de tão baixo. Em 1937 a guerra entre os dois países foi deflagrada, após o sucesso do Japão em alguns territórios chineses como Pequim, Tianjin e Nanquim o exército nipônico avançou nas muradas das cidades, capturando não apenas soldados, mas toda população da região. Muitos foram queimados e enterrados vivos, mulheres foram estupradas, crianças mortas violentamente em nome da guerra. Essa maldade que só a guerra permite que aconteça, influenciou negativamente o comportamento dos soldados japoneses nas regiões vizinhas, por isso além da dominação de classes mais desprovidas de recursos, muitas mulheres (as vezes de idade anterior as suas menstruações, como apresenta a edição) serviam de objeto para uso da força militar, não havendo ninguém que impedisse o ato na região. Vale ressaltar que esse esquema de tráfico humano e escravidão sexual, foi sustentado por muito tempo por civis (não militares) que lucravam com esse mercado obscuro.

A edição escrita por Keum traz um tom diferenciado de Não-Ficção. A HQ é resumidamente o encontro entre a escritora e uma senhorinha chamada Ok-Sun Lee que decide contar sua história e suas desventuras, tanto neste período infernal de sua vida, quanto posteriormente na construção de uma nova família e a busca por paz. A narrativa vai e volta no passado, passando pelos principais momentos de luta pelos direitos humanos que nossa personagem principal é obrigada a enfrentar em um mundo quebrado e sem empatia.


A pergunta que fica após a leitura é:

A GUERRA TORNA OS HOMENS MAUS, OU A MALDADE HUMANA INDEPENDE DE UMA GUERRA?

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