Review | Gigant 1, de Hiroya Oku

Hiroya Oku, criador do universo violento e sexualizado de Gantz, é um mangaka que não se aquieta. Após Gantz: G, um spin-off atípico em três volumes únicos de sua famosa série, junto com a estréia a animação Gantz: O no Japão, trabalhou em Last Hero Inuyashiki, sua contribuição particular à cultura dos super-heróis do início deste século XXI, uma proposta que ganhou adaptação em tempo recorde ao anime, o que levou a uma perda de ritmo, devido a relutância de planejamento, apesar de sua grande inventividade.

Entretanto, um talento como Oku, com seu domínio no desenho, na caracterização de personagens e em suas idéias muito loucas, cada nova proposta que lança no mercado atrai nossa atenção. Dessa maneira, o popular mangaka traz Gigant, um mangá no qual traz uma ficção científica, apesar de sua aparência inicial de um hentai, os quadrinhos com sexo explícito japoneses. Neste título Oku aumenta o senso de auto-paródia de suas histórias, com referências múltiplas e hilariantes a seus trabalhos anteriores e à cultura pop – especialmente a partir dos anos 1980 – usando uma trama cheia do que conhecemos do autor filias habituais de seu autor: violência, mulheres seminuas, animais comuns e entidades estranhas determinadas a dar às pessoas comuns superpoderes das maneiras mais distorcidas que se possa imaginar.

Gigant foi serializada em 2017 na Big Comic Spirits da Shogakukan, e está saindo por aqui pela Panini numa edição do selo Planet Mangá. O primeiro volume mistura romance com a reinterpretação pessoal de Oku das histórias de kaijuse. Podemos dizer que o autor pega a violência e o sexo e coloca no centro do narrativa, tornando a morbidade um tema comum aos seus leitores. A diferença é que, desde Last Hero Inuyashiki, Oku não se incomoda mais em esconder suas intenções, sendo seus roteiros muito mais diretos.

Gigant conta a história de Rei Yokoyamada, cujo pai trabalha para uma produtora de filmes, é inspirado a criar seu próprio curta com seus amigos. Certo dia, enquanto procurava por atores, vê avisos de que a estrela do cinema adulto, Papico, mora na sua região. Obcecado pela atriz, cujas aptidões físicas estão bem nítidos na capa do mangá. Enquanto remove os avisos para protegê-la, a atriz aparece. Mal sabe ele que Papico está prestes a ser arrastado para um acontecimento estranho e sobrenatural… Onde ela se torna gigante.

a Papico, cujo nome real é Chiho Johansson, óbvia referência à atriz Scarlett Johansson.

É claro que Oku construiu a partir de Gantz um estilo gráfico que torna suas obras reconhecíveis à primeira vista devido ao seu desenho cinematográfico e que serve de marketing para algumas breves sinopses que geram atração entre os público. Gigant não é exceção, um mangá cuja narrativa está no meio do caminho entre o videogame e as grandes produções de Hollywood. Entretanto é interessante como o mangaka faz com que elementos aparentemente incompatíveis funcionem e como, apesar de tudo, são seus personagens que nos mantêm esperando a história. Gigant traz ainda uma crítica, como um retrato de uma sociedade imbuída de reciclagem cultural e da virulência das redes sociais. O mangá aborda o foco de um grupo de internautas desumanizados que andam rindo dos infortúnios de outros, criticando celebridades e conspirando contra a ordem estabelecida ao pé do teclado.

É a visão da sociedade japonesa, e especialmente de seus jovens, a coisa mais interessante que Oku nos oferece em suas mangas. Questionando a ambiguidade ética e moral do comportamento desses jovens e sua difícil adaptação aos cânones tradicionais. O confronto psicológico de seus anti-heróis é nítido, uma carga de sentimentos e emoções, que eclodindo a ação e a violência de suas histórias são desencadeadas. Em Gigant, todos esses elementos estão reunidos, mas parece que o autor quer levar tempo para desenvolvê-los combinando um controle mais medido da ação e uma abordagem mais íntima dos personagens.

É cedo para tirar conclusões sobre esse mangá, mas podemos dizer que temos um produto com a marca registrada de Hiroya Oku. O mangaka está ciente de seus pontos fortes, mas também das críticas de seus trabalhos e isso é visualizado neste mangá, no qual ele renuncia claramente desde o primeiro momento a uma narrativa elaborada, uma explicação descontraída do mistério e de qualquer elemento que possa impedir o entretenimento simples. A falta de pretensões do autor define o resultado do mangá como uma história leve, de leitura divertida e com personagens que se destacam pela tridimensionalidade com a qual o autor é capaz de vesti-los. O desenvolvimento da série nos permitirá aprofundar suas virtudes e defeitos, mas pelo menos desta vez somos avisados ​​de que a viagem pode ser mais importante que o destino.

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