Review| Frida Kahlo e as cores da vida, de Caroline Bernard.

Review| Frida Kahlo e as cores da vida, de Caroline Bernard.

A artista mexicana Frida Kahlo

” Eu ando pelo mundo, prestando atenção em cores que eu não sei o nome. Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, CORES” – Trecho da música de Adriana Calcanhoto.

E o livro deste mês da tag inéditos veio carregado de muitas cores. Com uma capa exuberante e com uma paleta de cores incrível, os assinantes puderam conhecer mais sobre a pintora mexicana Frida Khalo.

Frida Kahlo dá início à sua carreira de uma maneira triste e improvável. Frida sofre um grave acidente de bonde com seu namorado Alejandro, que a deixa com várias sequelas. Sendo obrigada a passar um grande período de tempo se recuperando no hospital com dias entediantes, seu pai monta um cavalete acima da cama dela, para que fosse possível ela pintar deitada, e posiciona espelhos ao redor do quarto para que ela tenha uma visão ampla de si mesma, e desta maneira despretenciosa Frida começa a se auto  retratar, nasce aí sua primeira pintura.

Já recuperada ela começa a ir a eventos com amigos, e em um deles conhece Diego Rivera, um famoso muralista por quem ela logo se apaixona e essa paixão é mútua. Eles se casam e ela, como uma mulher à frente de seu tempo e muito determinada diz que não vai caminhar atrás do esposo, e sim estar ao lado dele. Na vida e na paixão pela arte.
O relacionamento dos dois retratado no livro era uma dinâmica turbulenta. Que não incluia exclusividade. Diego a traia, e tinha vários relacionamentos extra conjugais e  ela tinha conhecimento. Mas não conseguia sair do relacionamento. O que resultava em várias idas e vindas. Sentiam admiração, cumplicidade, amizade um pelo outro. Mas Diego não conseguia manter-se fiel, o que muitas vezes entristecia Frida. Se amavam e se feriam.

Frida Kahlo e Diego Rivera.

É quase impossível escrever sobre o livro sem entregar spoilers. Frida era uma figura exótica, revolucionária e ao invés de sentir pena de si mesma coloriu seus quadros pondo para fora essa dor, muitas vezes a inspiração vinha do próprio sofrimento, da própria realidade. Os quadros contam muito sobre a sua vida. O acidente, onde ela pintou o quadro ” A coluna Quebrada”, “As duas Fridas” que marcam o divórcio com o marido são alguns exemplos. Além dos auto retratos ela também tinha obras inspiradas na natureza e também e nos artefatos mexicanos.

Sobre a personalidade da Frida, achei fantástico o jeito exótico dela se vestir. As longas e coloridas saias que ela usava para disfarçar uma deficiência em uma das pernas causada por uma poliomelite infantil, o que a levou a ser alvo de bullying durante a infância. Ela sabia chamar atenção para si do jeito certo, brilhar e fazer as pessoas olharem para ela com admiração ao invés de pena. Destacar o que tinha de melhor. E destacava-se tanto no meio da multidão que ninguém reparava os defeitos que até seu próprio corpo escondia. Tinha orgulho e audácia de ser quem era.

o quadro ” As duas Fridas”

Os livros tem vários acontecimentos, vários altos e baixos que são verdadeiros sobre a vida da artista. Mas vale ressaltar que não se trata de uma biografia. Foi uma leitura envolvente, carregada de cultura  e muitos fatos interessantes sobre a artista, sua ascensão no universo artístico. Só incomodou um pouco O livro ser carregado de romance, com diálogos um tanto infantis, que para muitos leitores pareceu uma fanfic baseada na vida da Frida. No mais, gostei muito da leitura. É  envolvente pela importância que ela teve no meio artístico e pelos fatos que marcaram sua vida. Com certeza vou ler a biografia.
Sobre a autora:

Caroline Bernard, autora de “Frida kahlo e as cores da vida.”

Tania Schlie, uma já conceituada autora alemã, resolveu adotar o pseudônimo de Caroline Bernard, para escrever histórias sobre mulheres fortes. E seu pontapé inicial neste novo projeto é justamente sobre a pintora Frida Khalo, onde ela retrata a vida da artista mesclando com a ficção.

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