Review | Ferinos – O encantador de Corvos

Algo que sempre me chama a atenção nos lançamentos de livros são aqueles que buscam da fantasia para compor sua narrativa. Recentemente encontrei uma novidade, o livro Ferinos – O encantador de corvos, cuja capa me chamou a atenção e após ler a sinopse, logo procurei compra-lo.

Transitando pelo noir e pelo mistério, Ferals – The Crow Talker (Tradução de Regiane Winarski) de Jacob Grey trata da história de um órfão, isso mesmo mais um, como Harry Potter ou os irmãos Baudelaire. Mas com diferenças bem peculiares, o nome dele é Caw, um jovem que vive escondido nas sombras de Blackstone e que tem a capacidade de falar com corvos. Em tempo de Game of Thrones, um personagem que fala por meio de corvos, traz logo a lembrança do Bran Stark, mas diferentemente do Corvo de Três Olhos ele foi criado pelas aves, que desde os cinco anos lhe protege e com as quais fará seu caminho para descobrir quem realmente é e a origem do seu dom. Craw padece de um pesadelo que desde os cinco anos o aflige todas as noites. Sendo jogado por seus pais por uma janela. Enquanto caía, um bando de corvos o salva. E com o avançar dos anos, o sonho ou a lembrança traz mais detalhes, um estranho, aranhas, gritos…

O autor é um total desconhecido, a única informação que temos sobre é o que encontramos na contracapa, o qual não ouvi falar até então e que busquei na Internet alguma informação sobre o mesmo e nada, só que vive em algum lugar dos EUA e que gosta de animais. Quem sabe seja alguma forma de marketing que ressalte mais a obra do que o autor, mas acho estranho pela publicidade na trilogia que assegura ser a mais esperada dos últimos anos.

Capa da edição note-americana

Numa típica aventura que segue o monomito da Jornada do Herói, Ferinos abre uma nova trilogia e mesmo parecendo meio clichê, o livro me pegou de cheio. A maneira que o autor revela lentamente o significado dos eventos do passado de Caw, levando o leitor nesta jornada e ajudando-os a entender a extrema natureza da situação em desenvolvimento, lembra muito o que antropólogo Joseph Campbell explica sobre as narrativas de aventura. Um futuro distópico como tantos outros, mas com o conceito interessante dos Ferals/Ferinos, que vivem escondidos dos humanos, com seus poderes hereditários, eles podem falar com animais e com distintos outros, dependendo do animal.

Os personagens estão bem construídos, em especial, os três corvos, Milky, Glum e Screech que criticam muitos a sociedade humana. O antagonista, o Mestre da Seda, segue o mesmo patamar de Lord Voldemort, com sua crueldade e asseclas que querem que ele retorne dos mortos. Os demais ferals vão de gatos, cachorros e gatos, como também aranhas, cobras, esquilos, abelhas, baratas e centopeias. O potencial da trilogia já chamou a atenção da  20th Century Fox, que comprou os direitos cinematográficos para uma adaptação.

Publicado pela Galera Record, O encantador de corvos tem uma narrativa fluida e com um bom ritmo de leitura, esse primeiro volume apresenta o cenário e os personagens, ambientando bem toda a trama desenvolvida pelo autor. Senti falta de uma introdução, onde o autor poderia  ter contado um pouco mais sobre a vida anterior de Caw, como ele sobreviveu há tanto tempo com apenas seus corvos.

Uma fantasia divertida, mais uma luta com o bem contra o mal, mas com o diferencial de pessoas que podem falar com animais e o potencial de muito, muito mais. Eu definitivamente quero ler o próximo.

REVER GERAL
Narrativa
8,0
Drama
8,0
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