Review | Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo de Ian Reid

Review | Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo de Ian Reid

Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo de Ian Reid lançado em 2017 pela Editora Fabrica 231 é um livro muito difícil de resenhar.

Sua leitura é como navegar no escuro.

Mas será que este barco chega a um bom porto ou o que encontramos no caminho é uma catarata?

Ian Reid , autor de Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo
Ian Reid , autor de Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo

Pelo que já vi por ai, Ian Reid é um autor que curte escrever estórias no minimo “diferentes”.

Em 2019 a Editora Fabrica231 publicou por aqui seu segundo livro chamado Intruso, e as criticas foram tão divergentes quanto as desta sua primeira obra.

Poster Netflix de Estou Pensando em Acabar com Tudo
Poster Netflix de Estou Pensando em Acabar com Tudo

Diferente de muitos que estão atrás deste livro agora por causa da adaptação da Netflix, eu li este livro há alguns anos, quando ele se tornou um hype nos canais literários, mas confesso que tive problemas com Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo.

Eu gosto muito de ler livros onde o autor me engana e no fim me surpreende, deixando-me com vontade de voltar a ler tudo de novo para saber como aquilo aconteceu e ir amarrando todos os nós que foram ficando soltos e eu nem tinha percebido.

Existem autores que são sensacionais em fazer isso.

Lembro de uma vez ter começado a ler um livro de Agatha Christie e tê-lo achado meio chato, aí decidi ir direto ao fim e ler quem era o criminoso. Ao ler, me surpreendi, pois era o personagem mais improvável. Resultado : Tive que ler o livro todo para entender como que fulano tinha feito aquilo.

Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo, edição americana
Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo, edição americana

Um bom exemplo de uma estória assim mais atual é Garota Exemplar, onde eu levei a maior rasteira de minha vida de leitor.

Mais e aqui? Seria mais um caso como os citados acima?

Na época descobri este livro lendo resenhas no Skoob.

Era curto e parecia sensacional, então resolvi lê-lo.

Terminei rápido, pois o livro é sim, instigante.

O autor cria um clima de suspense enorme e em alguns momentos até parece que vamos ter um ataque de claustrofobia.

Ele sabe como mexer com o medo.

Aonde isso vai parar?, eu me perguntava, sem querer parar a leitura.

Após 2 dias, cheguei ao final, e como eu temia, todo aquele suspense crescente, pelo menos na minha opinião, não me levou a nenhum lugar, o que infelizmente me deixou com uma grande sensação de frustração.

Decidi que tinha que ler o livro de novo.

Provavelmente eu tinha perdido todas as dicas que as pessoas encontraram no livro e que indicavam aquele final. Com certeza eu tinha lido o livro rápido demais. E lá fui eu. Vamos reler o livro.

Resultado: Uma semana de atraso onde poderia ter começado um novo livro. Uma perda de tempo!

Agora sei que somente lendo rápido assim, é que o livro se sustenta.

A releitura foi um sofrimento e uma chatice, pois não havia mais o clima de suspense associado ao texto e aí fica claro que o texto não diz nada.

Deixe eu tentar explicar.

O livro é dividido em duas narrativas em capítulos intercalados.

Uma acontece entre a narradora principal e seu namorado que a está levando para conhecer sua família.

Jake, a namorada e seus pais na versão da Netflix
Jake, a namorada e seus pais na versão da Netflix

São os maiores capítulos onde o autor cria diversos motes de suspense: o chamado, a estória da moça que viu alguém na janela, o treinador de autoescola, a casa da família de Jake, a família de Jake, o irmão, as fotografias de membros do corpo humano, as meninas na sorveteria, o presente da mãe de Jake, a parada na escola no meio do nada.

A segunda narrativa vem em capítulos curtos, portanto é menos detalhada e fala sobre alguém que morreu. Ambas prendem nossa atenção, porém esperamos que tudo isso vá ter alguma conexão no final.

Mas isso não acontece.

Poucos motes são ligados ao outro ou tem algum fundamento para movimentar a estória.

No final ele nos traz uma “surpresa” que infelizmente só está bem relacionada a segunda narrativa e é difícil não se sentir enganado, pois quase todos os motes de suspense criados na narrativa principal simplesmente são deixados de lado, e era com esta narrativa que eu estava mais envolvido.

O Intruso, segundo livro maluco de Ian Reid
O Intruso, segundo livro maluco de Ian Reid

Com certeza o autor tem talento, pois ele cria um clima de suspense que nos prende de tal maneira, que se ele escrever a letra de “Batatinha quando nasce” ali no meio vamos achar que é alguma pista de que algum cataclisma vai acontecer com a mocinha.

Passamos o livro inteiro esperando um psicopata cortar o pescoço da moça. Mas é tudo ilusão.

O final é interessante, mas não tem quase nenhuma ligação com o texto escrito até ali.

A não ser a parte onde Jake diz que mesmo as estórias reais são inventadas.

Eu acredito que todo autor de suspense sele um trato com seu leitor:

“Eu vou te conduzir pela sua curiosidade, onde você criará diversas teorias, e como prêmio por me seguir, eu vou te causar um arrepio, com uma estória que vai te surpreender quando eu te der as respostas e você perceber que não era nada do que você imaginava”.

Aqui não é nada do que imaginávamos, porém ao invés de responder as perguntas que foram criadas, o autor simplesmente cria novas perguntas e encerra sua estória.

Quero crer que a intenção do autor é que consigamos entrar na mente de um esquizofrênico e se não for isso, o livro não merece nem as 3 estrelas que eu dei.

Se você curte arrepios momentâneos de uma mansão fantasma de parque de diversões vai curtir.

Os arrepios estão ali na hora.

Passa rápido e pode sair para comer seu algodão doce ou ir no próximo brinquedo.

Emoção self service on line.

Se procura algo que te desafie e te surpreenda realmente com inteligência, vai se frustrar.

Livro para consumo rápido.

Vale a sessão da tarde.

É bom, mas não é tudo isso.

Vamos ao filme agora.

Confesso que minhas expectativas por este filme só surgiram quando eu soube que a direção do filme era do Charlie Kaufmann, que só faz filmes malucos, mas que no final me agradam muito. Ou seja, Kaufamann e este livro me parece o casamento perfeito.

Será?

E você, já leu este livro?  Qual a sua opinião?

Já leu o outro livro do autor? Qual o seu favorito?

É fã de Ian Reid ou faz parte do grupo que acha que seus livros são super estimados??

Converse com a gente nos comentários.

Se você ainda não leu, e ficou interessado, segue aqui um link para compra do livro:

No Submarino: Eu Estou Pensando em Acabar Com Tudo.

Na Amazon. Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo.

Lembrando que ao comprar com estes links, você ajuda na manutenção do nosso site.

E se você curtiu esta resenha, temos muitas outras clicando aqui.

Fique com a gente e nos indique para seus amigos que curtem cultura hype!

Sobre o autor

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