Review | Emperor of Thorns, de Mark Lawrence

O mundo está dividido e o tempo se esgotou completamente, deixando-nos agarrado aos dias finais. Estes são os dias que nos esperaram por todas as nossas vidas. Estes são os meus dias. Eu vou estar diante da Centena e eles vão ouvir. Vou tomar o trono, não importa quem está contra mim, se vivo ou morto. E se eu devo ser o último imperador, farei disso um final e tanto.” Conforme Jorg cresce, seu caráter muda e ele parece encontrar algum equilíbrio em suas tendências sociopatas. Como rei, suas atribulações e sua fixação em conquistar o Império Destruído, pode ocorrer através do voto. A cada sete anos, um Congresso é realizado, onde os muitos governantes dos pequenos reinos do mundo se dirigem ao antigo salão do Império para votar em um candidato. Entretanto, o ataque do Rei Morto pode mudar toda a História e Jorg faz de tudo para evitar que algum mal aconteça a seu filho ou à sua esposa.

Demorou, mas enfim postei, até tive que reler os outros volumes da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, Prince of Thorns e King of Thorns (já resenhados aqui no Mundo Hype), mas realmente Emperor of Thorns encerra uma das mais sanguinolentas e violentas trilogias de fantasia, e é o melhor dos três.

Como os livros anteriores, a história é narrada pelo protagonista, o autor continua expondo seu personagem, um egocêntrico, que encanta, mas que é extremamente violento e implacável. Seguimos duas linhas temporais: uma no presente e outra, alguns anos antes. O enredo do passado é misturado com os eventos do segundo livro e termina preenchendo certas “lacunas” que não foram totalmente explicadas em King of Thorns. Pode ser confuso, colocando dessa forma, mas Lawrence nos acostuma com a estrutura que dá  aos seus livros. E ao contrário do segundo volume, que usou e abusou do passado/presente, o que pode ser complicado de seguir no início, Emperor of Thorns tem uma narrativa bem mais fluida, respondendo definitivamente a todos os mistérios levantados nos livros anteriores e a transição entre as duas ambientações temporais é melhor alcançada.Quem é o Rei Morto? O que são os necromantes? Como funciona a magia? Quem eram os Construtores? Tudo é respondido de forma muito satisfatória e sem deixar qualquer ponta solta.

Raramente um livro consegue transmitir uma atmosfera tão sombria quanto esses da Trilogia dos Espinhos, ao imaginar os personagens ou as paisagens, tudo está cinza ou decadente,  estamos num mundo pós-apocalipse e Lawrence escreve de maneira equilibrada e corajosa a história de Jorg. Apesar de tenebroso e da violência de muitos momentos, é, ao mesmo tempo um livro cheio de emoção. O leitor pode até perguntar o que tem de emocionante um cara que anda por aí assassinando todo mundo que cruza seu caminho? Mas a forma que o autor conduz seu personagem é surpreendentemente realista e temos um final imprevisível, que até as últimas páginas não se sabe o que vai acontecer, que fecha perfeitamente a trilogia.

A edição da DarkSide está maravilhosa, tanto as edições em separado, quanto o volume único, a diagramação bem feita, caprichada, entretanto a revisão ortográfica deixou passar alguns erros. Em relação ao todo, Mark Lawrence não escreve para agradar, podendo ter leitores que podem gostar, como também podem odiar. O que podemos analisar que o autor usa de Nietzsche para compor uma narrativa reflexo de uma sociedade cruel, com personagens marcantes, que merece com certeza uma adaptação para uma série para a televisão. Finaliza uma trilogia e ecoa magia, tecnologia e uma nova Idade Média para uma nova, a Trilogia da Rainha Vermelha. Recomendadíssimo.

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