Review | Dissidentes – Golpe de Estado, de José Beffa

Conflitos políticos podem ter muito mais obscuridades do que se pensa.

O escritor brasiliense José Beffa já passou pelo Mundo Hype através do review de A PROVÍNCIA DOS URSOS DE VENTO (Clique aqui). Hoje é dia de apresentar mais uma de suas obras, o surpreendente e frenético Dissidentes – Golpe de Estado, distribuído nacionalmente pela Luva Editorial.

Nesta edição, repleta de fantasia e ação, o escritor Beffa cria um universo nunca visto antes. Uma fantasia rica em representação, sinônimos e crenças que se mostra um grande catado de mitologias nacionais que ganha novos significados. De inicio já temos um grande acontecimento (não é spoiler) o presidente do Brasil comete suicídio em plena rampa do palácio do planalto. Como se já não fosse assombroso suficiente, os 2 posteriores cometem o mesmo ato. Agora o pais está em caos pois os acontecimentos além de perturbadores, são extremamente incomuns em todos os países do mundo.

O que as pessoas não sabem, é que há forças inimagináveis por trás dos acontecimentos, manipulando o pais para forçar uma situação especifica de caos e desordem. Forçando assim a mão de ferro do estado a tomar controle da situação. Porém, como diz Newton em sua terceira lei, “toda ação gera uma reação proporcional em sentido contrário”. Sendo assim, há uma força do bem, dos espíritos bem intencionados, que buscam manter a paz e o equilíbrio em nosso plano terreno e que agora buscam juntar-se para antagonizar esse mal maior que tem pretensões catastróficas.

Os personagens mesmo não sabendo ao certo o que está acontecendo, desconfiam de que um mal muito antigo pode estar por trás de tudo isso. Entram nessa batalha de uma forma não planejada e passam por situações que colocam a prova o caráter e moral de cada um deles, em prol de todo o pais. Com certeza esforço e coragem regem essa narrativa.


José Beffa cria um universo interessantíssimo, cheio de nuances que despertam a vontade do leitor de conhecer o todo. Temos mitologia brasileira, como Curupira por exemplo, misturando magia e provando ser possível ótimas histórias em terras tupiniquins. A ação é o que conduz o interesse do leitor e serve como liga para juntar o drama dos personagens à mensagem proposta pelo autor. Personagens fortes, habilidades sensacionais. O leitor que aclama um universo fantástico ao melhor estilo Neil Gaiman, tende a gostar muito dessa narrativa, que se mostra extremamente veloz e intensa. Uma trama de grupo onde cada um contribui com aquilo que mais sabe fazer de melhor.
O livro faz em meio a trama uma critica aos perigos de um governo rijo e totalitário. Como pode ser maléfico a própria população se manter apática perante políticos mal intencionados como os personagens em questão. O livro casa muito bem ao cenário politico brasileiro atual, e há duas hipóteses possíveis para envelhecer bem. Ele pode se tornar um clássico daqui a alguns anos por abordar questões emergentes possíveis ou pode acabar por ser datado em um tempo que não aconteceu o proposto.
Por fim, alguns cuidados devem ser tomados, alguns leitores podem achar ser uma escrita tendenciosa a uma filosofia de esquerda, com o discurso do “nós contra eles”. Em contra-partida, independente da mensagem metafórica ou não de um autor, deve-se sempre extrair o melhor de cada obra e interpretar da forma que tire maior proveito. Toda trama é proposta de um ponto de vista e de um futuro possível dentre as opções e nada melhor que consumir esse pacotaço que mistura, ação, drama, religiosidade, politica e moral da melhor forma possível!

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