Review | Cursed – A lenda do lago, de Frank Miller e Thomas Wheler

Review | Cursed – A lenda do lago, de Frank Miller e Thomas Wheler

SINOPSE: Quem empunhar a Espada do Poder será o único e verdadeiro rei. Mas e se a espada do poder escolher uma rainha? Por toda a vida, Nimue foi excluída pela população de seu vilarejo druídico. Sua ligação com a magia maléfica a tornava assustadora para os vizinhos, e tudo que ela queria era partir. Um dia, porém, o vilarejo é massacrado pelos Paladinos Vermelhos, radicais religiosos inclementes com aqueles que consideram hereges, e o destino de Nimue muda para sempre.

Encarregada por sua mãe no leito de morte de entregar uma antiga espada a um lendário feiticeiro, ela agora é a única esperança do povo feérico. Apesar de não haver espaço para vingança em sua busca, o poder mágico crescente na garota não pensa em outra coisa. Nimue se une a um charmoso mercenário chamado Arthur e a refugiados feéricos de toda a Inglaterra, portando a espada designada para o único e verdadeiro rei, enfrentando os Paladinos Vermelhos e o exército de um monarca corrupto. Ela luta para vingar a morte da família, manter seu povo unido e descobrir seu verdadeiro destino. E, talvez, a única coisa capaz de mudar o destino seja a lâmina de uma espada.

Temos uma recontagem da lenda do rei Arthur, mais uma. Lembram de “Quem conseguir empunhar a espada será o verdadeiro rei da Inglaterra”? Há uma série de narrativas que ao longo dos séculos usam das lendas arturianas, como por exemplo, Camelot 3000, As Brumas de Avalon, a série Merlin de Mary Stewart, As Crônicas do Senhor da Guerra por Bernard Cornwell, etc, etc, e agora uma versão contada por Thomas Wheeler (Caçadores de Trolls) e ilustrada por Frank Miller (Batman – O Cavaleiro das Trevas) e que ganha uma adaptação para a Netflix, até saiu trailer já.

Cursed – A lenda do lago conta a história de Nimue, que cresceu entre olhares cheios de ódio, medo e desespero, carrega uma obscuridade que desconhece. E como a sinopse mostra o destino do seu povo está em suas mãos. Tudo que acreditava ser lendário, acaba se tornando real. Sua incumbência é encontrar Merlin e acompanhada por um misterioso Artur, sua meia-írmã Morgana, e uma espada de poder, Nimue se torna um nome que causa pesadelos para seus inimigos. A espada que carrega, requerida pelos grandes reis, lhe pertence e poderá libertar a si mesma e a sua verdadeira familia.

Quem conhece Excalibur? A espada mágica que lhe torna o verdadeiro rei da Inglaterra. em Desta vez, somos apresentados a uma narrativa bem diferente. E se essa poderosa espada  caísse nas mãos de outra pessoa, uma garota que nunca foi aceita para poder travar batalhas em nome de seu povo?

É essa a premissa que chama a atenção em Cursed – A lenda do lago. Potente e dinâmico, a narrativa entrete bem. Desde o primeiro capítulo, já temos cenas cheias de ação, perigo e tensão. Miller e Wheeler nos guiam em um cenário que cresce ao longo das páginas, com novos elementos, novas cidades, absorvendo lendas e histórias do passado, magia, profecias, novos personagens.

Narrado em terceira pessoa, através de diferentes pontos de vista. O ritmo é acelerado, destaque para os dois argumentos diferentes: um, que aborda o conflito, a batalha em si; direto e brutal, descrevendo amputações, vísceras espalhadas, cabeças decepadas. E outro, que segue mais lento e mais desenvolvido, nos mostrando quem é Nimue, os personagens e cenários que a rodeiam, seus movimentos, as conspirações políticas. A esperança, o espírito de luta e liberdade começa a ganhar força, sendo um dos pilares pelos quais Nimue acredita.

As ilustrações e as perpectivas de narrativas ajuda a construção da narrativa e não fazem perder o foco da história. Funciona bem, compreender ver em outro olhar, outros planos, completamente diferentes dos de Nimue. É interessante, mesmo com as reviravoltas na trama, dão emoção ao conjunto e nos guia para um final insólito e inesperado.

Revezes da leitura? A narrativa ao tentar trazer representatividade pode gerar opiniões diversas; mas é um problema nos dias de hoje. A conexão desenvolvida com a protagonista a coloca muito instável, um caráter forte que às vezes a fazia se comportar mais como uma garotinha do que a adolescente que é. Outro ponto que podemos acrescentar, por Wheeler ser roteirista de séries, torna a história muito direta e apressada, e para quem leu Bernard Cornwell entre outras adaptações das lendas arturianas, parece ser uma adaptação do cinema para a literatura e não o contrário.

Cursed – A lenda do lago é uma reinterpretação bastante interessante da lenda do rei Arthur, mas parecer ser uma introdução a uma história maior. Apresenta uma narrativa fluida, acelerada, mas os detalhes que apresenta não são tão aprofundados, fica a sensação que poderia seguir para um caminho diferente. Tinha tudo para ser um épico, mas se torna uma fantasia divertida que vale conhecer antes da série.

cursed, netflix

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Com tradução de André Gordirro, o título lançado pela HarperCollins é um bom lançamento, mas muito caro pelo que se apresenta.

 

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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