Review | Circe, de Madeline Miller

Circe, de Madeline Miller, lançamento de março da Editora Planeta é uma recontagem da mitologia grega para a linguagem atual.

A autora, que também é professora de latim e grego e que já havia lançado um livro sobre Aquiles (A Canção de Aquiles, Editora Jangada), desta vez escolheu como personagem Circe, que para mim foi uma surpresa interessante, pois nunca tinha ouvido falar sobre esta personagem mitológica.

O livro consegue nos deixar curiosos, então passei a pesquisar os fatos citados no livro e descobri que Circe foi coadjuvante de muitas estórias importantes da mitologia que com certeza já ouvimos por ai.

Você pode escolher ler este livro como um simples romance sobre uma mulher solitária que foi exilada numa ilha e descobriu seu papel no mundo, ou pode ir buscar o lado “histórico” de tudo isso, o que com certeza irá melhorar sua experiência.

Circe era uma das filhas de Hélio, o Deus Sol e uma ninfa. Hélio era herdeiro de um Titã, que eram deuses um pouco mais fracos do que os Olimpianos, que os venceram em uma batalha no passado.

Após esta batalha, todos passaram a dever obediência a Zeus e seus filhos, os Olimpianos.

Desde o inicio, Circe foi sempre deixada de lado e não parecia ter grandes poderes. Sua mãe odiava sua voz e ela não era bonita, portanto não servia nem para seu pai casa-la com outros Deuses afim de aumentar seu império. Era maltratada inclusive pelos irmãos, que desde cedo eram ardilosos e agiam de acordo com os interesses dos Deuses.

Até que, ao se apaixonar por um mortal e descobrir o ciúme, Circe descobre que tem o poder de encontrar plantas na natureza e com elas criar poções que lhe permitem transformar pessoas em animais, monstros e até em deuses. Na verdade ela é uma Bruxa, ou uma Feiticeira, e Zeus, ao saber disso, obriga que Hélio a exile em uma ilha por toda a eternidade, onde não poderá ir contra os poderes dos Deuses.

E é ali naquela ilha que ela passará a fazer parte de diversos eventos da mitologia, pois muitos personagens mitológicos passarão por sua ilha para lhe pedir ajuda, como Dédalo, Medéia, Hermes e Ulisses. Não sabe quem são estas pessoas? Eu também não sabia a fundo, mas tinha escutado muitas estórias sobre o Minotauro, a Odisseia, Ícaro, Ulisses, Penélope e etc, e para isso o livro despertou minha curiosidade.

A releitura dado aos eventos mitológicos e fazendo com que Circe participe de vários destes eventos, torna a estória muito interessante.

Porém dois pontos me incomodaram um pouco na leitura.

O primeiro, é a narrativa escolhida pela autora. No começo o livro é tremendamente episódico. O livro não tem um roteiro aonde a tensão vai crescendo para chegar a um clímax. Durante grande parte do livro parecem pequenos contos. Os capítulos não puxam para o próximo. É simplesmente “Lá vem outra pessoa para dar uma passada pela ilha”. Muitas vezes as descrições da vida de Circe me cansaram, pois a narrativa não tem um tempo linear. Quando você percebe, ela passou cem anos procurando ervas e criando poções. E ai o que eu concluía era: Como seria difícil para mim ser um Deus imortal. Que tédio que seria a eternidade!

Outro ponto que me incomodou um pouco foi a tentativa da autora de transformar a personagem em um ícone feminino. Às vezes o texto me parecia uma estória de fantasia adolescente, mas ai de repente a autora nos trouxe um estupro, que fez Circe nivelar todos os homens por baixo. Não encontrei nada na internet que corrobore com esta estória citada aqui, mas a partir daquele dia, todo homem que para na sua ilha é testado, e acaba virando um porco.

Empoderamento feminino ultimamente está virando um vicio de linguagem e isso está ficando cansativo e para mim fez o livro ter uma queda. Circe era é um mito. Conhecida por ser uma feiticeira poderosa, mas nem por isso uma líder feminista.

Será que não podem mais existir mulheres fortes na literatura sem que elas passem o livro levantando bandeiras?

Mas após ela conhecer Odisseu, a estória fica muito mais interessante. Cheia de acontecimentos incríveis, que me deixaram com vontade de ler muito mais sobre mitologia, ou até de enfrentar a leitura da Odisseia.

Odisseu é um grande personagem e faz um bom contra ponto a Circe e seus poderes.

Pelas pesquisas que eu fiz, Circe é exatamente uma personagem da Odisseia de Homero, e aqui a autora usa seu talento para trazer esta história para os nossos tempos, trazendo Circe para o centro da narrativa, e transformando-a em uma mulher quase normal, que ama seu filho, sofre por amor e não sabe se é melhor ser uma Deusa ou uma Mortal.

Se você conhece Mitologia, está é uma boa pedida para relembrar velhas historias.

Se você tem interesse em conhecer, esta é uma boa entrada neste mundo de deuses, monstros e seus egos.

Um livro sessão da tarde.

E você, já leu este livro?? Curte mitologia ?

Vamos conversar nos comentários.

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