Review | Cage, de Andy Collins

Cage é o primeiro romance dark que li na vida. Queria mudar um pouco de estilo de leitura e, depois de muitos elogios, resolvi dar uma chance. Cage, da autora Andy Collins, foi publicado pela Editora The Gift Box e estava na minha lista de procurados a bastante tempo. Quando consegui enfim adquiri-lo, é óbvio que esse livro furou a fila de leitura.

Sinopse: Cage: substantivo: cela, prisão.  verbo: prender, enjaular. Mentiras são fáceis de se dizer, fluem com naturalidade assim como as ondas. Uma após a outra. Consumindo. Afogando. Até que chega em um ponto que você não consegue mais voltar a superfície. é nesse estágio que me encontro. Mas não é fácil ignorar o rosto do único homem que eu amei. Mesmo que esse rosto me atormente. E agora meu castelo de areia será derrubado pelas minhas ondas de mentiras. Não posso fugir. Não posso gritar. Não posso dizer a verdade. Cage está de volta e meu inferno acaba de ganhar um novo significado.

Eu li esse livro praticamente às escuras, pois não sabia muito bem do que se tratava, já que a sinopse guarda o mistério para si, e como era a minha primeira vez com romances dark, não estava preparada para a profundidade dos temas retratados em Cage.

Como se você fosse meu mundo, a minha vida. Como se respirar melhor dependesse do seu sorriso.

O livro alterna duas linhas temporais, passado e presente, e contam a história de Erin e Cage. No passado, eles eram um casal apaixonado, o verdadeiro ‘casal 20’. Ele, um astro nos esportes, e ela sonhando em ser professora. Porém, um fato traumático marca o passado dos nossos protagonistas fazendo com que eles sigam separados.

No presente, Cage se torna o maior astro de futebol americano e, depois do que houve, não havia retornado à sua cidade natal. Erin, devido à circunstâncias terríveis da noite em que sua vida mudou, acabou se casando com Luke, irmão gêmeo de Cage, que é um médico renomado na cidade, e eles têm um filho.

A vida de Erin era aparentemente perfeita até Cage retornar à cidade a pedido do pai, e todas as decisões tomadas no passado são colocadas à prova.

Não serei um pecador por pegar de volta aquilo que me pertence.

Parece uma história simples, mas é muito mais complexo e denso do que eu consegui resumir aqui. Andy Collins trata com maestria de assuntos como abuso, violência doméstica e gravidez na adolescência sem romantizar ou debochar. As cenas de violência são angustiantes, e a versão que ela passa do abusador também choca. Erin e Cage, por serem apenas adolescentes na época do rompimento, não souberam lidar com a situação de forma racional, e eu achei a atitude dela questionável, por mais que a intenção tenha sido a melhor possível para Cage.

Luke, por mais que pareça bonzinho no inicio, esconde uma faceta diabólica que é revelada ao longo do livro. Vontade de entrar no livro e dar uns dois tapas nele não me faltou. Outra personagem secundária sensacional e que tem um livro próprio – que já está na lista de desejados – é Ayra. Uma mulher sensacional, amiga de Cage, que consegue entender a situação muito mais rápido do que o próprio protagonista, e também dá uma forcinha para o casal conseguir se acertar.

Porque você precisa de uma, Erin. Precisa de alguém que possa escutá-la sem fazer julgamentos, que não te faça se sentir culpada. Não somos culpadas, nunca somos.

O tema principal, além do romance, é a violência doméstica. Erin se culpa pelo que acontece com ela e não encontra apoio em ninguém da cidade para relatar os abusos que sofre do marido. Além disso, ele é uma pessoa adorada e respeitada na cidade, e ela teme que sua palavra não seja levada a sério por causa do poder de influência de Luke. E esse é um medo que muitas vítimas de violência doméstica têm de denunciar seus agressores. Andy soube trabalhar bem o tema sem se levar por maneirismos ou deixar cair a narrativa em um estilo de ‘novelinha’.

Outra coisa que gostei foi a progressão da história. A cada virar de página temos algo novo para descobrir, uma nova informação para montar o quebra cabeça. Por que Luke voltou? Por que um irmão era jogador e o outro resolveu ser médico? Por que Erin ficou? Por que Erin se isolou? São tantas perguntas que são respondidas a pequenas doses que tornou a leitura mais prazerosa.

Como primeira experiencia, eu gostei bastante de Cage, e quero muito ler Ayra, que conta a história de dois personagens que aparecem nesse livro. Andy Collins ganhou mais uma fã, e seus livros já tem seu espaço na minha lista de leituras.

OBS: Esse livro é recomendado para maiores de 18 anos!

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