Review | Boy Erased, de Garrard Conley

Boy Erased, de Garrard Conley foi lançado em janeiro no Brasil pela Editora Intrínseca e já chegou em meio a uma grande polêmica, pois junto com o livro, seria lançado no Brasil também o filme baseado na obra, porém na ultima hora a Universal decidiu não lançar o filme, e em tempos de internet, boatos e Bolsonaro, logo criou-se toda uma polêmica afirmando que o filme fora censurado no Brasil.

É triste quando uma obra fica famosa devido a boatos ou ao poder do marketing, ao invés de seu conteúdo.

As vezes é triste, porque a obra é boa e as polêmicas reduzem seu alcance, fazendo com que o leitor preconceituoso, deixe de ler uma obra que pode agregar muito a sua vida.. Outras vezes é triste, porque a obra é ruim, e as polêmicas aumentam seu alcance, fazendo com que o leitor perca tempo lendo algo ruim, que na verdade não passa de um golpe de marketing.

Segue a pergunta então: Vale a pena ler Boy Erased?

Primeiro, vamos tirar a polêmica do caminho: Bolsonaro and friends não estão nem ai para este livro / filme. A não exibição do filme deve-se exclusivamente a motivos financeiros da distribuidora Universal, que achou que não haveria tanto mercado para o filme e não quis bancar o investimento. (Algo me diz que depois de tanta polêmica e marketing gratuito, isso possa mudar, já que o dinheiro move o mundo, mas até agora o filme só foi anunciado para lançamento em DVD).

Segundo, vamos tirar o marketing do caminho: Este livro não é especifico sobre a Cura Gay como o marketing diz, tentando associar o livro aos tempos difíceis da politica nacional. Ele cita isso, mas nunca se aprofunda muito. E é um livro muito difícil de ler, pois infelizmente é mal escrito, o que torna a leitura muito maçante.

Acho difícil que a Editora Intrínseca se interessasse por este titulo se ele não tivesse virado um filme.

Ok atirem as pedras, mas a realidade é esta. Falei! O livro é raso e mal escrito.

Boy Erased poderia ser um livro importante e seria muito melhor se o autor tivesse se livrado de toda a culpa que carrega ainda hoje, devido a terrível educação que recebeu dentro da igreja.

O livro é uma autobiografia do autor que foi criado num clima opressor da igreja Batista. Seu pai, depois de ter diversos empregos, decide ser pastor e coloca como objetivo de vida arrebatar novas vidas para aquela igreja. E aos poucos se torna claro que ele deseja que seu filho siga seu caminho. Mas ainda na adolescência, o garoto percebe que é gay. Ele até tenta ter uma namorada, mas acha que a menina é legal demais para ser enganada, pois ele não sente por ela o mesmo que ela sente por ele. E tenta pregar como seu pai, mas ele é tão travado que nada sai dali. Pois ele se considera um pecador impuro, por ter atração pelo corpo masculino.

Sua vida caminha de maneira chata e vazia até que ele entra na faculdade e ali começa a descobrir um novo mundo. Mas não pense que este livro será cheio de sexo, drogas e rock’n roll. O único capitulo onde ele parece fazer algo relacionado a lazer, vemos ele indo assistir a Paixão de Cristo do Mel Gibson no cinema com uns amigos da faculdade.

O livro não desenvolve nenhum personagem. Tudo para aquele menino era pecado. Sua vida se restringiu a igreja.  E para mim nem fica tão claro que seus pais algum dia tenham feito uma lavagem cerebral nele. Aquele medo é nato dele. É o entendimento que ele deu aquilo que ouvia as pessoas da igreja dizerem. Ninguém lhe explicou aquilo. Ele simplesmente subentendeu tudo ao pé da letra e começou a se autoflagelar.  E como aquilo é chato.

A “cura gay” é o de menos. OK, em algumas partes, no inicio do livro ele cita algumas passagens pesadas, mas nunca se aprofunda nisso. Seus pais achavam que homossexualismo era uma doença, e que a religião podia curar isso. Sendo assim, o enviam a um local que oferece Terapia de Conversão chamado Amor em Ação

Este lugar foi criado em 1973, exatamente no ano em que a homossexualidade deixou de ser tratada como doença mental pela Associação Americana de Psicologia. Criada por um grupo fundamentalista cristão, a terapia acredita que mantendo a pessoa longe de tudo aquilo que possa ser considerado pecado, ele estará mais próxima de deus, e por consequência estará curada de seus pecados.

A AEA conhecia bem essa diferença. Em quase todas as folhas dos manuais de 274 páginas havia uma versão do seguinte: para sermos puros, tínhamos de nos tornar uma ferramenta, algo que Deus poderia usar em nome de um bem maior. Isso significava que não havia espaço para a beleza como antes conhecíamos. Quaisquer costumes e hábitos que nos tornassem mais do que meras ferramentas eram considerados vícios, aspectos desenvolvidos a partir de mensagens danosas passadas a nós na infância. Tudo isso estava explicado claramente no Caderno de Vícios.

Mas o garoto passou somente 2 semanas ali ouvindo aquelas  palestras e procurando causas genealógicas para seu pecado. Ninguém tentou lhe dar choques ou convence-lo violentamente.  Mesmo que nunca o tivessem enviado àquele local, a vida dele já teria sido péssima, pois ele sempre levou as regras da igreja completamente ao pé da letra, e passou a adolescência inteira literalmente esperando um raio cair sobre a sua cabeça. Infelizmente uma vida triste, mas isso não rende um livro, que aqui , no caso é completamente raso.

Ele cita seus medos, mas não fica claro de onde vem aquilo. Quando lemos a sinopse, pensamos que seu pai e a igreja serão os vilões que os prenderão em uma terapia que tentará lhe fazer uma lavagem cerebral. Mas o livro não tem vilões. Ninguém lhe faz realmente mal. Ele era um menino fraco que enxergava um mundo completamente limitado. O vilão dele, é ele mesmo, e infelizmente os pais não conseguem perceber isso.

No final, se o marketing fosse sincero e não estivéssemos em tempo de Bolsonaro, a sinopse diria que o tema deste livro é o problema psicológico que o fanatismo pode criar numa pessoa. Independente de seu sexo.

O projeto termina por refletir o momento de medo e fragilidade em que se encontra a população brasileira atualmente. Vivemos tempos políticos e sociais agressivos, polarizados, nos quais ambos os lados se sentem atacados pelo campo alheio. Sentimo-nos na iminência de atos de censura, de decisões sumárias e antidemocráticas, de um ataque às artes, à cultura, às opiniões diferentes da nossa. Em tempo de fake news, opinião se torna fato, suposição se torna verdade. A acusação de que o filme teria sido retirado das salas por homofobia espanta não por sua veracidade, e sim pela plausibilidade. – Bruno Camelo, site Adorocinema.com

Este menino sempre precisou de um psicólogo, e acredito que ainda precise, pois para mim ele ainda não se curou de toda a culpa que sente por pensar coisas diferentes do que está escrito na Bíblia.

Respondendo a pergunta: Se você procura um livro sobre representatividade, não vale a pena ler Boy Erased. Se você procura um livro sobre fanatismo religioso, pode ser que valha, mas se prepare para uma leitura enfadonha, devido ao estilo de narrativa do escritor, que muitas  vezes me deixou completamente perdido no texto, sem saber se estávamos no passado ou no presente.

Vá por sua conta e risco ou procure outros livros mais importantes.

E você, já leu este livro? Qual a sua opinião?

Conhece outros livros que falem sobre diversidade ou fanatismo para nos indicar? Vamos conversar nos comentários.

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