Review | A Terceira Humanidade, de Bernard Werber

O francês Bernard Werber não conhece o writer’s block (bloqueio de escritor, em inglês), como um escritor prolífico, autor da Trilogia Formigas, retorna em Terceira Humanidade, primeiro volume de uma nova trilogia, numa ficção científica que aborda a próxima geração humana. Qual será o futuro da humanidade? Como melhorar a vida das gerações futuras (e, primeiro, evitar uma Terceira Guerra Mundial e, possivelmente, a superpopulação)? Uma preocupação atual frente aos avisos científicos, o autor traz sua narrativa fantástica, que mescla mitologias e levanta questões interessantes para nós, humanos.

Werber é um autor que se apresenta com narrativas originais, mas que também o inesperado, o impossível, o bizarro, mas que são bem construídas, no caso de Terceira Humanidade, em menos de três horas foi devorado, aqui usa de características fictícias para narrar sua história: somos parte de uma evolução que a mitologia abordou em suas narrativas, tratando de como era a humanidade de antes (a primeira humanidade) e que haverá uma outra depois de nós, de forma totalmente diferente. Essa é a premissa do livro que começa com a descoberta arqueológica de um osso gigante na Antártida.

No fundo de um lago subglacial na Antártida, a expedição liderada pelo renomado paleontólogo Charles Wells faz uma descoberta espetacular: dois esqueletos humanoides que, da cabeça aos pés, medem 17 metros de comprimento e um corpo, do mesmo tamanho, perfeitamente preservado no gelo. Em Paris, o biólogo e filho de Charles, David Wells, apresenta na Universidade de Sorbonne seu estudo sobre a redução do tamanho das espécies ao longo das gerações logo após a endocrinologista Aurore Kammerer defender sua tese sobre a evolução pela feminização do mundo. Ambos os trabalhos são selecionados por um novo programa de pesquisa dedicado à evolução futura da humanidade. A fim de frustrar os planos de um ditador, David e Aurore trabalharão em conjunto com a coronel Natalia Ovitz e o tenente Martin Janicot na criação de uma nova humanidade. Têm início, então, os experimentos que podem modificar para sempre as próximas gerações.

Lançado pela Bertrand Brasil, o livro é uma boa apresentação para o trabalho do francês, com uma ironia mordaz e um senso de suspense e crítica social, já que este livro é representativo de seu estilo, dar uma ideia de seus temas (embora os desenvolvidos neste livro sejam novos), e ajude a entender como é original o seu trabalho. Werber admiravelmente mistura as lendas diversas, as teses científicas mais ousadas e os medos milenaristas. O resultado é um livro de narrativa bem estruturada, apesar de alguma ingenuidade psicológica e política e de algumas situações inverossimilhantes, mas é como um manifesto ecológico é uma boa leitura. Na tradição de Jules Verne, Werber cria uma cosmogonia e nos deixa atordoados ao responder a questão mais essencial da humanidade: o que vamos nos tornar?

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