Review | A Playlist de Hayden, de Michelle Falkoff

A Playlist de Hayden, de Michelle Falkoff foi lançado pela Editora Nova Conceito em 2015, num ano onde foram lançados diversos livros sobre bullying e suicídio, na onda do sucesso do seriado 13 Reasons Why.

Às vezes acontece de a gente entrar numa livraria e um livro pular em cima de nós gritando: Me compra, me compra, eu sou a sua cara!!

E foi exatamente o que aconteceu comigo quando vi A Playlist de Hayden na livraria.

Sou viciado em playlists, e a ideia do livro me chamou muito a atenção. A princípio consegui resistir. Porém ele me perseguiu, e de repente recebi por e-mail uma promoção de livros e lá estava o mesmo, agora me provocando até com o seu preço. Resolvi encarar, e fico muito feliz em ter tomado esta decisão.

“Mas você tem 46 anos e este é um livro juvenil !!

Como que este livro pode falar com você? Será?”


A Playlist de Hayden é um livro muito bonito. Não conseguia parar de lê-lo. Tinha que saber o que tinha acontecido e precisava conhecer a estória daquelas pessoas.

As músicas são só mais um aperitivo, que confesso, não consegui usufruir durante a leitura do livro, pois não tinha tempo de parar para procura-las na internet, já que precisava terminar o livro.

Porém, agora acabo de montar a Playlist de Hayden no You Tube e estou ouvindo-a enquanto escrevo esta resenha, e como imaginava, uma playlist que começa com Radiohead, só pode ser composta com músicas um pouco triste, mas infelizmente não poderia ser diferente.

O livro conta a estória de Sam, um garoto que encontra Hayden, seu melhor e único amigo, morto, após cometer suicídio.

Ambos eram dois nerds sem contato social, viciados em bandas alternativas e vídeo games.

Sam vai à casa de Hayden com a intenção de se desculpar por algo que aconteceu na noite anterior em uma festa, e após encontrar o amigo morto, passa a se culpar pelo ocorrido.

Mas o que ocorreu? Sam realmente é culpado? O que levou Hayden a tomar esta decisão?

E tudo o que Hayden deixa para Sam é um pen drive com uma playlist e um bilhete dizendo:

“Para Sam. Ouça, que você vai entender”.

O livro só não ganha 5 estrelas, porque acho que a autora se perdeu um pouco no lance das músicas, pois em muitos pontos elas não estão no contexto da estória e na verdade não é a playlist que ajuda Sam a descobrir o que ocorreu, mas sim o acaso da vida.

Aos poucos Sam vai percebendo que ele não sabia tudo da vida de Hayden, e ai vamos conhecendo personagens incríveis que vão trazendo pequenas lições de que nem tudo é o que parece.

Temos Astrid e suas mechas coloridas, Eric e seu visual hypster, a mãe e a irmã de Sam, que realmente formam uma família, Jimmy, o namorado metaleiro cuja capa não combina com o conteúdo.

No ano de lançamento deste livro, livros sobre bullying e sofrimento juvenil pareciam estar na moda, mas aqui a autora conseguiu trazer diversas discussões relevantes.

Bullying, solidão, aceitação, homofobia, cobrança dos pais, suicídio. E tudo isso sem pesar a mão.

No mínimo , quando entendemos todos os desencontros que ocorreram na noite fatídica, passamos a saber que nossas atitudes podem ter graves consequências para a nossa vida e para quem nos rodeia.

Parece piegas dizer isso, mas me diga se não conseguiram sentir a dor que Ryan carregaria para o resto de sua vida?

Existe uma música do Depeche Mode chamada Walking in My Shoes que se encaixava perfeitamente nesta trilha sonora.

Enxergamos as pessoas através de mascaras, e dificilmente nos colocamos em seu papel, para saber se realmente aquilo é tão bom ou ruim. Às vezes devemos tentar calçar os sapatos dos outros para ver se eles são tão confortáveis como acreditamos ou se é só nossa imaginação idealizando uma vida que não existe. E por incrível que pareça isso vale para os oprimidos e também para os opressores, pois nem sempre o mal é inato.

Um ponto positivo no livro também é o clima de mistério que a autora conseguiu imprimir ao texto.

O que terá acontecido na noite fatal? Quem está se vingando da Trifeta do Bullying? Quem é Atena? E como que o Arquimago continua jogando??

O final não é a perfeição esperada, e parece que veio rápido demais. Mas me trouxe lagrimas nos olhos.

Tantas coisas podiam ter sido evitadas.

Que sejamos menos cruéis e mais felizes. Isso vale para nossos papeis de : pai, filhos, amigos, vizinhos e etc.

Todos os exageros podem trazer graves consequências. E isso vale para qualquer idade.

Venha ouvir esta playlist também (Ela é sensacional!) e aprenda a ouvir a realidade que te cerca.

Recomendo!

” A playlist de Hayden fez com que eu me sentisse conectado com ele e também fez com que eu me abrisse para um monte de coisas que não ouvia antes. Comecei a procurar novas bandas, sons que eu gostava e que encontrei por meio de meus esforços, e não por meio de Hayden ou de Rachel. Comecei a fazer minha própria playlist… Minha lista era repleta de musicas alegres e esperançosas. Musicas de que Astrid iria gostar.
Talvez algum dia eu dê de presente para ela.”

Lindo!

OBS: Se alguém quiser ouvir, este é o link para a minha Playlist de Hayden, na sequência do livro. Acho que eu podia ser amigo de Hayden, pois aqui até Metallica e Ramones se encaixaram. Ouvindo direto!

E você, já leu este livro?? Curte Playlist? Acha que existe trilha sonora para acompanhar a leitura de um livro?

Vamos conversar nos comentários.

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