Review | A Metamorfose, de Franz Kafka

Review | A Metamorfose, de Franz Kafka

O escritor austríaco Franz Kafka considerado um dos mais influentes do século XX, antes de falecer em 1924 nos deixou inúmeras obras que se tornaram ícones da literatura. Hoje você irá conferir um pouco sobre sua obra A METAMORFOSE, um verdadeiro presente aos fãs de seu estilo onde deixa evidente suas habilidades exclusivas e suas características de transtorno de personalidade.

A ficção relativamente curta nos apresenta a Gregório Samsa um caixeiro viajante, que após uma noite de sonhos mal dormidos, acorda e se vê transformado em uma gigantesca barata. Atônito por tal transformação, Gregório nem sequer cogita a possibilidade de sair de seu quarto e se mostrar ao mundo, uma vez que transformado em tal inseto repugnante, não conseguiria explicar o que aconteceu.

Embora sua condição agora seja deplorável, a família Samsa não abandona Gregor e se esforça tanto quanto possível para manter os cuidados básicos como, comida e acomodação onde tal se mantém 24h. Gregor era um dos pilares de sua casa, trabalhava arduamente, garantia o sustento de sua família composta por seu pai, mãe e sua irmã. Agora que passou de um recurso financeiro para um fardo gigantesco. Gregor aprende um pouco como se adaptar a sua nova condição e dia após dia lamenta por não poder auxiliar nas contas e despesas da casa.

Em contrapartida sua família é obrigada a se adaptar a essa nova situação e buscar novas formas de manter a casa e esconder, essa metamorfose longe dos olhos do mundo. De forma simples e direta, sem rodeios Franz Kafka consegue o milagre de você leitor se colocar no lugar de uma barata, e entender que nem tudo parece o que é.

A linha de pensamento da família e do personagem principal é algo admirável, é fácil se transpor a refletir sobre ambas as situações. Primeiro o que seria cômico se tornou tenso/trágico, você vive e entende o personagem, entende suas preocupações e limitações. É triste ver o que Gregor tem que fazer pra que sua família viva de uma forma mais confortável longe de sua presença assustadora. A escolha do autor pelo inseto tendo que ser mantida em um só quarto, com cuidados restritos, deixando uma vida ativa pra se tornar um prisioneiro de seu próprio corpo, age com a comparação direta a uma pessoa acamada, um moribundo que não consegue se comunicar com sua família, e receber os cuidados necessários para se manter vivo. Como a família de Gregor é atingida por esse “acidente”, como tudo muda pra eles, a tristeza pelas circunstâncias, o fardo a carregar sem perspectiva de melhora, é avassaladora. Há apenas a esperança de que tudo volte a ser como era antes, mas intrinsecamente todos sabem que não há o que fazer.

Um final tocante, de uma sensibilidade que poucos autores conseguem. A atitude que a família decide tomar é surpreendente dentre tudo que nos é apresentado. Uma critica as responsabilidades sociais/familiar e um pouco sobre a moral estética. Leia e nunca mais vera um inseto da mesma forma.

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