Review | A História de Mithry, de Daniel Mastral

Hoje vou falar de uma leitura bem controversa de um dos livros que recebi da nossa parceira Editora Planeta do Brasil. Recebi Querem nos calar (confira resenha aqui) e A História de Mithry, este último lançado em 2019 pelo autor brasileiro Daniel Mastral. Fiquei bem curiosa com a sinopse do livro e, como tive uma ótima experiência com o livro anteriormente citado, esperava o mesmo nessa leitura.

Sinopse:

Sonhos podem revelar verdades impossíveis de serem entendidas enquanto estamos acordados

Victoria d’Angerville é uma adolescente alegre com uma família amorosa e muitas amigas. Sua vida seria a de uma típica de jovem do Sul dos Estados Unidos, da década de 1950, não fossem os terríveis pesadelos que a assombram todas as noites, todos com as mesmas sensações de morte, perda e separação. E há os sonhos com aquela garota. A mesma garota.

Agora, Victoria tem certeza de estar sendo observada por algo – ou alguém. Possui crises de pavor e desespero. E, das sombras, surge uma voz que a ameaça, vultos que a cercam. Estaria ficando louca? Ou haveria um significado oculto por trás desses fenômenos – alguma coisa que precisa descobrir antes que seja tarde demais?

Do dia para a noite, Victoria vê sua vida ficar de cabeça para baixo. A revelação de um horrível segredo de família a coloca à mercê de um médico sem ética em um inferno físico e emocional, no meio do qual ela recebe uma ajuda improvável. Mas será Victoria capaz de mudar o seu destino? Ou a pergunta certa seria… o destino de Victoria d’Angerville pode ser mudado?

Eu queria poder falar tão bem desse livro quanto falei do outro recebido, mas não será assim essa resenha. Vou tentar apontar os pontos que me agradaram e desagradaram de modo a evitar ao máximo spoilers (apesar de muita coisa ficar em aberto no final).

Uma coisa que gostei bastante da escrita do Daniel Mastral, sendo este o primeiro livro que leio dele, foi o cuidado com as descrições e as contextualizações históricas. Os cenários, os momentos foram tão cheios de detalhes que permitem ao leitor compreender o porquê das coisas acontecerem do jeito que é narrado no livro. Porém, uma coisa que me irritou bastante foi o excesso de detalhes. É legal você entender a construção do pensamento de um personagem, mas fica cansativo quatro ou cinco páginas de descrições de momentos históricos que servem apenas para pontuar como um personagem é babaca ou outra personagem foge do padrão geral. Eram coisas que poderiam ser simplificadas e tornaria a leitura muito mais fluida (para mim, pelo menos).

O feminismo, a ideia de emancipação das mulheres, principalmente considerando-se que o livro se passa na década de 1950, é algo muito bem trabalhado, principalmente mostrando essa faceta da Victoria, personagem principal, de ser uma garota que não quer apenas se casar e ter filhos como uma típica americana, e sim, formar-se na faculdade e ter sua própria casa. Ela inspira até mesmo as leitoras de hoje a saírem desse lugar comum de subservientes. Victoria é muito bem construído nesse sentido, e o feminismo é até bem argumentado nesse ponto.

Mais uma vez Victoria lamentou a inutilidade do papel feminino para qualquer coisa além das tarefas cotidianas de uma casa. Sonhos esmigalhados, é o que muitas acumulavam. Desejos reprimidos, tornados repreensíveis e errados. Vidas despedaçadas.

Mas, por mais que esse papel feminino da dona de casa dos anos 50 seja muito questionado e de forma bem feita ao longo do livro, alguns tropeços foram dados. Após uma cena que Victoria ansiava por liberdade, por ser quem quisesse, vinha uma cena de rivalidade feminina. Ao ponto de ser chato.

Os personagens apresentados, tirando Mithry no prólogo e Victoria ao longo do livro, são muito dicotômicos. Quem é bom, é muito bom. Quem é ruim, é bestial. Não havia nenhum personagem que transitava nos dois aspectos, o que fez com que eu achasse os personagens extremamente rasos e com convicções pouco convincentes.

A história presente na sinopse demorou mais de 200 páginas para começar, e foi realmente o ponto alto do livro. Acabei presa na leitura tentando saber como ela sairia da situação tão angustiante que estava vivendo, se é que sairia, mas durou pouco e o livro acabou.

O prólogo em si não fez muita diferença ao longo do livro, apenas em um momento no final, deixando MUITAS perguntas em aberto. Personagens que também foram apresentados no meio da trama, com pouca relação com a história principal parecem que foram deixados ali de forma aleatória. Muitas perguntas são feitas ao longo do livro, mas uma ou duas são explicadas, deixando não só pontas soltas, mas teorias inconclusivas e conexões muito mal desenvolvidas. Termina-se o livro sem realmente compreender se Victoria foi ou não foi outra pessoa, quem ela foi, por que ela foi e como isso aconteceu. Percebe-se claramente ao final da leitura que esse livro terá uma continuação, e espero que ao menos 60% das minhas perguntas sejam respondidas, como, por exemplo, por que Mithry saiu do reino onde vivia.

Eu queria ter gostado mais da leitura, mas não consegui me conectar à história ou a algum personagem específico. Esperava um desenvolvimento maior da história, até mesmo mais rápido, mas não posso negar que Daniel Mastral sabe escrever bem e mereceu o prêmio que ganhou (de acordo com a orelha do livro). Talvez outro livro dele possa ser mais interessante, mas A História de Mithry não foi uma leitura muito divertida, e nem seria um livro que recomendaria a leitura.

5 COMENTÁRIOS

  1. Daisy, concordo com vc…. Como ele disse que será trilogia vamos ver como serão os próximos. Eu já li todos os livros do Daniel se puder leia a trilogia Nephilim, Kilaim e Ikarin …. é demais! Filho do Fogo e Guerreiros da Luz tb são fantasticos!!!

    • Pelo livro percebi que ele escreve muito bem. A história de Mithry que foi bem fraco, mas darei uma chance para Filhos do Fogo e Guerreiros da Lu. Obrigada pelas dicas!

  2. Primeiro livro que li dele foi ”filho do fogo” a versão nova (pelo menos foi o que o vendedor das livrarias Curitiba me falou) que tem uma versão de quando ele é criança, que é desinteressante, e a versão nova que fala somente sobre o satanismo e ele na adolescência/adulto.. na época, uns 3 anos atrás, adorei o livro, achei muito bom mesmo.. claro que após estudar mais fundo espiritualidade, e mecânica quântica, aquilo descrito por ele NÃO se torna muito real, alguma coisa ele deve ter passado por essas seitas, mas é um sensacionalismo total… mas enfim, analisando o livro, é interessante, bem escrito e fluido.. após isso comecei a ler ”catedral das sombras” que seria a continuação, após sua conversão, aí ele descreve as sujeiradas que existem dentro das igrejas, e descreve o que toda pessoa consciente já sabe, são empresas com intuito lucrativo em cima da fé alheia, todas sem exceção, é um relato pessoal das coisas que ele passou nesses ”templos” religiosos e como os bastidores são uma baixaria, patifaria e etc.. gosto muito da escrita dele, fácil entendimento, mas não é algo que lerei novamente, e não recomendo (apesar de ter gostado).

  3. O cara está fazendo um marketing depois de ter perdido o filho. Está na Bienal, mostrando os que gostaram do livro…
    Ele só crítica o sistema religioso, mas não aponta a verdade em Cristo como Senhor e Salvador.
    Ele escreve o que as pessoas de hoje querem ler: mistério, ocultismo, cenas do próximo capítulo.
    Cuidado com ele… não vale a pena ficar perdendo tempo com esse tipo de literatura.

    • A questão nem é em relação à crítica ao Cristianismo ou qualquer outro sistema religioso, até porque ele se converteu ao cristianismo pelo que me falaram. O livro em si é ruim, mal escrito, cheio de estrangeirismos e confuso. Por causa desse marketing, o povo acha que é uma coisa ótima. É uma história confusa, aberta e sem nexo. Ainda fui bacana na crítica dele.

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