Review | A Heroica Lenda de Arslan #01, de Hiromu Arakawa e Yoshiki Tanaka

SINOPSE: Arslan, príncipe de Pars, o grande reino localizado sobre a rota continental, era apenas um jovem curioso e ingênuo cuja história ainda estava por se fazer. Considerado um príncipe mediano, fraco e incapaz, Arslan marchara para a guerra pela primeira vez aos 14 anos, quando povos pagãos de terras longínquas invadiram o reino de Pars. A força do exército de Pars era inigualável. Desafiá-los à guerra era algo tão absurdo quanto imaginar formigas desafiando elefantes. Todos acreditavam numa vitória esmagadora… Eis o tortuoso destino de Arslan! Aqui se inicia a turbulenta saga de um herói!!

Os anos 1990 foram pródigos com vários animes e antologias com as animações japonesas. Entre séries com diversos episódios Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, e Dragon Ball, um gênero que fez falta foi a fantasia medieval. Em 1996, uma coletânea em VHS trouxe Arislan ou Arslan War Record, uma minissérie que narrava as aventuras de um jovem príncipe que se tornou um proscrito quando os exércitos de seu pai foram derrotados por uma potencia rival. Essa animação era bem legal, mas se perdeu na memoria, até o momento que soubemos deste mangá, que se baseia numa série de livros com quinze livros no total.

A Heroica Lenda de Arslan (Arslan Senki, アルスラーン戦記) foi lançado originalmente no Japão como uma série de livros, escrita por Yoshiki Tanakaque, baseado num poema épico persa, Amir Arsalan-e Namdar. Desta fonte o autor toma as premissas principais da história, como é evidente ao observar o cenário espaço-temporal que define a saga. Arslan é o príncipe herdeiro do reino de Pars, o único filho do despótico Andrágoras III e da distante rainha Tahamenay, o infante tem apenas 11 anos e se prepara para suceder seu pai no futuro. Seu pai é reconhecido como um comandante vitorioso, especialmente nos conflitos contra um reino vizinho. No entanto, sua atitude, distante e autoritária, o tornou arrogante e criou um vácuo entre ele e seus parentes mais próximos.  Arslan olha para o pai com uma mistura de admiração e medo. Alguns anos depois, durante uma guerra entre os antigos rivais, o príncipe assiste à derrota das hostes de seu reino e se torna um fugitivo.

A história original ainda é referência, mas simples, então aproveite esta nova e épica aventura espetacular que Hiromu Arakawa criou com toda a sua alma.
Yoshiki Tanaka

Essa narrativa, contada no parágrafo anterior, deu origem à mencionada minissérie, um videogame e dois mangas, a segunda série das quais é a JBC publicará agora no fim de 2019. com a responsabilidade de Hiromu Arakawa (Fullmetal Alchemist). Tanaka deu liberdade a Arakawa para realizar a adaptação e a mangaka respondeu fazendo um trabalho muito respeitoso com a grande história contada pelo escritor.

Uma saga medieval, que nos leva a referências diretas a um período específico daquela época, o tempo das cruzadas. O reino de Pars é uma transcrição muito clara da Pérsia, tanto pela terminologia parsi ou na denominação da capital do reino, Ecbatana (nome retirado da cidade mais importante do império Meda). No entanto, você também pode encontrar referências de outra civilização da época, os bizantinos. Por outro lado, Lusitania, o reino inimigo, é uma referência clara aos reinos cristãos e europeus cujos guerreiros marcharam para conquistar uma terra considerada santa. É verdade que Portugal concentrou suas atividades de guerra na reconquista ibérica, mas durante os dias de sua expansão imperial controlou por algum tempo a região do Estreito de Ormuz, também localizado no Irã. O romancista introduz um fator religioso nos conflitos entre parsis e lusitanos, que evocam claramente guerras entre cristãos e muçulmanos, mas também os cismas entre os primeiros. Uma passagem do mangá permite que evoquemos as relações conflitantes entre o catolicismo romano e a ortodoxia grega (que resultaram em um primeiro cisma que ainda existe hoje).

Além deste contexto histórico, a crítica é levantada contra o radicalismo religioso e o materialismo, antagonistas entre as duas sociedades, mas também sentidas na violência de seus pares pelo jovem protagonista.

Na parte artística, é necessário destacar o trabalho da Hiromu quando se trata de se adaptar à atmosfera baseada na fonte original: Pars lembram claramente os exércitos orientais da Idade Média (cavalaria, arqueiros, catrafactários …) e os os exércitos lusitanos, o soldado cristão arquetípico. O mangá possui esse tom épico e Arakawa arregaça com cenas de ação maravilhosas. Existe uma verdadeira paixão por imagens dramáticas, cavalaria e morte indiscriminada. As cenas destacam a grandeza dos soldados de Pars, que defendem seu reino, em contraste com os sinistros lusitanos, sem a necessidade de grandes discursos. São as ações dos personagens que falam por si e e neste primeiro volume, temos diferentemente de Fullmetal Alchemist, a ação girando em torno dos eventos e não dos personagens.

Se temos que colocar um ponto fraco na obra, é a semelhança impressionante dos personagens principais com a série mais famosa da mangaka. Mas não é algo tão relevante, pois somente olhos de fã das aventuras dos irmãos Edward e Alphonse é ue notarão.

O resultado final é uma narrativa que, sem ser nova (o príncipe fora da lei e seu grupo de combatentes pela liberdade do reino) é divertida, enquanto tenta estabelecer alguma profundidade, como é evidente quando o jovem Arslan descobre que talvez as coisas não são exatamente como seus pais decretaram que são.

Em suma, uma boa aposta que valerá a pena ver como se desenvolve.

 

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