Review | A Décima Sinfonia, de Joseph Galinek

Review | A Décima Sinfonia, de Joseph Galinek

O compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) ficou célebre na história da humanidade por produzir algumas das mais belíssimas sinfonias já compostas. Como a Quinta Sinfonia em Dó menor ou o Hino à Alegria, parte da famosa Nona Sinfonia, esta última considerada um dos grandes feitos artísticos que o homem deixou para a posteridade, como A Divina Comédia de Dante ou os afrescos da Capela Sistina. Não por se fenomenal, a Nona, sua última obra é um feito inigualável, por ter sido composta na época em que o grande músico estava praticamente surdo. E se ele tivesse composto antes de morrer ainda outra sinfonia? O livro A décima sinfonia (La decima sinfonia, tradução de Lizandra Magon de Almeida, Primavera Editorial, 422 páginas) trata da possibilidade do gênio surdo de Bonn ter finalizado uma décima sinfonia.

De maneira fictícia, Joseph Galinek, pseudônimo de um musicólogo espanhol, constrói uma narrativa em que ambienta os acontecimentos gerados após um concerto particular de um prestigioso maestro ao interpretar para poucos a reconstrução do primeiro movimento dessa mítica sinfonia beethoveeniana. A partir daí, o thriller segue a investigação da policia após o assassinato do maestro Ronald Thomas, sob a ajuda de um jovem musicólogo, Daniel Paniagua, um especialista em Beethoven, que fora convidado ao evento na mansão de Jesús Marañon, um aficionado por música e por instrumentos de tortura diversos.

Paniagua, como um alter ego do autor, é um modo do mesmo ter cumplicidade com os leitores, um protagonista, cujas deduções estão muito bem explicadas, clara e concisas, de fácil compreensão para os leitores, sem muitos exageros. Galinek, que usa o pseudônimo de um pianista virtuoso humilhado em um famoso duelo musical coloca na história que compõe sua estréia na literatura, a cão de um bom roteiro de cinema e uma apresentação ao mundo da música clássica, por ter diversos nuances de teoria musical e curiosidades históricas.

A narrativa, composta por capítulos breves, tem uma ambientação de investigação clássica, que se intercalam os cenários da investigação do assassinato com os da busca pela hipotética partitura de Beethoven, além daqueles centrados nos possíveis suspeitos da morte do maestro.

Os personagens possuem personalidade e matizes de iguais medidas. De Daniel, decidido a encontrar a verdadeira décima sinfonia, em meio a sua própria busca interior na relação com a noiva ao príncipe, cujo parentesco com Napoleão, une o passado próximo de Beethoven com o presente, em que ambiciona uma carreira política, a juíza Susana Rodriguez Lanchas, traumatizada com sua paralisia, os policiais Mateos e Aguilar, que serão as peças que irão ajudar Paniagua descobrir a verdade sobre o fim da vida de Beethoven.

Destacamos ainda o humor de algumas conversações, como as adaptações ao cinema sobre a vida de Beethoven, além disso o autor inclue na narrativa breves pinceladas de criticas a temas como aqueles contra os romances do gênero que Dan Brown é mestre.

No fim do livro, temos quatro capítulos protagonizados pelo próprio Beethoven, uma das melhores partes do livro, que também serve para confirmar as investigações dos personagens. Por fim, uma ficção que passa aos leitores a preocupação com detalhes históricos e curiosidades, e que consegue dar a impressão de que o mundo da música está cheio de mistérios interessantes e com grande potencial fictício.

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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