Review | A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

Review | A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro ganhou um “presentão” e a missão de editar e divulgar acontecimentos reais no mínimo interessantes. João apresenta a história de uma mulher que no auge de seus 70 anos, declara seus grandes segredos para posteridade, dos mais íntimos, assombrosos e maquiavélicos tipos de relacionamentos que alguém poderia ter, de sexo escondido à swing, de sexo entre amigos à sexo com parentes bem próximos. Ubaldo (1941-2014) recebeu um pacote contendo toda a história em um gravador, onde há apenas uma única regra: Não declarar os nomes originais.

Uma baiana despojada, lúcida, que lembra de fatos e acontecimentos que poucos lembrariam, com essa riqueza de detalhes. A história de uma mulher que nunca seguiu ou acreditou nas muitas regras da sociedade… preferiu acreditar um pouquinho em cada coisa. Uma politeísta que abomina a hipocrisia velada.  Ela nos apresenta uma explicação plausível do porquê de seus feitos e aventuras.

“A vida é curta e temos que viver da melhor forma possível, principalmente da melhor forma que acreditamos estar correta”.

O texto consta relatos mais do que intimista que projeta quem está lendo para dentro de cenas de sexo que nunca passariam por nossas cabeças. Coisas que para um leitor rigoroso e temente as regras Deus, imposta pelo homem, jamais aceitariam facilmente.

Um livro para estimular a parte criativa no que diz respeito a sexualidade, sobre padrões de certo e errado e sobre diferenças culturais que desafiam várias doutrinas religiosas. Uma mulher que foi atrevida e que conseguiu o que queria na base do sexo diferenciado, na base da chantagem e da falsa malemolência de uma jovem experiente. Ao longo do livro ela narra com riqueza de detalhes suas mais loucas transas, mostrando seu lado atriz, seduzindo homens com os mais variados gostos e tipos, aceitando que foi criada para o sexo e ensinando homens e mulheres durante a vida.

O livro foi adaptado para o teatro pelo diretor Domingos de Oliveira, e interpretado pela atriz Fernanda Torres.  Em um monólogo contendo um  mix de comédia e sexualidade, onde teve sua estreia em 21/11/2003 e ficou em cartaz até 30/07/2016 levando mais de 350 mil espectadores ao teatro em São Paulo.

Aos leitores que não toleram quebras de regras e abominam qualquer livro com conteúdo desafiador as leis impostas, não leia. Caso tenha a mente aberta e saiba diferenciar o ler do fazer, é uma história no mínimo peculiar de uma vida regada a literal Luxuria, onde não há limites para os prazeres carnais. Sexo com homens, mulheres, em grupo, e todo tipo mais. Leia e tire suas próprias conclusões!

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