Review| A biblioteca da meia noite, de Matt Haig

Review| A biblioteca da meia noite, de Matt Haig

E no mês de julho, os associados da Tag inéditos ( em parceria com a Bertrand Brasil), receberam em uma linda edição, um livro especial. Escrito com muita sensibilidade e que tocou positivamente a maioria dos assinantes do clube.
Já aviso que é um livro com fortes gatilhos. Fala inclusive de depressão e suicídio. Mas também conversa com a gente sobre A VIDA, em suas diversas oportunidades e perspectivas. Por isso, fiquem comigo até o final da resenha. 🙂  Tentarei não dar spoilers.
Nós, meros humanos, ou a maioria de nós, tendemos a nos sobrecarregar de culpas e arrependimentos de nossas escolhas. Muita gente se questiona: Se no passado eu tivesse feito outras escolhas, eu seria mais feliz hoje?  A grama do vizinho sempre parece mais verde. Mas será que é isso mesmo?

É fácil gostar das vidas que não estamos vivendo.

Nora Seed tem uma vida simples e, segundo ela, insignificante. Ela dá aulas de piano, não casou ainda, não teve filhos, e para piorar seu gato morreu. E até nisso ela se sente culpada. De não ter cuidado melhor de seu fiel companheiro Voltaire.  Colecionando tristezas profundas, sempre com um sentimento de um grande e eterno vazio e se sentindo um completo fracasso ela toma uma medida desesperada. Nora quer fazer a dor passar, não quer mais ser quem é. Depressiva, ela acaba atentando contra a própria vida. Tomando uma porção considerável de comprimidos.

nunca subestime a grande importância das coisas pequenas.

Nora, sem entender nada,acorda em uma grande biblioteca. Há um imenso relógio em números romanos na entrada. Que jamais passa de meia noite. Lá, ela é recebida pela doce e sábia Senhora Elm, a bibliotecária de sua antiga escola que sempre dedicou atenção e longas conversas com Nora. Nessa gigantesca biblioteca, cada livro representa uma escolha, uma decisão, uma outra vida que Nora poderia ter tido. Ela se arrepende de não ter sido nadadora, de não ter cuidado direito de seu animal de estimaçao, se arrepende de não ter participado da banda musical do irmão, de ter terminado com o namorado. A lista é longa.
E agora, nessa grandiosa biblioteca , Nora vai poder visitar cada vida que poderia ter tido. Revisar cada escolha, refazer cada percurso, e vai se surpreender. Cada vida, por mais próxima da perfeição que seja, sempre vai ter uma lacuna a ser preenchida. Talvez se tivesse casado não teria sido feliz. Se tivesse sido bem sucedida, se sentiria pressionada por tanta fama e pela falta de tempo. E por aí vai…
Estamos sempre em busca daquilo que nos falta. E muitas vezes deixamos de enxergar e valorizar o que temos. E assim, Nora vai percebendo que a vida de ninguém é perfeita. E que a vida ainda é bonita e vale a pena ser vivida, mesmo sendo desafiadora.

 

O céu escurece

o preto sobre o azul se vê

mas as estrelas ainda ousam

brilhar por você

Uma escrita leve, sensível, emocionante. Personagens carismáticos. Uma hisória sobre a vida e suas diversas possibilidades. Ouso dizer que a biblioteca seria até uma espiritualidade. A Nora orbitando em cada livro, em cada escolha. Alguns avaliaram o livro como um “auto ajuda”. Eu já achei um enredo maravilhoso, reflexivo. Com certeza esse título está entre os melhores que li este ano. Chegou na hora certa. Eu mesma me fiz certos questionamentos.

E quanto a vocês?

Se fossem parar na biblioteca da meia noite visitariam outras vidas que poderiam ter tido?

Teriam feito outras escolhas? Será que seriam mesmo mais felizes?

Leiam! Recomendo fortemente.

 

” Devia ter amado mais. Ter chorado mais. Ter visto o sol nascer. Devia ter me arriscado mais e até errado mais, Ter feito o que eu queria fazer. Devia ter aceitado, as pessoas como elas são. CADA UM SABE A ALEGRIA, E A DOR QUE TRAZ NO CORAÇÃO” .

Terminei de escrever e fui ali ouvir Os titãs.

 

VIVAM A VIDA!

ELA É PRECIOSA. 😉

 

Sobre o autor:

Matt Haig é o autor best-seller internacional de Razões para continuar vivo, Observações de um planeta nervoso e outros seis romances para adultos . Escreve livros também para crianças e adolescentes. Vencedor do prêmio Goodreads de ficção de 2020, A biblioteca da meia noite  é seu romance mais recente.

 

 

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