Review | Prince of Thorns de Mark Lawrence

Ainda criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato da Rainha mãe e de seu irmão caçula, William. Jorg não conseguiu defender sua família nem fugir do horror. Jogado à própria sorte num arbusto de roseira-brava, ele permaneceu imobilizado pelos espinhos que rasgavam profundamente sua pele, e sua alma. Agora, com 14 anos, Jorg lidera um grupo assustador de bandidos que atacam, queimam e assassinam qualquer um que cruze seu caminho. Mas os objetivos do príncipe vão muito além do saque de aldeias; o jovem jura que, quando completar quinze anos, será rei e, aos vinte, porá fim à Guerra dos Cem Anos e será imperador. Com este livro começa a terrível e sangrenta jornada de Jorg através do The Broken Empire.

Mark Lawrence apresenta assim o primeiro volume de sua Trilogia dos Espinhos, publicado por aqui pela DarkSide, Prince of Thorns, uma jornada sombria em um universo medieval de fantasia dark, com toques pós-apocalípticos, personagens maquiavélicos, seres sobrenaturais, toques de humor negro e uma trama surpreendente. A leitura deste livro era esperada há um certo tempo, pelas recomendações diversas, mas não tínhamos ideia do que era, só que era um livro de fantasia sombria protagonizado por príncipe a la contos de fadas. Após a leitura, concluímos que é um livro marcante, pela maneira que aborda a dor e o desespero de um jovem devastado, mas que se cura de maneira cruel pela vingança nua e crua.

Seu protagonista, o príncipe Jorg, é o ponto forte do livro. Nos personagens que conhecemos de fantasia dark abundam o contexto do anti-herói, personagens que têm que suportar muitos infortúnios ou outros que se traem uns aos outros para obter mais poder. Dentro desta expectativa, Jorg é muito mais do que esses personagens típicos, já que é um personagem realmente cruel, distorcido, um anti-herói que se aproxima em muito de um vilão ou mesmo uma linha tênue entre os dois caracteres.

O autor

Narrado do ponto de vista de Jorg, Prince of Thorns aborda ao longo do livro os motivos de muitos atos desprezíveis que ele realiza ao longo do livro. Saber de seus atos é uma coisa aterrorizante e de tudo que Lawrence nos apresenta, a cabeça de um menino que é louco e que está disposto a fazer qualquer coisa para cumprir seus objetivos, até matar aqueles que chama de seus “irmãos”. Escrever um personagem tão obscuro é perigoso, porque é provável que gere uma rejeição imediata; e aconteceu, muitos leitores se destacam nas críticas negativas que pararam de ler, depois do primeiro capítulo, por causa da crueldade inserida nele. Entretanto, para um livro de fantasia sombria, com temática adulta, é um absurdo esperar que Jorg seria um príncipe nobre e bondoso.

Além disso, à medida que a narrativa se desenvolve, sabemos as verdadeiras razões que levam o príncipe a ser tão implacável, pois há capítulos em flashbacks que narram os eventos ocorridos quatro anos antes da trama principal. Capítulos que dão mais profundidade ao protagonista, embora de uma forma um pouco confusa, especialmente no início do livro.

Outro aspecto importante é o cenário. A história se passa no The Broken Empire, um mundo medieval completamente desolado povoado por mutantes, zumbis e esqueletos ressuscitados; em que diversos reis lutam entre si aparentemente sem sentido. No início, é um pouco estranho, porque o cenário tem semelhanças com o nosso mundo: há um filósofo chamado Plato (em vez de Platão), personagens que rezam para Jesus, há referências a outras culturas, como os espartanos, os gregos, os bárbaros teutônicos ou figuras como Davi e Golias. Isso torna a compreensão das diferentes culturas e costumes do universo deste livro bastante acessível, já que não há a necessidade de aprender muitos nomes estranhos como acontece na maioria dos livros de fantasia.

Mesmo assim, por estes aspectos, apresenta algumas falhas. As descrições confundem, pois o autor aborda muitas explicações sobre seu universo fictício, mas se concentra em nos contar tudo o que Jorg faz, o que é lógico, e assim não desenvolve outros personagens, exceto por pequeno desenvolvimento de um único caracter secundário, o resto praticamente não difere muito um do outro.

Fan art de Eoin Colgan.

Apesar desses pequenos inconvenientes, é uma narrativa convincente, um bom começo para uma trilogia de fantasia sombria, com um protagonista bem desenvolvido e um contexto bem diferente. Embora muitos detalhes sejam perdidos no desenvolvimento do mundo, Jorg é um personagem espetacular e muito mais complexo do que o cruel garoto sedento por sangue que conhecemos a princípio.  Quem estiver procurando por um livro estrelado por um vilão, a leitura é recomendada.  .

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here