Review | O Aprendiz de Gutenberg, de Alix Christie

A imprensa foi um dos saltos tecnológicos mais importantes para a humanidade. Foi fundamental no desenvolvimento de momentos históricos como a Renascença, a Reforma e na Revolução Científica, como também lançou a sedimentação para a moderna economia baseada no conhecimento e na disseminação em massa da aprendizagem. Gutenberg entrou na História com aquela invenção. Mas em tempos de conflitos religiosos, luta de classes e a ameaça otomana, será que foi tão somente Johannes Gutenberg que desenvolveu este sistema tão revolucionário?

E é isso que Alix Christie traz em seu O Aprendiz de Gutenberg, seu primeiro romance, um sucesso pelas revelações que traz, uma ficção histórica que revela se não fossem o rico mercador Johann Fust e o escriba Peter Schoeffer, Gutenberg não teria conseguido desenvolver o sistema mecânico de tipos móveis. Provocativo pelo choque da revelação. O livro se baseia em fontes históricas para narrar sua história. Através da invenção, temos uma narrativa de intriga e traição, rica pela atmosfera e pelos detalhes históricos, contada através da vida dos três homens que tornou possível a imprensa.

Tendo como cenário Mainz, a antiga Mogúncia, uma cidade livre às margens do Reino, onde as corporações de ofício travavam uma batalha contra o poder da Igreja, a cidade padecia e seu destino era incerto. E em uma das diversas oficinas que a cidade possuía, algo ocorreria que mudaria a História. Um jovem copista, Peter Schöffer, ambicioso, acaba de chegar de Paris, onde trabalhou como escriba, convocado pelo pai adotivo, Johann Fust, que estava financiando uma incrível empresa: a reprodução de livros idênticos. Assim, o protagonista se torna discípulo de Johannes Geinsfleisch (João Carne de Ganso), mais conhecido como Gutenberg.

A narrativa explora esse momento crucial, guiada por um grosseiro e conflituoso Gutenberg, os personagens desenvolveriam as técnicas necessárias para produzir os livros impressos. Alix Christie apresenta uma perspectiva histórica incrível que se reflete mesmo em nosso tempo, quando tratamos de nomes como Bill Gates e Steve Jobs, em relação à teimosia e à inovação frente às revoluções que fizeram.

Inspirada nesses dois grandes nomes do Silicon Valley e embassada na pesquisa histórica que fez, Christie modela Gutemberg, humanizando, pois como um nome rodeado de mistério e fama, seria difícil imaginá-lo de “de carne e osso”, o que a autora faz descrevendo seu modo de vida, seus vícios e gostos. Entre acessos de fúria e de determinação, naquela oficina de ferreiro, moldou e aperfeiçoou os caracteres com o dinheiro de Fust e a arte de Schoeffer. Tudo isso sendo narrado pelo jovem Peter, em sua velhice, do período que conheceu o inventor, oferecendo uma perspectiva madura sobre seu mestre.

Estruturado como um reflexo do primeiro livro que os personagens buscavam reproduzir, a Bíblia Sagrada. O aprendiz de Gutenberg consta de cinco arcos narrativos, nomeados de acordo com os textos bíblicos, como o Pentateuco, onde a escritora estabelece um diálogo entre a sua narrativa e os componentes da história de forma brilhante, conseguindo uma imersão do leitor no período que desenvolve a narrativa.

Falta um antagonismo mais claro, o que prejudica a leitura após a primeira metade, fazendo perder um pouco do mistério e da trama envolvente que o jovem copista tem com sua profissão e a tradição literária de séculos frente à revolução da imprensa. Uma ficção histórica de primeira linha, bem vívida e que pode ser bem explorada por sinal. Recomendo a leitura!

Leia outros de nossos reviews, críticas e noticias!

REVER GERAL
Nota
8

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here