Review | King of Thorns de Mark Lawrence

Depois de assassinar seu tio e garantir um pequeno reino nas montanhas, o jovem Jorg agora encara um inimigo carismático e poderoso – o Princípe de Arrow –, que parece destinado a reunir o Império Destruído. Um exército de seis nações abraça a causa. Todo homem decente reza para que esse herói cure as feridas do passado. Todo bom rei sabe ajoelhar-se quando as chances não estão a seu favor, mesmo que seja para salvar seu povo e suas terras. Mas o rei Jorg não é um bom rei.

Assim temos ideia do que encontraremos em King of Thorns de Mark Lawrence, o segundo volume da Trilogia dos Espinhos que a DarkSide publicou. Há alguns meses, resenhamos o primeiro volume, Prince of Thorns, um romance de fantasia, num tom mais adulto e sombrio, estreia do autor, que é uma boa maneira de entender o novo formato do gênero. O livro aborda a figura enigmática e repugnante de Jorg, um claro exemplo do melhor que você tem que dar literatura fantástica hoje. E Lawrence mostrou ser um autor  habilidoso e competente, com uma prosa poderosa, caracterizações elaboradas e eficazes, e uma coragem para trazer uma narrativa com um anti-herói moralmente cruel como protagonista.

Assim o autor retorna à fórmula do livro anterior (ou seja, excelentes cenas de ação, um protagonista cada vez mais impiedoso e um intrigante sistema mágico) e começa a se aprofundar no universo do Império Destruído. Do primeiro volume foi deixado uma trilha carregado de cadáveres, gemidos, fantasmas e espinhos encravados na pee do protagonista e do leitor.

Em King of Thorns, a narrativa progride estruturalmente, sendo mais complexa e menos linear do que Prince of Thorns. A história alterna entre o presente, no qual o reino que Jorg conquistou sofre um assédio de seus inimigos e cenas do passado, onde o agora crescido rapaz lembrava de momentos após o fim do primeiro volume e o assédio. Jorg, o protagonista e narrador, que achei muito melhor do que na primeira parte, evolui em muito, a forma incerta que se refere a segredos obscuros na sua mente, tão atrozes que nem sequer se lembra deles, é um recurso bastante interessante para a história.

O personagem tem os seus dezoito anos completos e está perto de se casar; e isso ocorre, quando um enorme exército, do Príncipe de Arrow, está indo em direção ao território que conquistou. Jorg é uma mistura perfeita de assassino, déspota e poeta, constituindo uma das vozes narrativas que mais me empolgou recentemente. Um personagem muito mais complexo, que em sua maturidade monárquica, possui complexidades morais bem mais labirínticas. Lawrence escreve com sutileza e lirismo, sendo ao mesmo tempo eficaz quanto elegante, permitindo conhecer o seu protagonista por inteiro e não detalhei mais para evitar spoilers, mas neste volume temos um atento relacionado com a saúde mental de Jorg.

Outra aspecto que o autor revela é mais detalhes do misterioso Império destruído e a estranha magia que alguns habitantes possuem. É um romance mais complexo em todos os sentidos, tem mais páginas do que o primeiro livro e o enredo é muito mais elaborado: enquanto o primeiro livro passou a sensação de ser uma jornada de Jorg do ponto A ao ponto B e apresentação do protagonista, King of Thorns começa a mostrar as forças reais por trás da Guerra dos Cem e do real inimigo.

Para quem gostou de Prince of Thorns, vale a pena mencionar que este segundo volume é tão ou mais violento que seu antecessor, batalhas sangrentas que superam as atrocidades da história passada do menino torturado. Também há uma alteração no formato narrativo estabelecido pelo seu antecessor, não é só o príncipe que narra a história, sua amada Katherine, o que acrescenta um contraste mais racional aos acontecimentos manchados de ódio e remorso do jovem monarca.

Outro aspecto que devemos enaltecer é que desta vez os personagens secundários recebem um pouco mais de atenção do autor. No primeiro volume, com exceção de Makin (o segundo no comando), a sensação era que nenhum dos outros personagens importava. E neste livro, o agora rei Jorg interage muito mais com seus “irmãos”, e conhecemos um pouco mais do que eles fizeram antes de se tornar do bando do rei sanguinário.

Por fim, a história resultante destes aspectos apresentados, deixa o leitor preso até o seu (surpreendente) final, que poderá não nos descontos do romance, não seja tão surpresa para os fãs de fantasia. Entretanto, pela qualidade de sua história, pela eficiência e elegância da maneira literária de Lawrence, pelos pensamentos e decisões de um dos personagens mais envolventes e interessantes da literatura de fantasia, por este conjunto de razões e outros, King of Thorns é, na minha opinião, um dos melhores livros que li este ano e já estou lendo o último volume, Emperor of Thorns para fechar a saga e repassar minha opinião aqui.

.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here