Review | Imperdoável, O poder do medo de Mark Waid e Peter Krause

RESUMO: Plutonian é o homem mais poderoso do mundo, que de repente, muda, se torna maléfico e acaba destruindo cidades e assassinando arbitrariamente os heróis que usou para ajudar na sua busca por um mundo melhor. Os heróis consideravelmente mais fracos assumem a responsabilidade de salvar o máximo possível, tentando aprender o que pode derrotar o ex-herói, chegando ao ponto de procurar seu maior inimigo que, por diversas vezes, chegou perto de matá-lo.

Uma leitura prévia, por meio de scan desta série já tinha me impressionado. Agora, com a leitura completa do primeiro volume de Imperdoável teve um efeito catártico. A ideia era tão boa quanto simples, e me perguntei como ninguém não pensara antes? E não me refiro ao momento passado pelo protagonista, que vai de herói a vilão, mas ao desenvolvimento dado à situação pelo roteirista experiente Mark Waid. Os heróis que se tornam vilões e vilões se tornando heróis não é uma fórmula nova, já vi grandes heróis caírem, como foi o tormento que aconteceu com Jean Grey, entramos aqui com algo realmente novo, diferente no mundo dos quadrinhos, onde o herói ultrapassou aquela fronteira que o Superman sempre se limita e os autores retratam passo a passo, o que ocorreu para ele chegar àquela situação, a corrupção de um grande herói que se tornou o terror de seus ex-colegas de batalha e para aqueles que uma vez o adoraram por suas proezas.

Publicado pela Devir, Imperdoável, O Poder do Medo, o título foi publicado pela Boom! Studios, entre 2009 e 2012, nos EUA. É a retomada da editora para este título, a editora fez um recall para trocar a edição anterior por essa com 50% de desconto. Esta edição traz várias capas alternativas e um posfácio especial escrito pelo cultuado escritor de quadrinhos Grant Morrison.

A história surgiu da necessidade de explorar precisamente essa queda, um caminho de um super herói atormentado, já experimentado em Kingdom Come, e Mark Waid reflete em um podcast sobre: “O que aconteceria se o Capitão América se tornasse o Doutor Destino? E Superman Lex Luthor?  Como você era o maior herói do mundo – alguém que todo mundo conhece, ama e admira – e se tornasse o maior vilão do mundo? Qual foi o caminho para isso? Não é algo como um interruptor de luz, nem é algo que você acorda uma manhã e se tornou um vilão a partir daquele momento.” No ano que comemora os 80 anos da criação do Super-Homem (DC Comics), Imperdoável questiona e apavora: quem estaria seguro se um super-herói superpoderoso, quase um deus, e, em algum momento, perdesse o juízo? O que tornaria imperdoável?

A verdade é que a linha que separa o herói e o vilão é tão tênue que supondo o fato de um dia ruim ou algo que o afete possa gradualmente corroer sua integridade até que a linha seja cruzada.  E sem retorno, isto é o que vai acontecer com o Plutonian, que fatigado de certos eventos e pela maneira que seu empenho não é valorizado, e as provocações à sua pessoa ou ao que defende, cai ao lado escuro, aniquilando a todos que estão em seu caminho.

Waid apresenta o protagonista como um ser hiper violento, sem remorsos, totalmente imprevisível e disposto a erradicar todos aqueles que uma vez lhe fizeram mal, e isso é basicamente o que encontraremos neste primeiro volume, que reúne o primeiro arco narrativo da série. O autor usa de flashbacks para passar o real motivo da mudança de caráter, as consequências daquela mudança. Entre os momentos, dois merecem destaque: a reação da namorada do personagem em uma daquelas lembranças do passado, um momento tão lógico quanto inteligente e o assassinato da esposa e da filha de um herói pela visão de calor em sua frente, violento e terrível.

Sobre o trabalho de Mark pouco podemos falar, é sensivelmente excelente. Já li alguma coisa sobre algumas declarações que dizia está cansado do gênero superheróico, porém não há forma melhor de colocar em dúvida o que autor disse, com o que faz ao realizar este projeto. Um terreno onde pôde explorar alguns conceitos que as grandes editoras dificilmente iriam deixá-lo desenvolver. E que encontraremos muito mais nas outras edições que serão lançadas.

Se o trabalho de Mark é admirável tanto pela tensão que tece em suas narrativas como pela criação de personagens e seus entornos psicológicos e físicos, o artista consegue imprimir ao título um estilo clássico que se ajusta com perfeição ao tipo de narrativa que Mark conta. Peter Krauss não era conhecido quando foi publicado Imperdoável. O desenhista tinha trabalhado na DC Comics em vários como: The Power of Shazam!, Metropolis: Special Crimes Unit, Star Trek: The Next Generation, Adventures of Superman, Superboy e Birds of Prey. Irredeemable foi sem dúvida o trabalho que alavancou sua carreira, com um traço que molda tanto cenas de diálogos como aquelas carregadas de ação,  mas convencional como uma daquelas HQs dos anos 1970 de super-heróis, mas que brilha com as cores de Andrew Dalhause.

Imperdoável (Irredeemable, tradução de Marquito Maia) é uma ótima série, tanto que recebeu a premiação das quatro nomeações que recebeu no Eisner 2010: Melhor Série Regular, Melhor Nova Série, Melhor Roteirista (Mark Waid) e Melhor Capista (John Cassaday), os autores retratam maravilhosamente a falta de esperança da populaçao do planeta e dos heróis que não podem competir com o poder do novo vilão.

Como conclusão, se você gosta de quadrinhos de super-heróis com um olhar bem mais cruel, recomendo a leitura.

 

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