Review | Elric: O Trono de Rubi

O termo Espada e Feitiçaria foi cunhado à muito tempo para descrever um dos gêneros mais amados por leitores de todo o mundo, com características facilmente identificáveis, como, personagens carismáticas, batalhas épicas, belas mulheres e sangue, muito sangue em combates recheados de ação.

Robert E. Howard

Tendo em Conan um dos seus representantes mais bem conhecidos e na figura de Robert E. Howard (o criador do personagem lançou sua primeira história do Cimério em 1932) praticamente um fundador do termo, é inegável a influência que ele exerceu nos anos que seguiram e foi essencial para autores que hoje são referências para histórias de fantasia, J.R.R. Tolkien, George R.R. Martin, Esteban Maroto e Michael Moorcock.

Dito isto, chegamos à esta bela obra/adaptação dos contos do mestre Michael Moorcock, um dos influenciadores na criação do termo Espada e Feitiçaria no início dos anos 60 junto com Fritz Leiber, Moorcock criou o personagem Elric de Melniboné em 1972, com o romance Elric: O Príncipe dos Dragões, nos apresentando ao reino ancestral de Melniboné.

Os Melnibonianos possuem traços e físico que lembram os elfos, porém não são bondosos e gentis como os descritos nos contos de Tolkien, eles usam de tortura e escravizam humanos com requintes de uma crueldade sem limites, exímios feiticeiros, conquistadores inescrupulosos e liderados pelo herdeiro do trono Elric, O lobo branco.

A liderança de Elric é questionada desde o início pelo irmão de sua esposa Yyrkoon, que alega que os Melbonianos se acomodaram à vida de mestres de escravos e perderam o respeito dos outros reinos, sendo invadidos por bárbaros constantemente, Yyrkoon ainda diz que Elric não é digno de sentar no trono de rubi por não possuir a força necessária para estar na frente de batalha junto dos soldados.

E de fato, Elric é um regente de saúde fraca, albino e com o sangue amaldiçoado, porém, ele é um conhecedor de feitiços arcanos e poderosos e junto com sua esposa Cymoril conseguem manter sua saúde em um nível aceitável com a ajuda de sangrentos rituais com sangue humano, portanto não espere encontrar em Elric aquele herói nobre de armadura resplandecente e cavalo branco, Elric é egoísta e possui seus próprios desejos.

Primeira página da saga de Elric

Após Elric conseguir liderar seu exército e impedir uma invasão de bárbaros ao reino, em um golpe manipulado pelo seu cunhado sua feiticeira e esposa é sequestrada e Elric precisa de toda a ajuda dos Lorde do Caos e todo feitiço profano que ele conhece para se manter de pé e resgatá-la.

Logo nas primeiras páginas da HQ podemos entender porquê essa adaptação é considerada a definitiva até pelo próprio criador do personagem, durante os anos foram feitas várias adaptações em quadrinhos dos romances de Moorcock, mas nenhum com a profundidade e nível de detalhes que foram proporcionados aqui pelo time de desenhistas, é uma imersão completa que temos na impressionante arte, nos personagens e em suas histórias.

E outro ponto à favor de nos causar toda essa experiência é o acabamento de luxo do novo selo Gold Edition da Mythos que nos traz um formato gigante (31cm x 23cm) ampliando nossa visão aos detalhes de cada arte e cada página dos acontecimentos que se desenrolam na saga do lobo branco.

A edição da Mythos encaderna dois volumes que foram lançados na Europa sob o selo da Glénat, e já estão confirmados os volumes 3 e 4 que também sairão em mais um encadernado de luxo, na Europa está sendo lançado o volume 4 ainda então podemos esperar mais Elric e mais sangue jorrando pelas páginas.

Fácil, uma das melhores leituras de 2017! Elric e o Trono de Rubi! Indicado para todo fã de Conan, Game of Thrones e fantasia medieval.

“Captou a noção de completa decadência de Elric. A saga do albino que eu mesmo teria escrito caso tivesSe pensado nela antes!” – Michael Moorcock

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