Review | Capuz Vermelho e os Foragidos, vol. 1

Foi durante os anos 1990 que li pela primeira vez Scott Lobdell com o seu trabalho com os mutantes da Marvel Comics. A Era do Apocalipse e sobretudo a série da Geração X. Jovem e atrevido, gostava de sua forma de tratamento aos personagens e costurar tramas.

O tempo passa e o autor reaparece com duas séries para os Novos 52 da DC Comics. Um problema surgiu com Lobdell, pois ao assumir a crítica já dizia que ele não era capaz de escrever nada tão coerente como antes e contra todo prognóstico assumia a série do Capuz Vermelho e dos Titãs. Li grande parte dos arcos das 52 coleções da DC, e como os Titãs eram xodó, li a série escrita por Lobdell. E descubro que não eram só rumores. Seus Titãs são uma forma deformada do que já foram a equipe, enquanto a série de Red Hood alcançou um nível, que desistir após alguns números.

E chegou a era Rebirth. Algo que na DC significa muito mais que um renascimento, um amparo para dar esperança aos leitores antigos e aos novos. Novas séries, novos enfoques, equipes criativas centradas e conscientes da tarefa que irão realizar, cujo resultado aparece em séries que em geral mantém um nível bom. Entre elas, está a dedicada de novo ao personagem de Jason Todd, o segundo Robin, agora conhecido por todos como Capuz Vermelho (Red Hood) estando seu destino ligado de novo a Scott Lobdell. E vamos enfrentar a leitura desta HQ de Lobdell após as experiências anteriores. Lobdell peca de um estilo que se caracteriza pela saturação de diálogos. Sua obsessiva forma de contar faz com que cada um dos personagens que apareçam digam algo. Pode ser relevante ou não, mas devem falar. Mesmo assim, suas séries sempre escapam do cancelamento, enquanto outras, de uma qualidade melhor, padecem. Mistérios do mercado.

Voltando ao volume 1 de Capuz Vermelho e os Foragidos, da Panini Comics, temos uma grata surpresa e não é que Lobdell rompe com os argumentos simples e a caracterização enfadonha de anos passados, fazendo de forma bem eficaz uma trama que será bastante interessante pelo desenvolvimento apresentado. O roteirista compreende perfeitamente a relação de Jason com Bruce, a relação entre Robin e Batman e a relação entre o Capuz e o Homem-Morcego. São três aspectos que consegue reunir de forma clara e concisa, deixando claro quem é quem e como ambos estão sempre em confronto. O autor tece maravilhosamente a caracterização dos personagens, resultando numa tridimensionalidade incrível. Será que após tantas críticas o cara amadurece e cria um interessante transfundo ao arco narrativo. Além de compor novos cenários ao passado do personagem com os quais forma um todo bem coeso na atualidade, em especial a questão do Bizarro e da Ártemis serem a contraparte do Super-Homem e da Mulher-Maravilha.

Obviamente Lobdell é Lobdell e seu estilo segue presente nos textos de apoio, dando forma aos pensamentos de Jason, que não prejudicam a leitura e ajudam o desenho eficaz de Dexter Soy. Desgarrado, dinâmico, intenso, com um traço equilibrado que complementa a perfeição com o que Lobdell quer desenvolver, sendo o resultado bem atraente.

Afinal, Capuz Vermelho e os Foragidos surpreende por Lobdell romper, com uma história atraente, que reúne a tal Trindade Sombria e que promete.

REVER GERAL
Nota
8

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