Review | 18 Days de Grant Morrison

Um assunto que sempre chamou minha atenção foram as narrativas que tratam de mitologia, seja as ocidentais, como a nórdica ou a greco-romana, ou as orientais, como a japonesa ou a hindu. E quando foi noticiado que Grant Morrison estaria fazendo uma  versão em quadrinhos do grande épico indiano O Mahabharata, o desejo de ter esse material em mãos foi enorme, porém não saiu por aqui e o que consta não está nos planos de nenhuma editora brasileira

O roteirista escocês conhecido por obras como Grandes Astros Superman, Liga da Justiça da América, Batman e Action Comics, traz o seu 18 Days, uma história de três gerações de super-guerreiros, reunidos para uma batalha final. Tive que contentar com algum material scanneado, mas logo deu para pegar um encardenado importado desta graphic novel. Edição da Dynamite Entertainment, em capa dura, a releitura do mito hindu, que segue o curso da guerra que conclui a era dos deuses e inicia a era do homem, travada por guerreiros divinos envolvendo questões muito humanas em uma escala gigantesca.

A narrativa do Mahabharata é de conhecimento comum entre aqueles que vivem no oriente, mas relativamente desconhecido para o ocidente. 18 Days sendo fiel ao título, cobre, mais precisamente a guerra travada entre os cinco irmãos Pandavas (Yudhishthira, Arjuna, Bhima, Nakula, Sahadeva) e os Kauravas.  Encontramos no título uma ótima apresentação desses personagens mitológicos e seus relacionamentos, o ambiente em que vivem e as circunstâncias que levaram à guerra que terá repercussões maciças sobre o universo, o cosmos e, de fato, na vida na Terra com do fim da idade dos Deuses e o surgimento da idade do homem.

Um HQ que merece a atenção de alguma editora brasileira, mas não iremos tratar muito do arco narrativo, de certa maneira segue a narrativa épica do poema hundu, mas sim da variedade e originariedade dos personagens e o cenário desenvolvido pelo autor, cada ilustração repassa uma sensação diferente, como se estivessemos assistindo Avatar do James Cameron pela primeira vez.

O que Morrison faz é incrível, sua imaginação é tão livre que em 18 Days se solta literalmente. Cria uma tecnologia que mescla os princípios das antigas escrituras hindus com uma ciência futurista. Essa fusão de conceitos antigos com tecnologia de ficção científica é uma das melhores características da narrativa gráfica. Numa escrita não-linear, típica de Morrison, e completamente descritiva, o autor aborda os grandes guerreiros hindus em toda a sua grandeza e glória, o que causa um excesso de épica, dando a impressão de exagero. Mas a verdadeira grandeza está na arte desta HQ, que é feita de maneira excepcional por Mukesh Singh. Ele é, com certeza, a estrela por trás de todas as magníficas ilustrações e esboços que estão generosamente espalhadas por mais de cem páginas e cada uma é digno de babar. Os desenhos foram feitos nos mínimos detalhes e as cores são essencialmente vibrantes. A arte é uma das melhores que já vi e comparável ou até melhor do que Jae Lee, Andrea Sorrentino, Greg Capullo entre outros. O indiano aplicou brilhantemente sua habilidade e seu conhecimento para criar verdadeiras obras-primas a partir da visão de Morrison. Verdadeiramente inspirado!

As imagens já dizem tudo, não? Espero ver mais material desse indiano. Enquanto isso, aguardemos alguma editora publicar esse material, uma obra-prima com Grant Morrison fazendo sua releitura do Mahabharata com influências extraídas do sci-fi, steampunk e da cultura dessa colcha de retalhos que é a Índia.

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