Review | Labirinto de A.C.H. Smith, Jim Hensem e Brian Froud

Nem sempre o mais importante são as respostas que buscamos, mas sim as perguntas que fazemos.

Hoje o Mundo Hype apresenta um livro carregado de boas referências e influente no meio artístico. LABIRINTO editado e distribuído no Brasil pela Darkside Books, traz uma novelização do clássico filme dos anos 80 LABIRINTO – A MAGIA DO TEMPO. Com direito a Jennifer Connelly e David Bowie nos principais papeis. O Time responsável pela produção do livro é ninguém menos que A.C.H Smith (Escritor e dramaturgo inglês), Jim Hensen (Criador dos Muppets, Vila Sésamo e Família Dinossauro) e Brian Fround (Responsável pelas inéditas ilustrações dos duendes exclusivo desta edição). Além do tom de clássicas fábulas, a edição deixa uma série de metáforas que exigem uma atenção especial do leitor.

Acompanhamos a vida da protagonista Sarah que no auge de seus 15 anos, vive toda a dramaticidade que sua vida exige para esse momento. Filha de pais separados, Sarah claramente prefere as escolhas de sua mãe atriz, ao invés da vida que leva seu pai, (mesmo morando com ele) junto a sua madrasta e seu meio irmão Toby. Aos olhos de Sarah sua vida não tem sido muito fácil, tudo parece complexamente desajustado. Não vive a vida que deseja e nem gosta o suficiente da vida que possui. Mesmo em sua adolescência rebelde, Sarah não deixou (assim como a maioria das pessoas) sua imaginação amadurecer, ela ainda admira seus vários mundos imagináveis com seus monstros, animais fantásticos e realeza, seu quarto é seu palco e sua mente reproduz tudo que acha pertinente para seu universo.

LABIRINTO - A.C.H. SMITHEis que um dia (Assim como de costume) Sarah é obrigada a tomar conta de seu meio irmão mais novo (ainda um bebê) enquanto os adultos saem a noite. E em um de seus desabafos jogados ao vento, ela disse a frase que não poderia ser dita de forma alguma, pois criaturas escondidas há tempos aguardavam por esse momento. O desejo de Sarah era que seu meio irmão desaparecesse, e foi atendido de uma forma mágica, macabra e surpreendente, por ninguém menos do que o Rei dos Duendes, Jareth.

No exato momento, tudo que Sarah conhecia como verdade foi posto a prova. O rapto de seu irmão fez Sarah refletir que sua frase foi dita no calor do momento, algo da boca pra fora, porém Jareth deixa claro que se deve tomar muito cuidado com o que deseja. Jareth levou seu irmão e exigiu que Sarah fizesse seu jogo para poder resgatar o irmão em apenas 13 horas, ao passar disso o pequeno Toby se tornaria o mais novo Duende do exército de Jareth.  A regra era muito simples, atravessar o labirinto do rei dos duendes e chegar no castelo central antes de 13 horas. Não apenas era necessário sorte no caminho, mas também superar as criaturas que lá habitavam.

O livro tem dúzias e dúzias de diálogos importantes e reflexivos. Sarah não vive apenas tormentos em sua saga, claramente o autor procura através de metáforas explanar um pouco dos sentimentos da jovem. Como é passar por esse momento na adolescência, seus medos, seus lamentos, coisas que perdem valor, novos sentimentos, coisas que se tornar importantes e primordiais. O autor adapta muito bem o sentimento da adolescência egoísta, o “Não aceitar que está crescendo e deixando de ser a criança que tinha atenção plena” e começar a enfrentar questões morais difíceis da vida adulta. Em variadas partes, a obra bebe muito da mesma fonte que um dia Lewis Carroll usou para criar o universo de Alice no País das Maravilhas. Impossível não relacionar Sarah com Alice, ambas vivem em um novo mundo, descobrindo como as pessoas podem ser amigas e cruéis. A relação de confiança da personagem também é abordada muitas vezes, e não era pra menos, basicamente o caminho de Sarah é feito não apenas em confiar no outro mas aos poucos em confiar em sí mesma.

Fazendo uma relação direta com os problemas da vida, o autor nos deixa bons conselhos através de sábios personagens, e a lição que fica é: Nem sempre o mais importante são as respostas que buscamos, mas sim as perguntas que fazemos.

Por mais frenético e reflexivo que seja o livro, a obra ainda peca em alguns campos como: A dificuldade em ambientar uma sequência de caminhos (Muitas horas o vai e vem dos cenários deixam um pouco confuso, por mais detalhada que seja, fica difícil montar um trajeto percorrido). Horas a narrativa é detalhada demais  (Alguns capítulos se arrastam pela vontade do autor de que o ambiente seja totalmente imaginado pelo leitor, porém, diálogos enfadonhos e exagero nos detalhes, fazem por hora uma leitura mais arrastada). Referências à clássicas histórias (Talvez por relacionar Sarah com Alice, nada se torna surpreendente, nasce até uma ponta de decepção por não ser tão original, beirando um pouco o típico Deus Ex Machina)

LABIRINTO - A.C.H. SMITHO importante é deixar a mente aberta para o universo apresentado e tentar curtir tanto quanto sua idade e experiências literárias permitirem.

Os desafios do Labirinto exigem não só destreza, mas também raciocínio e uma boa dose de sorte. Aos fãs de literatura infanto-juvenil encontrará também similaridade no 4º volume da saga Percy Jackson e a Batalha no Labirinto. Suas armadilhas e personagens nos lembra um pouco o mitológico Labirinto de Dédalo.

Os claros pontos positivos do livro, talvez seja por conta de seu tamanho, relativamente curto. A edição da Darkside nos apresenta aquele tratamento diferenciado em capa dura e letras douradas na capa. O livro traz um diferencial não apenas para a leitura, mas também para compor e embelezar sua estante.


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Assista ao trailer do filme: LABIRINTO – A MAGIA DO TEMPO

REVER GERAL
Nota
7
Leitor compulsivo, bebedor de café e entusiasta quando se trata de leitura. Técnico em Marketing por formação e Locutor por paixão. A minha missão declarada é te tornar um leitor tão apaixonado quanto eu. A leitura é uma fonte inesgotável de conhecimento, todo livro é interessante, basta conhecer a si mesmo!

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