Review | João do Pum de Mario Prata e Caco Galhardo

Antes de você, leitor, se perguntar, sobre o por quê, venho lembrar que a porta de entrada para o mundo dos livros está na literatura infantil. O acesso e o entendimento dessa literatura garante aos leitores uma experiência que levará mais tarde ao processo crítico da leitura. E retornando ao passado, mais precisamente, quando tinha meus 5 anos, minha mãe trouxe da capital um livrinho “O Homem que Soltava Pum”, do Mario Prata, uma história bem engraçada que recebeu uma nova roupagem recentemente.

Minha mãe sempre trazia quadrinhos e livros diferentes e a formação de minha leitura, passava de O Menino Maluquinho ao Sítio do Pica Amarelo como também títulos como esse “O Homem que Soltava Pum”, ou o Marmelo, Martelo e Outras Histórias, o Lúcia Já-Vou-Indo, o Raul da Ferrugem Azul, entre outros que guardo com carinho em minha memória e minha estante.  Pois bem, dentre todos eles, um dos mais engraçados e que passou por boa parte da minha turma da escola, o do Mario, foi o que mais rodou e carcomido, se perdeu pelo tempo.

Recentemente, vi que a Companhia das Letras iria lançar um tal de João do Pum e não era que o Mario Prata estava novamente a frente de um título com flatulência no meio. Rsrsrs. O texto original é de 1983, que ganhou no selo Companhia das Letrinhas uma recauchutada, um novo título, mais sugestivo para a criançada e novas ilustrações, as anteriores eram do Patrício Bisso, agora pelo cartunista Caco Galhardo.

O tema escatológico de João do Pum cria esse clima divertido que ultrapassou décadas e que ainda traz boas risadas para o público ouvinte. A história de um senhor que vive sem soltar um pum, de seu cotidiano, em casa, no trabalho e na rua é o principal motivo de encontrar a próxima situação engraçada que o personagem vai viver. Além das situações divertidas, temos na trama, um pouco do bulling sofrido por possuir aquele “defeito” e a reviravolta final, que será motivo de orgulho para toda a cidade, que antes só gargalhava.

Na contramão do “Não pode soltar pum!”, o personagem vai soltando bufas e traques pra todo lado e o melhor, sendo um modelo para toda a cidade. o motivo? Vão ter que ler, sem spoilers. Analisando mais a fundo essa abordagem vemos a desconstrução de estereótipos sócio-educacionais, que são impostos para a criança deste cedo. Também vemos o tema da contradição sendo utilizado para mostrar que o mundo possui diferenças e que há o cômico, o irônico para co-existir em meio ao momento turbulento que vivemos atualmente.

As ilustrações recheiam a história surreal, de maneira psicodélica, com cores vibrantes e um traço forte, narrando novas piadas e aumentando o escracho presente na narrativa.

Por fim, só digo: leiam!

REVER GERAL
História
10,0
Ilustração
8,0

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