PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN - MULTIVERSO NEWS

O que fazer quando seu próprio filho o rejeita? O que pensar quando uma criança que saiu de você, que deveria te amar, possui um ódio intrínseco sem pretexto? É basicamente isso que a escritora Lionel Shriver nos mostra em Precisamos falar sobre o Kevin. Um filho, uma rejeição pela própria vida e uma chacina que mudou pra pior a vida de todos a sua volta.

Existem várias e várias explicações religiosas/científicas sobre o porquê de certas pessoas, desenvolverem ainda quando bebê uma personalidade tão arredia e incomum. O livro trata muito bem a questão do relacionamento familiar perante dificuldades desse tipo, nos apresentando problemas relativo a criação que se desenvolvem por causas ainda desconhecidas.

Na história conhecemos o casal Eva e Franklin, um casal muito bem estruturado financeiramente, que se amam e se respeitam mesmo com tantas diversidades. Mesmo com suas vidas satisfatórias, falta algo que Franklin julga ser o primordial a uma família, faltam os filhos!!! Eva uma mulher independente dona de sua própria empresa de viagens, nem cogita a possibilidade de ser ver mãe dentro da rotina e momento em que ela se enxerga, o que desencadeia uma série de discussões do casal em relação a montar sua própria família. Tempos depois mesmo com tantas divergências sobre o assunto eis que chega a representação do amor de todo casal que se ama, o tão sonhado ou não Kevin.

Um dos maiores problemas apresentados no livro mesmo que sutilmente, é o fato de uma mulher escolher ser mãe por pressão familiar, ou por outros fatores como idade e cenário social que pinta a família padrão. Vemos também o peso que carrega uma mãe de um delinquente juvenil, por sua suposta negligência tutelar. Um ponto a se prestar atenção é a importância e influência também parte do Pai que tem total influência nos acertos e erros de uma criação.

Um dos princípios mais interessantes do livro é justamente a forma como é apresentado a história, o modo de narrativa, vai e volta no tempo e mesmo não possuindo uma variação de adrenalina, esse modo nos prende por justamente ser apresentado dessa maneira literalmente “morna”. Cada capítulo temos como título uma data específica em que Eva escreve cartas ao seu marido, fomentando ainda mais o suspense e curiosidade pra saber o que acontece de fato. Recheado de detalhes micros e macros, exige do leitor total atenção as idas e vindas no tempo pra que se aproveite melhor o contexto.

A sinopse do livro chama atenção para o acontecimento principal da trama, beirando um leve spoiler, já que ao longo do livro não se sabe de primeira o que aconteceu, uma jogada de marketing que sem querer deu certo.

Como de praxe, venho sempre com o máximo de sinceridade sobre tudo que apresento aqui, e com PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN não seria diferente. O livro possui um pouco mais de 400 pg o que permite que seja recheado de detalhes e devaneios da personagem principal. A história da mesma forma que corre um tempo até rápido dos fatos, apresenta os principais problemas quase que a conta gotas. Isso é ruim? Isso atrapalha o entendimento do livro? Definitivamente não!!! Achei até que o que torna o livro diferente é justamente isso, tempo suficiente pra que o leitor mature a ideia e desenvolva um sentimento pelos personagens.

Espero que você leia o livro primeiro, e só depois assista ao filme (estrelado em 2011 por Tilda Swinton, John C. Reilly e Ezra Miller). Tudo bem que quase todos nós concordamos que o filme nunca chegará aos pés do livro quando se trata de desenvolvimento da história, mas ao meu ver (AO MEU VER) deixou e muito a desejar. Um filme parado, sem explicações razoáveis e o principal que era o grand finale, ficou de fora da cena final, parece até que foi feito só pra quem já  havia lido o livro, apostaram somente na imaginação do telespectador e não nos presentearam com a estratégia do assassino que foi fora do comum.  O Filme não desenvolve bem, e deixa pouco interessante pra quem leu e quem não. Por isso recomendo firmemente que você leia o livro antes do filme, muitos e muitos detalhes ficaram de fora do filme. Principalmente casos do personagem Kevin que demonstrava ao longo de seu crescimento cada vez mais sua apatia e personalidade malévola com seus vizinhos, amigos e conhecidos.

Espero que goste da leitura e siga minha recomendação. Não deixe de compartilhar aos amigos os artigos aqui do Multiverso News!

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