Clássico
moderno

O
universo nerd está repleto de “deuses”. Pessoas que colaboram com a cultura pop
em várias frentes. Guillermo del Toro, Kevin Smith, J.J. Abrams… Mas de todos
eles, quem talvez seja mais unanimidade seja Joss Whedon. Ele, que tem seu nome
ligado sempre a criação da série Buffy: a caça-vampiros, série que ressuscitou o
conceito de séries nerds, realizou trabalhos no cinema de muita repercussão,
trabalhando em cima dos roteiros de Toy Story, pelo qual ganhou o Oscar de
melhor roteiro e o coração de todos, e do clássico de ação Velocidade Máxima.
 Foi quando em 1998 a Fox começou a procurar um
roteiro para seu filme dos mutantes. Whedon, nerd convicto, enviou sua versão.
Embora sua versão não tenha sido bem recebida pelos produtores (apenas 1 página
de seu roteiro foi para o filme, dizem que é a cena da luta entre Tempestade e
Groxo, faz sentido pois foi uma das poucas falas da Ororo, conhecida pelos seus
longos diálogos nos quadrinhos) a Marvel adorou, convidando ele para assumir a vaga
depois da conturbada fase de Grant Morrison nos mutantes. E assim começou a
fase Superdotados.
Joss,
gênio como é, deixou de lado as alterações radicais de seu antecessor e fez uma
história pautada em relações, de forma semelhante ao que ele faria anos depois
a frente do clássicos Os Vingadores, em 2012. Os diálogos são precisos,
principalmente os que envolvem Wolverine, que deixou de ser a principal cara do
grupo, que ficou a cargo de Kitty Pride, a Lince Negra, e Scott Summers, o
Ciclope, líder da equipe, mas tem seus momentos de brilho.
A
história conta sobre um plano de Ciclope para aproximar os mutantes dos humanos
transformando os X-Men de vez em uma equipe de super-heróis. Essa mudança no
pensamento da equipe acontece ao mesmo momento que duas bombas ocorrem na
equipe. A chegada do extraterrestre Ord, que vem com um interesse especial na
equipe, e na descoberta de uma “cura” para o gene mutante.
A
escolha do nome cura é tão brilhante quanto precisa para a história. Ela
reflete a forma como humanos comuns enxergam os mutantes, como anomalias, estranhezas,
doenças. Nada mais clássico do que isso para os fãs e escritores.
A
arte de John Cassaday casa perfeitamente com esta temática. Enquanto o roteiro de
Whedon mescla o classicismo da temática com o modernismo de seus diálogos, os
desenhos são mais realistas e digitais como são de agrado dos leitores atuais,
mas os uniformes são azul e amarelo. E são maravilhosos. Claro que a comparação
é forçada, mas a dinâmica que os dois mostraram entre o que é escrito e o que é
desenhada trouxe aos X-Men uma dinâmica entre equipe criativa que não se via
desde Claremont/Byrne, cada um com suas características e gostos pessoais que
se somam para o resultado final.
É
interessante ver que na época esta fase era vista como um oásis de qualidade em
uma indústria decadente, mas mais do que apenas uma boa história em uma fase
ruim da indústria, o tempo passou e mostrou que esta fase tinha sim a qualidade
e força para ser guardada no coração dos fãs ao lado de Deus ama, o homem mata,
dias de um futuro esquecido ou a saga da Fênix negra como um dos maiores
clássicos de uma das revistas mais clássicas dos quadrinhos. De fato,
surpreendente. 

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