Review | Unfollow: 140 Tipos de Rob Williams e Mike Dowling

Nos últimos anos, o selo adulto da DC Comics, Vertigo, esteve perdendo força, título após título. As longas e históricas séries regulares, marca registrada do selo, terminaram e deixaram espaços difíceis de ocupar e pouquíssimas minisséries conseguiam relevância no abarrotado mercado norte-americano. Em 2015, na San Diego Comic Con, o alto escalão decidiram investir em novos títulos que reinventasse o selo e devolvesse o que o nome Vertigo conseguiu construir.

Karen Berger como responsável do êxito das séries publicadas com o selo anteriormente, e ajudou na transição para o novo editorial, Shelly Bond, Ellie Pyle e Molly Mahan que mudaram a estratégia em adaptar suas histórias aos novos tempos. Seja usando novas séries com personagens conhecidos como Lúcifer ou usando a fórmula do quadrinho independente em séries como Clean Room, Art Ops ou Unfollow. E é nesse último que venho prestigiar, Unfollow: 140 tipos, lançado pela Panini, com Rob Williams, Mike Dowling e Quinton Winter a frente do título.

Quem conhece aquela rede social que limitava em 140 caracteres o conteúdo compartilhado entre @ e #? Isso mesmo aquele do passarinho azul, pois bem, uma aplicação idêntica ao do famoso servidor para microblogging é a base dessa nova série. Aqui, temos o criador desta fantástica rede social, Larry Ferrell, está muito doente e com uma fortuna de bilhões de dólares. O legado que deixará à humanidade após sua morte, a telecomunicação entre pessoas a milhares de quilômetros, não lhe parece suficiente para o gênio.Então decide dividir toda sua fortuna em 140 partes que serão destinadas a 140 usuários de sua rede social, mas sua intenção não é ser caridoso e sim utilizar sua riqueza para realizar um experimento sociológico e mostrar ao mundo qual é a verdadeira natureza do ser humano. Maldade ou bondade? E para obter a resposta decide implementar um programa através do qual, cada vez que um dos 140 morra, sua parte se divide entre os demais, ou seja, se só um estiver vivo, tudo fica pra ele. Veremos que a divisão feita não será suficiente para alguns deles e por meio de trapaças, conspirações e assassinatos tentarão ficar com os 18 bilhões de dólares totais.

Rob Williams, que logo estará a cargo de escrever o Esquadrão Suicida, faz um trabalho sublime, com ritmo e dinâmica que recorda os filmes e seriados de ação desenfreada. E sem perder o cuidado necessário para desenvolver personagens com uma carga emocional suficiente que permite a empatia com o leitor em várias ocasiões. Os diálogos são bizarros, mas dando também espaço a momentos realmente divertidos e surrealistas. E foi isso, esse dinamismo televisivo, chamou a atenção da ABC que comprou os direitos de adaptação e que logo estaremos vendo a série em nossas TVs.

Na parte gráfica desta edição que recompila as edições #1-6, temos Mike Dowling nos cinco primeiros e a R.M Guéra no sexto. Com um estilo de desenho típico da HQ independente policial/detetivesco, escuro e “sujo” graças às incontáveis linhas que sombream as faces dos personagens. As cores de Quinton Winter dão força ao sombreado de Dowling con uma paleta de cores vivos sen renunciar a escuridão necessária de certos momentos. Em sua parte, Guéra fecha o volume com uma dose de violência da forma que só ele pode nos dar, tal vez com o inédito Scalped.

Em suma, Unfollow é uma história em meio ao eixo de tecnologia, mas longe da ficção-científica. É uma narrativa original, intrigante, bem dinâmica e entretê bastante, que nem dei conta e já estava passando a última página do volume e ansiando o próximo. Até onde a vida é valiosa? E onde a ganancia humana pode chegar? Unfollow mostrará.

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