Review | Lumberjanes: Cuidado com o Sagrado Gatinho

Um acampamento de verão para meninas. Como escoteiros, elas desbravam e exploram a mata, divertindo, ganhando distintivos e forjando seu caráter. Cinco meninas vão passar o verão no acampamento Miss Quinzella Trishwin. Aparentemente tudo normal. Aparentemente. Lá, elas se deparam com estranhas criaturas, fenômenos sobrenaturais e um mistério que terão que desvendar!

Este é o argumento de Lumberjanes: Cuidado com o sagrado gatinho, publicada por Boom! Studios no seu Boom! Max, o mesmo selo que lança a linha de quadrinhos de Hora de Aventura. Lumberjanes saiu como uma minissérie infantil de aventuras de oito números, cujo êxito levou a ter uma série regular, cujo primeiro volume foi publicado no Brasil pela Devir. A série foi criada pela iniciativa de Shanon Watters, editora da Boom, que queria criar uma série com personagens femininas fortes dentro do gênero infantil, e junto a Grace Ellis fizeram o conceito base. Com a ideia, chamaram a Noelle Stevenson, jovem autora, da webcómic Nimona (Clique aqui), para escrever o roteiro com Elis, que não tinha muito conhecimento sobre quadrinhos até conhecer Watters. Nos créditos estão as três, juntamente com a ilustradora Brooke Allen, conhecida pelos trabalhos para livros infantis.

Vencedora do prêmio Eisner (o Oscar dos quadrinhos) de Melhor Nova Série e de Melhor Série para Adolescentes em 2015, a história conquistou leitores de todas as idades e a aclamação da crítica, especialmente por ser uma HQ criada por mulheres e protagonizada por personagens femininas. O êxito da série chamou a atenção da DC Comics, que no ano passado fez um crossover entre Lumberjanes/Gotham Academy. E a Fox adquiriu os direitos para realizar uma adaptação para o cinema e até já anunciou Emily Carmichael como diretora do filme live-action.

LUMBERJANES

A primeiro momento podemos logo pensar no feminismo que encontraremos numa obra que tem a máxima da força feminina, pelo emponderamento presente em suas autoras. Entretanto, não tem nada disso e sim, sororidade, que é o termo mais presente em Lumberjanes. Não há nenhum discurso feminista que venha ferir sensibilidades ou que interponha algo a mais. E é nesse ponto que torna a história magnífica: A naturalidade e a simplicidade d. A maneira perfeita em que se complementam as cinco meninas que protagonizam esta HQ. A forma que demonstram sua amizade e o valor de tê-la.

Ripley, April, Jo, Molly e Mal estão neste acampamento para garotas molengas. Coisas estranhas acontecem após um ataque de raposas com três olhos. Daí toda sorte de aventura e mistérios desentranham daquela floresta, revelando no fim um grande segredo. E sem spoilers, uma coisa que me surpreendeu e encantou ao mesmo tempo. Bosques escondidos, cavernas misteriosas, provas a la Indiana Jones, criaturas mágicas… O ritmo da narrativa é contínua, com muita ação e humor em meio ao mistério do lugar que as meninas escolheram passar o verão.

Destaco também a representação de cada protagonista. Mesmo que não seja um desenho tão realista, nem tão elaborado é bastante expressivo. Claramente distinguimos a psiquê de cada uma delas, não somente pelas características físicas, que poderiam ser estereotipadas, mas um amálgama de diferentes personalidades e habilidades, distintas etnias e tipos de corpo, além de incluir personagens LGBT.

LUMBERJANES

São personagens bem construídos, complexos, que duvidam, que se atrevem, que sentem medo. Outro aspecto que contribui são as cores de Maarta Laiho, que conseguiu transmitir a alegria da amizade que as personagens e a história possui, com tons vivos e chamativos.

A HQ também tem um estilo próprio, onde cada capítulo é estruturado como uma página de um manual para escoteiros, daqueles antiquados, datado de 30 tantos anos, que trata de como ganhar distintivos. ‘Varei a noite’, ‘De boa na canoa’, ‘Prova dos noves’, ‘Robyn Hood’, são apresentados em cada capítulos, que acertam na abordagem divertida da narrativa e em mostrar para os jovens leitores, por exemplo, lições como apoiar decisões, inclusive as equivocadas, como também o trabalho em equipe, entre outras. Como um sussurro ao ouvido do leitor sobre a amizade, sem importar classe, condição, raça…

Por fim, Lumberjanes tem um lado fantástico que me encantou e com segurança, o lance da representação feminista passa longe, há mais uma compreensão entre a amizade de ambos os sexos. Terna, engenhosa, divertida e que cumpre com o seu papel de narrativa gráfica.

REVER GERAL
Nota
9

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