Review | Chico Bento – Arvorada

A história de um menino, uma anciã e um ipê amarelo

As edições do selo Graphic MSP têm sido uma reinvenção dos clássicos personagens de Maurício de Souza, com sua primeira publicação em 2012, do personagem Astronauta com a história Magnetar, dos autores Danilo Beyruth e Cris Peter, os personagens são vistos com uma ótica mais “adulta”, mas ainda mantendo sua essência, atraindo assim novos leitores e também os antigos leitores que por algum motivo se afastaram dos personagens.

O que as Graphic MSP nos proporcionam são novas emoções, repletas de uma nostalgia, e de um sentimento de saudade que custam a ir embora, e nos fazem reler e revisitar frequentemente as edições e até a pegar novamente os antigos gibis da turma para ler novamente.

Em abril desse ano foi lançada a primeira Graphic MSP de 2017, e dessa vez o personagem escolhido foi o nosso querido Chico Bento, e o artista escolhido foi o Orlandeli, dono de um estilo que casou muito bem com o personagem, Orlandeli possui um belo traço e uma leveza na maneira de contar a história de Chico Bento que em muitos momentos chega a emocionar, nos lembrando de momentos que passamos e acima de tudo das escolhas que fazemos na vida.

Na história, temos Chico Bento e sua Vó Dita em situações do dia-a-dia, porém com um roteiro sensível e repleto de momentos que com certeza todos irão se identificar em algum ponto, seja nas escolhas, nos momentos mais tristes e nos mais alegres.

O visual em alguns momentos nos traz uma sensação onírica devido ao estilo do traço de Orlandeli, uma fluidez de encher os olhos, uma simplicidade contagiante nas páginas que nos transporta diretamente ao cenário rural, quase sentindo aquele cheirinho de café e bolo de fubá no fim de tarde, outro ponto forte para essa imersão é o uso do linguajar caipira, durante todo o momento a narração é feita também com o sotaque do Chico, sendo impossível nos momentos mais tensos não nos aproximarmos de tudo aquilo.

O medo da solidão que Chico enfrenta, da perda da avó que está doente, um arrependimento de ter dito não no momento que a avó lhe chama, nos faz pensar nos nossos “nãos” diários, que falamos também em situações que não voltam mais, mas o aperto que sentimos no peito ao dividir esses pensamentos e sensações com o Chico dá lugar à uma satisfação imensa ao vermos o amadurecimento que ele alcança, todos os ensinamentos da Vó Dita, e a bela cena que ele presencia com o uso dos seres folclóricos é simplesmente sensacional.

O que fica de aprendizado para nós leitores é exatamente isso, observar os pequenos momentos da vida, ali está a beleza e o sentido para tudo, nem sempre a vida tem que ser vivida à 110 km/h,  temos que aprender que no nosso mundo que tudo se transforma na velocidade do pensamento ainda temos que levar nossa mente até a roça para respirar um ar puro e beber um cafezinho no final da tarde ou proseando na arvorada.

Mais um trabalho fenomenal do selo Graphic MSP, e uma acertada escolha no artista fazem dessa edição uma ótima pedida à todos os tipos de leitores. Para esse ano ainda teremos a publicação da sequência de Turma da Mônica – Lições com os autores Lu Cafaggi e Vitor Cafaggi em Turma da Mônica – Lembranças e para 2018 uma graphic do Jeremias pelos artistas Rafael Calça e Jefferson Costa.

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