Relembrando Animes – Serial Experiments Lain

Present Day, Present Time… Com essa frase se iniciava o anime que eu trago hoje pra vocês, pouco conhecido aqui no Brasil, um anime de vanguarda com uma história influenciada por temas filosóficos que te prende do começo ao fim. Se você não conhece, vem comigo saber sobre Serial Experiments Lain.

A animação foi lançada pelo estúdio Triangle Staff, dirigida por Ryutaro Nakamura, criação de cenários por Chiaki J. Konaka e desenhada por Yoshitoshi ABe. A série foi transmitida pela TV Tokyo de Julho a Setembro de 1998, contendo apenas 13 episódios. Teve um jogo para PlayStation lançado no mesmo ano. Lain é um anime complexo que demonstra abranger influências de Filosofia, história da computação, literatura cyberpunk, ordens místicas, hermetismo, alquimia e teorias da conspiração, foi assunto de vários artigos acadêmicos. Tendo trazido ao público um tema considerado inovador em sua época, foi um dos animes que obteve maior repercussão, e ostenta, até hoje, a fama de ser um dos maiores sucessos do segmento junto com Akira e Neon Genesis Evangelion. Lain foi exibida no Brasil pelos canais Locomotion e Animax

O mundo é conectado, todas as pessoas são interligadas pela Wired (uma espécie de internet), é lá onde as pessoas se sentem livres, satisfazem seus desejos mais secretos, sentem-se donas de si mesmas. Porém, Lain, uma criança colegial, não é uma boa entendedora desse assunto. Seu Navi (um computador), é do tipo infantil e ela quase não sabe navegar pela rede.

A história começa com uma cena surpreendente. Chisa Yomoda, uma estudante ginasial que a princípio parece alucinada, comete suicídio se jogando de um prédio. Misteriosamente, alguns dias depois, todas as meninas da escola receberam um e-mail dela, dizendo que ela estava bem, que somente abandonou a carne e encontrou Deus na Wired. Lain mora com sua família de classe-média, que consiste em sua inexpressiva irmã mais velha Mika, sua fria mãe e seu pai obcecado por computadores. A primeira agitação em sua vida solitária foi exatamente o suicido de sua colega e o e-mail recebido. A partir de então ela pede a seu pai um novo Navi e passa a se conectar na Wired.

Durante sua jornada, Lain conhece a boate Cyberia, apresentada por suas amigas de escola. Cyberia é uma espécie de ponto de encontro dos jovens, lugar que fornece a eles a experiência de se conectarem à wired e fazerem o uso de “Accela”, a droga do momento, muito popular entre eles. Com a ajuda de seu poderosíssimo navi, Lain começa a se familiarizar cada vez mais com wired, ao ponto de sua própria realidade ser influenciada por esse estranho mundo virtual.  No decorrer da trama, Lain encontra alguns perigos, como o deus da Wired e a ameaça hacker chamada knights. Há também aliados como o garoto Taro e sua melhor amiga Arisu.

A personalidade de Lain muda bastante conforme a história avança, ela passa de uma menina introspectiva a uma personagem com personalidade forte e de incrível habilidade no uso dos Navis. Além disso, ela consegue usar poderes paranormais fora da wired, o que nos leva a questionar se a garota sempre foi assim ou se na verdade é outra pessoa, assumindo a identidade da personagem principal.

Serial Experiments Lain descreve a Wired como a soma das redes de comunicação humana, criada a partir dos serviços de telégrafo e telefone e expandida com a internet. O anime assume que a Wired pode ser ligada a um sistema que permite a comunicação inconsciente entre pessoas e máquinas sem necessitar de uma interface física. A história nos introduz esse sistema com a Ressonância Schumann, uma propriedade do campo magnético da terra que teoricamente supera todas as barreiras de comunicações a longa distância. Se tal ligação fosse criada, a rede se tornaria equivalente à realidade num consenso geral das percepções e conhecimento. A tênue linha entre o real e o virtual começaria a sumir.

Teoria da conspiração, evolução e até mesmo extraterrestres são temas decorrentes no anime. Surgem muitas perguntas e conceitos filosóficos como eu já havia comentado no inicio. Realidade, identidade, comunicação e Deus, são temas recorrentes na trama e com eles muitos questionamentos surgem. Afinal de contas, o que é Real? Uma questão que vai aparecer durante a história. Se alguém se lembrou de Matrix, saibam que boa parte do filme possui vários elementos retirados de Lain.

Lain não é um anime para qualquer um. A série tem um clima pesado. As cenas quase que estáticas, com poucos diálogos, deixam um tom carregado e de suspense, de forma que quem a assiste é convidado a esquecer de todo o mundo exterior, pois uma piscada de olhos pode ser fatal para não entender mais a história. Além de intenso, a animação é muito parada. Não existem musiquinhas de fundo, sendo que temos várias sequências de silencio puro, apenas a cena acontecendo, sem ter qualquer som. Quando eu assisti pela primeira vez, confesso que não entendi muito bem e sei que isso não aconteceu só comigo. Mas aos pouco Lain foi se tornando um dos meus animes preferidos e eu já devo ter assistido ele mais do que eu consigo lembrar.

Não se assustem com o que eu falei aqui, recomendo que deem uma chance para esse anime, ele é realmente fantástico e apesar de ser de 1998, traz um tema muito atual, sobre como as pessoas podem confundir sua vida real com a que elas vivem dentro da internet. Para finalizar, como de costume fiquem com a música de abertura do anime: Duvet, do grupo Boa, que também é uma das minhas favoritas e nunca paro de ouvir: