Rebobinando: O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final

O Julgamento Final

Hasta la vista, Baby

Qualquer roteirista que recebe a missão de escrever uma continuação tem sempre que, quando entrevistado sobre a dificuldade de fazer um filme maior e melhor do que o original, citar 3 películas: Star Wars: O Império contra-ataca, Aliens: O Resgate, e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. De fato, os três filmes conseguiram êxito em sua empreitada de, embora continuasse uma história, trazer novos elementos que pudessem provar que eles eram realmente uma franquia. Mas afinal de contas, do que é feito uma boa continuação?
Quando se conta uma história no cinema geralmente segue-se uma linha de roteiro em 3 atos: No primeiro apresenta-se o personagem principal, o problema e há a chamada do herói, no segundo ato, o meio do filme, o problema começa a ser explorado, mostrando seus efeitos, os heróis buscando meios de superar seus obstáculos, os primeiros triunfos e quedas dos protagonistas… enquanto no terceiro fecha-se a história. Neste “fecha-se” cria-se um problema quando se deseja uma continuação. O primeiro filme deve ter um final e ser nele mesmo uma oportunidade de novo começo. A estrela da morte foi destruída, Ripley fugiu da Nostromo e o T-800 foi destruído. Ainda assim conseguiu-se continuar a história muito mais centrado no que os filmes anteriores criaram de universo (a luta entre rebeldes e o império, existir uma raça extraterrestre assassina enquanto a raça humana explora o espaço, haver uma guerra no futuro que utiliza viagens no tempo como arma) para existir.
O segundo filme da franquia Exterminador do Futuro começa muito semelhante ao primeiro. Arnold mais uma vez chega no presente pelado, derrota alguns motoqueiros, rouba suas roupas e moto e parte em uma caçada. Enquanto isso outro Exterminador chega e mata um policial e sua viatura, também começando a caçada ao jovem John Connor, já nascido, adolescente, e mostrando que manja das malandragens. Acontece que Arnold, vilão do primeiro filme, vem como protetor enquanto o “policial” que deveria servir e proteger é o vilão. O primeiro lance de gênio de um roteiro que trata justamente de coisas que estão fora de lugar por um motivo maior.
Sarah Connor, antes uma moça comum, se tornou uma guerreira badass. Embora seja uma mãe amorosa, está longe de seu filho presa em um manicômio. John que deveria ser o protetor da raça humana e exemplo de líder é um rebelde nato. O T-800, uma máquina, mostra certo apreço, e porque não empatia, por aquele jovem que não tem pai. Sua missão é salvar um garoto que ainda não cometeu os atos que o tornam tão perigoso… se quisesse James Cameron faria uma ficção cientifica dramática parada e profunda… Mas James Cameron faz mais, muito mais que isso.
Desde o uso de You Could be Mine, da banda de rock mais pop de todos os tempos, passando pelas doses cavalares de ação em perseguições muito bem filmadas, com uma edição alucinada (a clássica cena do T-1000 abrindo o elevador detém o recorde de cena com mais corte da história do cinema) e os efeitos visuais que iriam revolucionar a indústria (e que cai na mesma categoria dos efeitos de Jurassic Park, no qual muita gente acha mais crível do que o mais recente CGI) faz do filme extremamente divertido e empolgante de assistir.
E é aí que está de fato o motivo de uma continuação ser divertida ou não. Uma boa continuação não é simplesmente aquela que dá continuidade a história do primeiro filme, mas ainda assim pode ser assistida e entendida por qualquer um que não tenha visto seu antecessor. Uma boa continuação é aquela que se usa de um universo estabelecido e conta uma história com motivos e divagações distintas, mas tão interessante quanto. Por isso que, apesar da bilheteria, as continuações de Transformers nunca alcançarão o nível de clássicos.