REBOBINANDO – A ESPINHA DO DIABO

Rebobinando- A espinha do Diabo

O que é um fantasma?

Guillermo del Toro talvez seja o diretor com o visual mais marcante da atualidade. Tanto a forma como ele cria como os designs de personagens em seus filmes são sempre marcantes, motivo pelo qual ele se tornou praticamente uma entidade na indústria e um guru na criação de histórias fantásticas. Tendo primeiramente entrado como técnico de maquiagem, estreou como diretor no razoável Cronos e comeu o pão que o diabo amassou na sua primeira ida a Hollywood com Mutação, mas foi com A Espinha do Diabo, produção espanhola, que ele mostrou ao que veio.

Em 2001 o terror japonês já começava a chegar ao público ocidental (a versão americana de O Chamado, por exemplo, é de 2002) e as histórias de fantasmas, especificamente, tinham toda esta pegada. Enquanto isso, os filmes de terror americanos caiam no lugar comum, sendo bastante difícil encontrar um bom exemplar do gênero. É neste contexto que Guillermo juntou sua equipe, levou para a Espanha e conseguiu criar uma história de amizade e perda da inocência em tempos de guerra, enquanto uma história minimalista sobre a natureza do que é um fantasma ocorre no meio.

É incrível como estes elementos completamente distintos conseguem se unir em uma mesma história. O filme narra a história de Carlos, garoto que chega em um orfanato na Espanha durante a guerra civil espanhola. Deixado lá aos cuidados de um senhor de idade culto, uma senhora que guarda um segredo, e o casal de caseiros que estão em busca de uma vida melhor nesta época trágica, Carlos acaba conhecendo os meninos que lá morar e entra em contato com o fantasma de Santi, um garoto que morava por lá.

O filme se desenvolve a partir daí em duas frentes: A primeira conta o caso dos garotos entrando em contato com o fantasma, enquanto aprendem que existem momentos em que as pessoas têm que fazer a transição de criança para adulto de maneira mais rápida, aprendendo conceitos como companheirismo e o perdão, e a segunda mostra as tentativas de Jacinto roubar um tesouro de seus patrões, dinheiro dos rebeldes, e assim fugir com sua namorada daquela situação. Esta dinâmica de roteiro viria a ser refinada anos depois em O Labirinto do Fauno. É legal perceber como Del Toro faz o filme ir ganhando camadas e densidade a medida que ele vai passando. O momento em que é explicado o porquê do filme ter este nome é impagável, e representa a alteração do tom de filme.

O filme não é exatamente um filme de terror, pelo menos não do modo atual dos filmes de terror, muito mais sobre sustos do que atmosfera. Mesmo assim, o tom do filme funciona, muito por causa da direção de arte, que é magnífica. Outro ponto a ser ressaltado é o fantasma, que, caso raro nos designs, é sombrio e faz total sentido com a história.

A Espinha do Diabo não é um filme perfeito, longe disso, mas para qualquer um que gosta não só de filmes com temáticas de terror, como principalmente para os fãs de histórias de fantasmas, se torna uma obra interessantíssima, ainda mais quando a consideramos como um ensaio para um dos maiores filmes deste século, o Labirinto do Fauno.    
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Fundador - CEO - Designer - Líder da casa Mundo Hype! Desenvolvedor Front End, Designer e Fotógrafo. Apaixonado por cinema, viciado em séries e colecionador de HQs. Super-Heróis favoritos: Iron Man e Spider-Man.

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